PUBERDADE PRECOCE: TENDÊNCIA DE AUMENTO E POSSÍVEIS RELAÇÕES COM FATORES AMBIENTAIS E NUTRICIONAIS  
1MARIA EDUARDA DE OLIVEIRA VACCARI, 2LETÍCIA OLIVEIRA DE QUEVEDO, 3LIVIA MALVEZZI LAGO, 4JULIA SANTOS SOARES, 5RICARDO ENRIQUE GIMENES DA SILVA, 6KELSON RUDY FERRARINI
1Acadêmica do PIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A puberdade precoce (PP) é definida pelo aparecimento de características sexuais secundárias antes dos 8 anos em meninas e dos 9 anos em meninos (Gaspar, 2024). Estudos apontam uma tendência crescente dessa condição, com destaque para a forte associação entre excesso de peso e maior incidência no sexo feminino, o que reforça a importância do acompanhamento preventivo (Fonseca, 2022). Além do fator nutricional, pesquisas recentes relacionam o aumento dos casos à exposição a disruptores endócrinos presentes no ambiente e a hábitos alimentares inadequados na infância, configurando um desafio multifatorial para a saúde pública (Gaspar, 2024).
Objetivo: Analisar os fatores associados à puberdade precoce, incluindo influências genéticas, nutricionais e ambientais, e discutir suas implicações clínicas, psicossociais e para a saúde pública.
Desenvolvimento: De forma geral, a puberdade sofre interferências diretas de fatores genéticos, ambientais e nutricionais. O início da puberdade é caracterizado pelo surgimento das mamas e pelo aumento do volume testicular, seguido pelo aparecimento dos pelos pubianos e, por fim, pela menarca nas meninas (Bandeira et al., 2023). A puberdade precoce (PP) pode ser classificada em duas formas: a PP central, que envolve ativação precoce da liberação de GnRH, seguida pela secreção de gonadotrofinas (LH e FSH), e a PP periférica, marcada pelo aumento dos esteroides sexuais sem elevação das gonadotrofinas (Mancini; Siqueira; Silva, 2024). Entre os fatores associados, a obesidade infantil destaca-se como uma das principais causas de puberdade precoce, uma vez que o aumento da adiposidade central provoca hiperinsulinemia, resultando em resistência insulínica, que eleva os níveis de androgênio e ativa o eixo hipotálamo-hipófise-gônadas (Rios; Falcão; Souza, 2023). Além disso, fatores genéticos desempenham papel importante na puberdade precoce. A mutação inativadora do gene MKRN3, que normalmente atua inibindo o início da puberdade, está associada à ativação precoce do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas. O gene DLK1 participa da inibição da diferenciação dos adipócitos, enquanto o KISS1 estimula a secreção de GnRH, influenciando diretamente o início puberal. Além desses genes, o peso da herança familiar também contribui para o risco de puberdade precoce, que pode ainda estar relacionada a causas tumorais ou a doenças congênitas (Corream et al., 2021). Paralelamente, a ingestão de adoçantes artificiais - aspartame, sucralose e glicirrizina - frequentemente presentes em ultraprocessados, foram associados recentemente ao desenvolvimento da puberdade precoce central em crianças geneticamente predispostas (Endocrine Society, 2025). Crianças com puberdade precoce enfrentam desafios psicossociais, como introversão, estresse e distúrbios de imagem, além do risco de iniciação sexual precoce, gravidez na adolescência, avanço acelerado da idade óssea e aumento da probabilidade de diabetes mellitus e doenças cardiovasculares (Mancini; Siqueira; Silva, 2024).
Conclusão: A puberdade precoce é uma condição multifatorial que envolve fatores genéticos, nutricionais e ambientais, incluindo obesidade infantil, exposição a disruptores endócrinos e hábitos alimentares inadequados. Seu diagnóstico precoce é fundamental, pois permite a intervenção adequada, minimizando riscos metabólicos, psicossociais e de desenvolvimento sexual precoce, contribuindo para a promoção da saúde e bem-estar das crianças afetadas.
Referências:
BANDEIRA, J. A. Neta; FRANKLIN, L. B.; AMARAL, F. L. E. do; AZEVEDO JUNIOR, G. X. de; SOUSA, K. K. de; LACERDA NETO, L. J. de. Fatores relacionados ao desenvolvimento da puberdade precoce em meninas. Revista Eletrônica Acervo Científico, 2023.
CORREAM, E. R.; LOUZADA, A. L.; TON, L.; ANDRADE, L. J. G.; NEVES, L. R.; SCUSSULIM, M. C. A. D.; MARTINS, T. de O.; CORRÊA, M. I. Puberdade precoce: fatores que influenciam sua ocorrência. Revista Eletrônica Acervo Científico, 2021.
ENDOCRINE SOCIETY. Artificial sweeteners linked to premature puberty in children. The Endocrine Society Annual Meeting, 2025. 
FONSECA, Maiara Sandre. Maturação sexual precoce e o excesso de peso em adolescentes brasileiros. 2022. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) - Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2022.
GASPAR, Beatriz Frazão Pires de Sousa. Puberdade precoce central e obesidade infantil. 2024. Dissertação (Mestrado em Medicina) - Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2024.
MANCINI, O. P.; SIQUEIRA, G. C. de; SILVA, L. C. de S. Da etiologia ao tratamento: uma revisão bibliográfica da puberdade precoce. Brazilian Journal of Health Review, 2024. 
RIOS, Isabella Santos Rezende; FALCÃO, Luiz Fabio; SOUZA, Sandra Coenga de. A associação da obesidade infantil com o desenvolvimento da puberdade precoce: revisão integrativa. Revista Ciência e Estudos Acadêmicos de Medicina, v. 17, n. 1, p. 13–34, 2023.