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| O ABUSO DE DESCONGESTIONANTES NASAIS COM VASOCONSTRITOR | |
| 1JAIRO DAL OCA SANTOS, 2GUILHERME PARIZE CAVALCANTE, 3LUIZ MIGUEL JONER CELA, 4ROSILEY BERTON PACHECO | |
| 1Acadêmico do curso de medicina da Unipar 2Aluno do PIC/UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A congestão nasal é um sintoma frequente em diversas condições do trato respiratório superior, como rinites, sinusites, resfriados e alergias, e pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos indivíduos (Sales, 2021). Nesse contexto, os descongestionantes nasais surgem como uma alternativa terapêutica amplamente utilizada, pois atuam como agonistas adrenérgicos capazes de promover vasoconstrição na mucosa nasal, reduzindo o edema e proporcionando alívio imediato dos sintomas (Torquato; Shima; Araújo, 2020). Entre os principais fármacos dessa classe destacam-se a nafazolina, a oximetazolina, a xilometazolina e a fenilefrina, presentes em formulações de venda livre (Silva et al., 2024). Apesar da eficácia clínica, o uso indiscriminado desses medicamentos representa um risco importante à saúde. Objetivo: Identificar os problemas relacionados ao uso indiscriminado de descongestionantes nasais com vasoconstritor. Discussão: A análise do uso de descongestionantes nasais com vasoconstritor permite compreender que a popularidade desses medicamentos está diretamente relacionada ao seu rápido efeito terapêutico, que gera a falsa percepção de segurança entre os usuários (Lima et al., 2024). Essa visão limitada, porém, esconde a complexidade de seu impacto clínico e social. O uso contínuo e sem orientação compromete não apenas a saúde individual, mas também a saúde coletiva, visto que contribui para a manutenção de práticas de automedicação que sobrecarregam os serviços de saúde com complicações evitáveis (Torquato; Shima; Araújo, 2020). Um aspecto relevante é que, embora sejam destinados ao tratamento sintomático, os descongestionantes não atuam na causa da obstrução nasal, o que pode levar o indivíduo a negligenciar a investigação de doenças subjacentes, como rinites persistentes, desvio de septo ou infecções respiratórias (Sales, 2021). Dessa forma, há risco de cronificação dos sintomas e de agravamento de quadros clínicos que, se tratados precocemente, poderiam ter evolução mais favorável (Silva et al., 2024). Outro ponto crítico é a dimensão psicossocial do uso desses fármacos. O alívio imediato proporcionado reforça um comportamento de busca por soluções rápidas, o que pode gerar um ciclo de dependência comportamental (Silva et al., 2024). Essa relação é intensificada pelo fácil acesso e pela propaganda, fatores que moldam a percepção social de que tais medicamentos são inofensivos (Lima et al., 2024). Em consequência, práticas de automedicação se perpetuam em diferentes faixas etárias e contextos socioeconômicos, ampliando o alcance dos riscos (Torquato; Shima; Araújo, 2020). Do ponto de vista da farmacoterapia, a utilização inadequada de vasoconstritores também evidencia um desafio relacionado ao manejo da adesão ao tratamento. Muitos pacientes desconhecem a necessidade de limitar o uso a poucos dias, o que facilita o desenvolvimento de tolerância farmacológica e potencializa os efeitos adversos sistêmicos (Ssles, 2021). Isso reforça a importância da presença ativa do farmacêutico e de outros profissionais de saúde na orientação contínua, não apenas no momento da dispensação, mas como parte de estratégias permanentes de educação em saúde (Torquato; Shima; Araújo, 2020). Finalmente, deve-se destacar que o fenômeno observado com os descongestionantes nasais reflete um problema maior: a carência de políticas de saúde mais eficazes voltadas ao uso racional de medicamentos. Estratégias de conscientização, campanhas educativas e regulamentações mais rígidas quanto à venda desses produtos podem reduzir a exposição da população a riscos desnecessários (Silva et al., 2024). Conclusão: Conclui-se que os descongestionantes nasais com vasoconstritor desempenham papel relevante no alívio rápido da congestão nasal, sendo amplamente utilizados pela população. No entanto, o uso indiscriminado e prolongado pode trazer sérios riscos à saúde, desde reações adversas locais até complicações sistêmicas graves. O fenômeno do efeito rebote, a possibilidade de dependência e a alta frequência de automedicação reforçam a necessidade de maior conscientização da população quanto ao uso racional desses medicamentos. Nesse sentido, a atuação dos profissionais de saúde, em especial dos médicos e farmacêuticos, é essencial para orientar, prevenir riscos e garantir uma farmacoterapia mais segura. |
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| Referências: LIMA, Tainara de; ROCHA, Thaís Moreira da; MARINI, Danyelle Cristine; CAMPANHER, Ronaldo. Análise do uso indiscriminado de descongestionante nasal com vasoconstritor. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024. SALES, Gabriella Lombardi de Almeida. Descongestionantes nasais e o risco de eventos cardiovasculares: uma revisão da literatura. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Farmácia) – Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2021. SILVA, Jéssica de Sousa; RIBEIRO, Suziane Assis dos Santos; SANTOS, Jéssica Nunes Araújo dos; SAMPAIO, Byanca Nunes; FIGUEIRA, Hávilla Clycia Oliveira Siqueira. Efeitos adversos do uso indiscriminado de descongestionantes nasais. Brazilian Journal of Health Review, 2024. TORQUATO, Andreia Luiza; SHIMA, Vivian Taciany Bonassoli; ARAÚJO, Daniela Cristina de Medeiros. Riscos associados à prática de automedicação com descongestionante nasal. Brazilian Journal of Development, 2020. |
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