ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM FRENTE ÀS INFECÇÕES DE CORRENTE SANGUÍNEA EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL
1ARISTANY DOS SANTOS CABREIRA, 2KARINA MACHADO CAMPOS, 3AMANDA KAROLINI JOHANSSON, 4CAMILLA MARTINS, 5BRUNA TAIS ZACK
1Acadêmica de enfermagem pela universidade paranaense
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) são complicações frequentes entre neonatos e crianças hospitalizadas, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). A Infecção Primária de Corrente Sanguínea associada ao Cateter Venoso Central (IPCSL-CVC) ocorre pela entrada de microrganismos na corrente sanguínea, geralmente durante a inserção ou manipulação do cateter.
Objetivo: Refletir, por meio de uma revisão narrativa da literatura, sobre as infecções de corrente sanguínea associadas a cateteres em UTIN, utilizando como bases de dados a BVS, SciELO e PubMed.
Desenvolvimento: Neonatos são particularmente vulneráveis às IRAS, com índices até cinco vezes superiores aos de crianças maiores. Entre os fatores de risco estão: peso ao nascer inferior a 1500 g, imunidade reduzida e necessidade de procedimentos invasivos, como ventilação mecânica e uso de cateteres. O tamanho corporal reduzido do RN dificulta o combate a infecções (Da Cruz et al., 2020; Silva et al., 2023). A microbiota hospitalar, número de lumens, tipo de infusão, técnica e local de inserção do cateter influenciam diretamente nas taxas de infecção. O acesso inguinal apresenta maior risco em comparação aos acessos jugular e subclávio, devido à alta densidade bacteriana na região femoral (Siqueira et al., 2011). O CVC é utilizado para múltiplas finalidades, como administração de medicamentos, nutrição parenteral, monitorização hemodinâmica e realização de terapias como hemodiálise e quimioterapia (Oliveira et al., 2015). Os principais patógenos causadores das IPCS incluem Staphylococcus spp., Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter spp. e Pseudomonas aeruginosa, podendo também envolver fungos (Ramalho et al., 2024). A qualidade da assistência está diretamente relacionada à segurança do paciente, e a maioria das IRAS decorre de falhas nos procedimentos, sendo frequentemente transmitidas pelas mãos dos profissionais ou por materiais contaminados. A higiene das mãos é, portanto, uma das medidas mais eficazes na prevenção da IPCS (Lima et al., 2023). A equipe de enfermagem possui papel central na cadeia de transmissão, especialmente pela não adesão a protocolos institucionais. Os principais desafios para a prevenção da IPCS incluem: higienização inadequada das mãos, baixa adesão aos bundles, déficit de pessoal, alta demanda de pacientes e falhas na manutenção asséptica dos cateteres (Souza; Silva, 2021). Entre as estratégias preventivas destacam-se: higienização correta das mãos, desinfecção dos conectores com álcool 70% por 15 segundos e avaliação diária do sítio de inserção, medidas que devem ser reforçadas dentro de uma cultura institucional de segurança do paciente (Silva et al., 2023). A IPCS está presente de forma recorrente nas UTIN, e sua prevenção depende de práticas rigorosas e contínuas da equipe de saúde.
Conclusão: A incidência de IRAS em neonatos está associada ao uso prolongado e à colonização de cateteres por microrganismos, agravada por falhas na higiene das mãos. A vigilância contínua e o foco na prevenção são essenciais, especialmente por parte da enfermagem. A qualificação técnica e científica permanente dos profissionais é fundamental, considerando o dinamismo das instituições e a complexidade do cuidado neonatal. A prevenção da IPCS exige vigilância, educação permanente e deve ser incorporada nas políticas públicas voltadas à segurança do paciente, com o objetivo de minimizar riscos e promover qualidade de vida.
Referências:
DA SILVA, K. C. L. et al. Infecção da corrente sanguínea.... 2023. Disponível em: https://repositorio.pucgoias.edu.br/.... Acesso em: 21 ago. 2025.
DA SILVA ROQUE, T. et al. Infecções primárias de corrente sanguínea.... Res. Soc. Dev., v.11, n.12, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/.... Acesso em: 21 ago. 2025.
SANTOS, R. P. et al. Prevalência de infecção hospitalar.... Rev. enferm. UFSM, p. 410-418, 2014. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/.... Acesso em: 21 ago. 2025.
DA CRUZ, M. R. et al. Fatores de risco em UTI neonatal. Saúde & Ciênc. em Ação, v.6, n.2, p.1-15, 2020. Disponível em: https://revistas.unifan.edu.br/.... Acesso em: 21 ago. 2025.
LIMA, K. M. S. et al. Adesão ao bundle em enfermagem. Rev. Enferm. Contemp., v.12, 2023. Disponível em: https://journals.bahiana.edu.br/.... Acesso em: 21 ago. 2025.
RAMALHO, M. et al. Papel da enfermagem na prevenção de infecção. Rev. Cient. Interd. FIJ, v.1, n.1, p.79-89, 2024.
SIQUEIRA, G. L. G. et al. Infecção por CVC: veias subclávia vs jugular. J. Vasc. Bras., v.10, n.3, p.211-216, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/.... Acesso em: 21 ago. 2025.
OLIVEIRA, F. J. G. et al. Indicadores na prevenção de infecção. Texto Contexto Enferm., v.24, p.1018-1026, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/.... Acesso em: 21 ago. 2025.
SOUZA, R. S.; SILVA, A. D. A. E. Atuação do enfermeiro na prevenção de infecção. Rev. Multidisc. Saúde, v.2, n.4, p.74, 2021. DOI: 10.51161/rems/2506. Acesso em: 21 ago. 2025.