IDEAÇÃO E TENTATIVA DE SUICÍDO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE PESSOAS COM E SEM DEFICIÊNCIA   
1VALENTINA INÊS GILLES, 2ROBERTHA TREVISAN CORADASSI BUFF, 3ALINE PERIN PADILHA, 4THAIS CRISTINA GUTSTEIN NAZAR
1Graduanda em Psicologia. PIC/Universidade Paranaense(UNIPAR).
2Graduanda em Psicologia. PIC/Universidade Paranaense(UNIPAR).
3Pós-Graduanda em Análise Comportamental Clínica e Terapias Contextuais. PIC/Universidade Paranaense(UNIPAR).
4⁴Doutora em Educação, Psicóloga, Docente e Orientadora PIC/PIBIC do Curso de Psicologia/UNIPAR
Introdução: O suicídio ainda é um tema muito estigmatizado na sociedade atual, contudo, trata-se de uma questão que tem se tornado cada vez mais evidente. Ele pode ser entendido como qualquer ato arbitrário e intencional com finalidade de se matar. Além disso, pode estar associado a diversos fatores de risco, porém é algo multifatorial e muito individual para cada indivíduo. Dessa forma, comparando com a crescente de dados de internações devido a tentativas de suicídio nos anos de 2014 a 2024 entre adolescentes de 15 a 19 anos, público central da amostra deste estudo, a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE, 2024) relata que essa faixa etária foi a segunda mais afetada. Em consonância, no Brasil existem 18,6 milhões de pessoas com deficiência, o que equivale a praticamente 9% da população total do país (IBGE, 2023). Compreende-se, assim, a necessidade de pesquisas relacionando esses dois fatores, pois pessoas com deficiência frequentemente são invisibilizadas e enfrentam diversas barreiras sociais.  
Objetivo: O objetivo desta pesquisa é analisar os dados de pessoas com deficiência e investigar se há maior prevalência de ideações e tentativas de suicídio em relação a pessoas sem deficiência.
Material e Métodos: Este estudo é de caráter quantitativo, transversal e correlacional. Foi realizado com uma amostra de 1626 adolescentes estudantes do ensino médio em Francisco Beltrão, cidade no Estado do Paraná, no qual 104 deles têm alguma deficiência seja visual, auditiva, física, ou “outra”. Essa amostra foi recolhida por meio do instrumental Questionário De Juventude Brasileira (DellʻAglio et al., 2011) aplicado previamente no âmbito do Programa de Iniciação Científica da Professora Thaís Gutstein Nazar e aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Paranaense (UNIPAR), com o parecer nº 5.836.801. Os dados foram analisados através do programa de estatística IBM SPSS Statistics (Versão 27) por meio de tabulações cruzadas e Teste Exato de Fisher. Por fim, foram utilizadas as variáveis “Você tem algum tipo de deficiência”, “ Você já pensou em se matar?” e “Você já tentou se matar?”
Resultados:Em relação às ideações suicidas, pessoas sem deficiência (37%) e com deficiência (40,4%), apresentaram uma diferença percentual de 3,4. Contudo, levando em consideração os testes de significância, eles apontam que não há correlação entre esse contraste (p= 0,704). Entretanto, seria interessante investigar melhor essa questão em estudos futuros, visto que deu uma alteração positiva para pessoas com deficiência, por mais que seja pequena. No que diz respeito à tentativa de suicídio, pessoas com deficiência (45,7%) fizeram menos tentativas que pessoas sem deficiência (46,7%) e não houve correlação (valor-p 1,0).
Discussão: Nessa pesquisa entende-se que a variável deficiência não foi um fator determinante em relação a ideação e a tentativa de suicídio. Tanto pessoas com deficiência e sem, tiveram percentuais muito similares. Embora pessoas com deficiência tenham apresentado maior frequência de ideação, o Teste Exato de Fisher indicou que essa diferença não foi estatisticamente significativa. Diferente do proposto por Park (2024), a qual aponta que pessoas com deficiência física tem uma prevalência maior de 18,9% de ideação de suicídio em relação a 9,2% da população geral. Essa disparidade pode ter ocorrido pelo fato deste presente estudo não ter categorizado por tipo de deficiência, diferentemente do realizado por Park. Em outro estudo, produzido na Universidade da Flórida por Marlow et al. (2022) apontou que pessoas com deficiência cognitiva tinham probabilidade 1,71 maiores de terem ideação ou tentativa de suicídio em relação a deficiência auditiva. No que diz respeito às demais deficiências, a cognitiva ainda era a que apresentava maior probabilidade. Ademais, as discordâncias dos dados podem ter ocorrido por causa da amostragem reduzida de alunos que têm deficiência em relação aos que não tem. Por fim, há possibilidade dos alunos que responderam o questionário não terem se identificado com alguma alternativa, pois elas eram restritas quanto às várias deficiências consideradas no Brasil, como previsto no artigo 2° da Lei n° 13.146/2015 a deficiência pode ser de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, com mais que uma barreira ou não e que afeta na participação da sociedade.
Conclusão: O presente estudo permitiu compreender a relação de ideação e tentativas de suicídios entre pessoas sem deficiência e com, a fim de entender se pessoas com deficiência têm maior prevalência de ideação/tentativa de suicídio. A análise mostrou que, apesar de que em alguns momentos as pessoas com deficiência tenham apresentado números mais altos, essa diferença não foi significativa do ponto de vista estatístico. Ainda assim, esses dados chamam a atenção para a importância de se olhar para esse grupo de forma mais cuidadosa.
Referências:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA DE EMERGÊNCIA – ABRAMEDE. Brasil registra mais de 30 internações por dia por tentativas de suicídio e autolesões. Notícias ABRAMEDE, 11 set. 2024. Disponível em: https://portal.abramede.com.br/noticia/brasil-registra-mais-de-30-internacoes-por-dia-por-tentativas-de-suicidio-e-autolesoes-alertam-medicos-emergencistas. Acesso em: 21 ago. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 7 jul. 2015.Disponível em:https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 20 ago. 2025
DELLʼAGLIO, D. et al. Revisando o Questionário da Juventude Brasileira: uma nova proposta. In: DELLʼAGLIO, D.; KOLLER, S. H. (orgs.). Adolescência e juventude: vulnerabilidade e contextos de proteção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011. p. 259–270.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pessoas com deficiência têm menor acesso à educação, ao trabalho e à renda – PNAD Contínua – 2022. Agência de Notícias, 07 jul. 2023. Brasília: IBGE, 2023. Disponível em:https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/37317-pessoas-com-deficiencia-tem-menor-acesso-a-educacao-ao-trabalho-e-a-renda.. Acesso em: 21 ago. 2025.
MARLOW, Nicole M. et al. Associação entre o tipo de deficiência funcional e os resultados relacionados ao suicídio entre adultos com deficiência nos EUA na Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde, 2015-2019. Journal of Psychiatric Research, v. 152, p. 101–109, 2022. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9811968/. Acesso em: 3 set. 2025.
PARK, Eun-Young. Factors influencing suicidal ideation in persons with physical disabilities. Behavioral Sciences, Basel, v. 14, n. 10, p. 966, out. 2024. Disponível em:https://www.mdpi.com/2076-328X/14/10/966. Acesso em: 23 ago.2025