![]() | |
|---|---|
![]() | |
| ANSIEDADE E FITOTERÁPICOS: REALIDADE EM UM CURSO UNIVERSITÁRIO | |
| 1ÉLEN CAROLINE DA SILVA, 2SABRINA GABRIELLI ROOS, 3LUCIANA PELLIZZARO | |
| 1Acadêmica do Curso de Farmácia da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Farmácia da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: Os acadêmicos mais atingidos pelos sintomas ansiosos são os da área da saúde devido a vários fatores como: preocupação de errar, convívio com o sofrimento psíquico, atendimento ao ser humano, vivência da prática clínica e observação constante dos instrutores na prática (Jardim et al., 2020). Diante disso, é comum que estudantes busquem tratamento e alguns deles optem pelos fitoterápicos. A fitoterapia para ansiedade é conhecida por apresentar menos efeitos colaterais e dependência química e menor preço quando comparada com medicamentos convencionais (Oliveira et al., 2020) e tem como principais representantes Passiflora incarnata (maracujá), Valeriana officinalis (valeriana), Piper methysticum (kava-kava) e Matricaria recutita (camomila) (Silva et al., 2020.) Quando há o uso concomitante de fitoterápico para ansiedade com outro medicamento podem ocorrer interações diversas (Neves, 2019). O conhecimento sobre essa questão geralmente é obtido pelos acadêmicos da saúde ao longo dos cursos. Objetivo: Caracterizar o uso de fitoterápicos para ansiedade por acadêmicos de um curso da área da saúde e comparar o conhecimento entre iniciantes e concluintes. Material e Métodos: A amostra foi composta por 23 acadêmicos ingressantes e 26 concluintes. Os dados foram coletados em sala de aula, em junho de 2025. Para tanto, cada acadêmicomaior de 18 anos que concordou com a pesquisa, respondeu a um questionário contendo questões abertas e fechadas. A pesquisa foi previamente aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Paranaense (Parecer nº 7.621.630, 06/06/2025). Resultados: Dentre os participantes, 34 eram ansiosos; dentre eles, 25 autodeclararam sua ansiedade. Os sintomas ansiosos citados incluíram: excesso de pensamentos, seguido de preocupação excessiva, tensão/nervosismo, dificuldade de concentração, dor ou sensação de aperto no peito, inquietação/agitação e respiração ofegante ou falta de ar. O uso de fitoterápicos foi relatado por nove acadêmicos - cinco ingressantes e quatro concluintes - e todos declararam o tratamento eficaz. P. incarnata (n=6) e V. officinalis (n=2) foram os mais citados, cuja indicação fora feita por farmacêuticos para cinco dos usuários. A maioria (n=48) dos participantes acredita que o uso deve ser orientado por profissional da saúde e que há interações entre os fármacos, porém, ao precisarem citar as possíveis interações, três acadêmicos concluintes o fizeram. Discussão: Outras pesquisas feitas sobre o uso de fitoterápicos para ansiedade mostram resultados semelhantes: Para Silva et al. (2020) 13,30% dos estudantes não possuíam ansiedade, 41% eram diagnosticados e a maioria dos sintomas ansiosos eram similares aos do presente estudo; Cotta e Garcia (2024) obtiveram P. incarnata como fitoterápico mais utilizado e Faria et al. (2017) concluíram que a maioria acreditava no poder curativo desses medicamentos; no estudo de Meotti et al. (2020), pouco mais de um quarto da amostra utilizava fitoterápicos, a maioria dela por automedicação (69%); Franca et al. (2021) constatou que quase 50% acreditava ser seguro utilizar plantas medicinais com outra terapia. As exemplificações citadas neste estudo pelos acadêmicos são válidas, pois P. incarnata inibe