EXERCÍCIO FÍSICO E NEUROPLASTICIDADE: UMA RELAÇÃO INDISPENSÁVEL  
1RAFAEL DE SOUZA RIBEIRO, 2ALANNE MAIA SANTANA, 3KAUANY PONCE RISSATO, 4NATALIA SILVA FURLAN, 5LAINY LEINY DE LIMA
1Discente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
2Discente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
3Discente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
4Discente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
5Docente do curso de Medicina da Universidade Paranaense - UNIPAR
Introdução: A neuroplasticidade é, por definição, a capacidade do cérebro de se adaptar e se modificar estrutural e funcionalmente ao longo do tempo, as mudanças na demanda alteram suas propriedades permitindo a aquisição de novas habilidades e aprendizagem (Hötting; Röder, 2013). Nesse viés, pesquisas recentes têm demonstrado que exercícios físicos possuem uma relação importante com essa manutenção cerebral, promovendo efeitos benéficos na função cognitiva, na memória, na aprendizagem espacial e até auxiliam na melhora de muitas doenças neurológicas (Hamilton; Rhodes, 2015; Cassilhas; Tufik; De Mello, 2016).
Objetivo: Analisar, por meio de revisão de literatura, os efeitos da atividade física sobre a neuroplasticidade.
Desenvolvimento: Estudos realizados em humanos e animais observaram que a atividade física promove um aumento da neurogênese, sinaptogênese, angiogênese e na liberação de neurotrofinas, mecanismos neurais que medeiam e facilitam a neuroplasticidade de estruturas cerebrais e, consequentemente, melhoram a função cognitiva do indivíduo (Hötting; Röder, 2013). Segundo Chaddock et al. (2010), análises em roedores também indicaram que o exercício aeróbico está relacionado com a proliferação e sobrevivência das células hipocampais na fase adulta até a velhice, acarretando em uma melhora da memória hipocampo-dependente. Já em humanos, foi observado que idosos que praticaram atividades aeróbicas leves, como caminhadas de 40 minutos, uma vez por semana durante 6 meses, apresentaram um aumento de 2% no volume do hipocampo em comparação com adultos que não praticaram (Hamilton; Rhodes, 2015). Além disso, altos níveis de capacidade aeróbica estão associados à maior eficácia no emprego de processos de codificação e recuperação de material relacional sugerindo que, crianças de 9 a 10 anos em boa forma física podem apresentar maiores habilidades de controle executivo e uso flexível da memória do que as que não estão (Chaddock et al., 2010). No entanto, evidências mostram que, enquanto a memória relacional está associada ao hipocampo e ao córtex para-hipocampal posterior, a região responsável pelo reconhecimento de itens é o córtex perirrinal, estabelecendo uma diferença qualitativa quanto às suas áreas de ativação de codificação (Brassen et al., 2006). Por outro lado, o hipocampo também possui papel fundamental no processo de aprendizagem, pois a corrida voluntária em roda com animais mostrou um aumento na concentração de diversos fatores de crescimento e tróficos que muito possivelmente contribuem para as alterações cerebrais (Hamilton; Rhodes, 2015). O fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), por exemplo, é um membro da família das neurotrofinas suscetível à regulação pelo exercício e atua na sobrevivência, no crescimento e na manutenção dos neurônios durante o desenvolvimento, além de contribuir na modulação da plasticidade sináptica no cérebro adulto, sendo de suma importância no aprimoramento do aprendizado (Vaynman; Ying; Gomez-Pinilla, 2004). Ademais, idosos que exercem atividades físicas de lazer na meia-idade obtiveram uma chance de desenvolver a doença de Alzheimer 60% menor em comparação com seus pares sedentários, além de haver registros de que a prática de exercício físico foi eficaz na recuperação de um AVC durante um programa de seis meses com indivíduos também idosos que sofreram AVC crônico (Hamilton; Rhodes, 2015).
Conclusão: É amplamente reconhecido que a busca por uma vida saudável está intimamente relacionada à prática regular de exercícios físicos. Evidências científicas demonstram que a plasticidade neural induzida por essas atividades, tanto em humanos quanto em modelos animais, favorece o aprimoramento do aprendizado espacial, das funções cognitivas e da memória, além de ter se mostrado um recurso promissor no tratamento de diversas doenças neurológicas, apresentando resultados clínicos positivos.
Referências:
BRASSEN, S. et al. Hippocampal–prefrontal encoding activation predicts whether words can be successfully recalled or only recognized. Behavioural brain research, v. 171, n. 2, p. 271-278, 2006.
CASSILHAS, R. C.; TUFIK, S.; DE MELLO, M. T.. Physical exercise, neuroplasticity, spatial learning and memory. Cellular and molecular life sciences, v. 73, n. 5, p. 975-983, 2016. 
CHADDOCK, L. et al. A neuroimaging investigation of the association between aerobic fitness, hippocampal volume, and memory performance in preadolescent children. Brain research, v. 1358, p. 172-183, 2010. 
HAMILTON, G. F.; RHODES, J. S. Exercise regulation of cognitive function and neuroplasticity in the healthy and diseased brain. Progress in Molecular Biology and Translational Science, v. 135, p. 381–406, 2015.
HÖTTING, K.; RÖDER, B. Beneficial effects of physical exercise on neuroplasticity and cognition. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 37, n. 9, p. 2243–2257, nov. 2013. 
VAYNMAN, Shoshanna; YING, Zhe; GOMEZ‐PINILLA, Fernando. Hippocampal BDNF mediates the efficacy of exercise on synaptic plasticity and cognition. European Journal of neuroscience, v. 20, n. 10, p. 2580-2590, 2004.