DOENÇA DE PARKINSON: ANATOMIA, FISIOPATOLOGIA E MÉTODOS DIAGNÓSTICOS
1ALANNE MAIA SANTANA, 2RAFAEL DE SOUZA RIBEIRO, 3NATALIA SILVA FURLAN, 4KAUANY PONCE RISSATO, 5LAINY LEINY DE LIMA
1Discente Curso de Medicina UNIPAR
2Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
3Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
4Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente do Curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: A Doença de Parkinson (DP) ou mal de Parkinson é uma patologia de origem neurológica, degenerativa de uma região conhecida como substância negra no sistema nervoso central, apresenta-se de forma crônica e progressiva, devido à diminuição do neurotransmissor dopamina nos gânglios da base (Silva et al., 2021). A maioria dos casos são idiopáticos (aproximadamente 80% dos pacientes), mas existem fatores etiológicos genéticos e ambientais conhecidos, como a exposição a pesticidas e metais pesados, entre outros (Garcia et al., 2020). O diagnóstico da DP é inicialmente feito com base na história clínica e no exame físico, sendo levado em consideração os sintomas motores e não motores, bem como o histórico familiar, uma vez que a probabilidade de manifestação da doença aumenta significativamente em pessoas com parentes de primeiro grau diagnosticados com a condição (Couto et al., 2023).
Objetivo: Analisar os principais aspectos anatômicos e fisiológicos envolvidos na DP e apresentar os critérios e métodos utilizados para seu diagnóstico clínico.
Desenvolvimento: A DP é mais comum em pessoas acima dos 65 anos e envolve fatores de risco genéticos, ambientais, comórbidos, dietéticos e relacionados ao uso de medicamentos (Garcia, 2020; Couto et al., 2023). Na fisiopatologia da DP, há degeneração dos neurônios com neuromelanina no tronco encefálico, especialmente dos que contêm dopamina na parte compacta da substância negra e norepinefrina no locus cerúleo (Silva et al.,2021). A perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra compromete a atividade da alça frontoestriatal, levando à disfunção do lobo frontal. Uma das principais manifestações da DP é a flutuação cognitiva, caracterizada por variações na atenção e no nível de consciência, podendo incluir episódios de desatenção, confusão mental, pensamento desorganizado, letargia e sonolência diurna excessiva (Parmera, et al., 2022). Os critérios diagnósticos da Sociedade de Transtornos do Movimento (MDS) de 2015 mantém o parkinsonismo motor como a característica central da doença. A bradicinesia é definida como lentidão do movimento e diminuição na amplitude ou velocidade à medida que os movimentos continuam. A rigidez é a resistência em “tubo de chumbo” ou independente da velocidade do movimento passivo (diferente da espasticidade ou paratonia) (Fox et al.,2018). Tremor de repouso (4–6 Hz) ocorre com o membro parado e desaparece com o movimento. Pode haver micrografia, disartria e marcha parkinsoniana com passos curtos, arrastados e freezing (Garcia, 2020). Entre as manifestações não-motoras, destacam-se as anormalidades sensoriais, como o comprometimento olfatório (hiposmia), presente em cerca de 90% dos pacientes. Alterações visuais também são comuns, incluindo insuficiência de convergência, xeroftalmia, redução da acuidade visual e blefarite. A dor pode se apresentar de forma musculoesquelética, neuropática ou radicular, estando muitas vezes relacionada à distonia e ao desconforto causado por acatisia. Além disso, é possível observar sintomas como depressão, ansiedade, apatia, alterações cognitivas, alucinações e demência (Couto et al.,2023). Os distúrbios do sono também são frequentes, manifestando-se por insônia, sonolência diurna excessiva, síndrome das pernas inquietas, movimentos periódicos dos membros durante o sono e distúrbio comportamental do sono (Ferreira et al., 2022). A gravidade e a progressão dos sintomas variam de acordo com o paciente e a prevenção primária não é possível devido à ausência de marcadores biológicos ou fatores de risco identificáveis (Garcia, 2020). Embora sejam utilizados apenas para fins científicos, existem marcadores genéticos que podem ser empregados, pois não existe um tratamento específico capaz de alterar a história natural da doença. Dentre os principais genes que se tem estudo na população brasileira destacam-se: LRRK2, PARKIN, PINK1, ATP13A2 e mutações na glucocerebrosidade (GBA) (Silva, 2016). O conhecimento genético aprofundado nessa área poderá constituir avanços terapêuticos e melhorar, futuramente, a condução médica da doença (Chein, 2007). A prevenção secundária (pós diagnóstico) busca reduzir a taxa de progressão da doença, tentando previnir a morte neuronal, entretanto, possui grande variabilidade de resposta entre os pacientes e não se dispõe, até o momento, de teste diagnóstico para essa doença (Rangel, et al., 2024).
Conclusão: A DP é um distúrbio neurodegenerativo progressivo que afeta estruturas essenciais do sistema nervoso central, especialmente os núcleos da base. Suas manifestações clínicas resultam da perda funcional de circuitos dopaminérgicos, refletindo a íntima relação entre anatomia e fisiologia cerebral. O diagnóstico ainda é predominantemente clínico, baseado em critérios bem estabelecidos, como os da Sociedade de Transtornos do Movimento. A compreensão dos mecanismos envolvidos na doença e o reconhecimento precoce de seus sinais são fundamentais para melhorar o manejo e a qualidade de vida dos pacientes.  
Referências:
COUTO, Letícia Casalli et al. Doença de Parkinson: epidemiologia, manifestações clínicas, fatores de risco, diagnóstico e tratamento. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 4, p. 18331-18342, jul./ago. 2023.
CHIEN, H. F. Estudo genético da Doença de Parkinson. 2007. Dissertação (Doutorado) - Programa de Neurologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.
FERREIRA, Dárgila Victória Almeida et al. Características clínicas e distúrbios motores encontrados em pacientes com a Doença de Parkinson: revisão integrativa da literatura. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 8, n. 11, p. 3055-3077, nov. 2022.
FOX, Susan H. et al. International Parkinson and movement disorder society evidence‐based medicine review: update on treatments for the motor symptoms of Parkinsonʻs disease. Movement Disorders, Hoboken, v. 33, n. 8, p. 1248-1266, ago. 2018.
GARCÍA, Pedro Luis Rodríguez. Diagnóstico y tratamiento médico de la enfermedad de Parkinson. Revista Cubana de Neurología y Neurocirugía, Ciudad de La Habana, v. 10, n. 1, 2020.
PARMERA, Jacy Bezerra et al. Diagnóstico e manejo da demência da doença de Parkinson e demência com corpos de Lewy: recomendações do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. Dementia & Neuropsychologia, São Paulo, v. 16, n. 3, p. 73-87, set. 2022.
RANGEL, Letícia Pedra Ferreira de Vasconcelos et al. Diagnóstico e tratamento da Doença de Parkinson: uma revisão de literatura. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica, v. 3, n. 2, p. 1536-1543, 2024.
SILVA, Ana Beatriz Gomes et al. Doença de Parkinson: revisão de literatura. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 7, n. 5, p. 47677-47698, maio 2021.
SILVA, Raquel Silveira Jesuino. Análise genética em uma amostra de pacientes brasileiros portadores de doença de Parkinson: estudo de mutações no gene LRRK2. 2016. Tese (Doutorado) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016. p. 18-20.