a enzima monoaminoxidase (Ferreira, 2019) e o cloridrato de sertralina apresenta interação com os inibidores dessa mesma enzima, assim, seu uso concomitante deve ser evitado (Sertralina, 2025). H. perforatum é um IMAO (Borges et al., 2019) e o uso com sertralina pode acarretar síndrome serotoninérgica (Neves, 2019), assim como P. methysticum associado com IMAO pode gerar efeitos tóxicos (Carneiro; Comarella, 2016) e V. officinalis com sertralina causar desconforto gástrico, sonolência, dificuldade de concentração, tontura e confusão (Imbrioli, 2025). Embora a minoria dos acadêmicos exemplificou interações, seu conhecimento possivelmente foi adquirido ao decorrer da graduação, com base em Iukava et al. (2021) ao apontarem que 95,70% dos estudantes aprenderam a utilizar plantas medicinais no curso de Farmácia. Conclusão: A maioria dos acadêmicos autodeclaram ter ansiedade, não sendo esse um diagnóstico seguro. Excesso de pensamento e preocupação excessiva foram sintomas prevalentes. Cerca de um quarto dos ansiosos usavam fitoterápicos, sendo eles similarmente distribuídos entre iniciantes e concluintes, apontando fatores causais comuns em ambos os períodos. Ter o tratamento como eficaz, reforça a ideia que os fitoterápicos, sempre que possível, podem ser usados em lugar dos medicamentos convencionais. Quanto à interação, sugerem-se mais ações para reforçar o conhecimento, principalmente dos concluintes. |
|
| Referências: BORGES, N. B. et al. Características farmacológicas dos fitoterápicos Hypericum perforatum e Piper methysticum no tratamento de transtornos depressivos e ansiedade. BJSCR, v. 27, n. 3, 2019. CARNEIRO, A. L. C.; COMARELLA, L. Principais interações entre plantas medicinais e medicamentos. Rev. Saúde e Desenvolvimento, v. 9, n. 5, 2016. COTTA, B. A.; GARCIA, R. M. A. Os benefícios do uso das plantas medicinais e fitoterápicos no tratamento da ansiedade em universitários no Brasil. Rev. Fitos, v. 18, n. 1, 2024. FARIA, A. M. B. et al. Fitoterapia entre acadêmicos das ciências da vida. Rev. Saúde e Desenvolvimento, v. 11, n. 9, 2017. FERREIRA, F. S. Interações medicamentosas de fitoterápicos utilizados no tratamento da insônia: uma breve revisão. Rev. Visão Acadêmica, v. 20, n. 3, 2019. FRANCA, M. A. et al. O uso da fitoterapia e suas implicações. BJHR, v. 4, n. 5, 2021. IMBRIOLI, M. D. Utilização do antidepressivo sertralina associado a Valeriana officinalis para o tratamento dos sintomas de ansiedade em paciente jovem masculino e o convívio com amigos próximos. Even3 Public., 2025. IUKAVA, L. K. et al. Avaliação do conhecimento de acadêmicos de Farmácia sobre plantas medicinais e fitoterápicos. Arch. Health Investig., v. 10, n. 7, 2021. JARDIM, M. G. L. et al. Sintomatologia depressiva, estresse e ansiedade em universitários. Psico-USF, v. 25, n. 4, 2020. MEOTTI, F. L. et al. Avaliação do uso de fitoterápicos por acadêmicos de farmácia da Unidade Universitária Paranaense de Francisco Beltrão,PR- Brasil. Rev., Soc. Dev., v. 9, n. 11, 2020. NEVES, T. O. Principais interações entre medicamentos e as plantas medicinais e/ou fitoterápicos. TCC (Graduação Farmácia) - Universidade de Uberaba,2019. OLIVEIRA, L.M. et al. Uso da Passiflora incarnata L. no tratamento alternativo do transtorno de ansiedade generalizada. Rev., Soc. Dev., v. 9, n. 11., 2020. SERTRALINA: Cloridrato de Sertralina. Anápolis: Geolab Farmacêutica, 2025. Bula de Remédio. SILVA, A. L. S. et al. Uso de plantas medicinais no tratamento de ansiedade no ambiente acadêmico. Braz. J. Nat. Sci. , v. 3, n. 3, 2020. |
|