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| USO INDISCRIMINADO DE ZOLPIDEM: RISCOS E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS | |
| 1FÁBIO RONQUI DE SOUZA JUNIOR, 2LETICIA CHEQUIN CANONICO, 3YASMIN ROMANINI PIRES DE LIRAS, 4AMANDA CANALI, 5GEOVANA THOMAZ CORREA, 6GUILHERME NOGUEIRA DERENUSSON | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Segundo a OMS, cerca de 40% dos brasileiros apresentam distúrbios do sono, como insônia, causando fadiga e sonolência diurna. Esse transtorno, que aumenta com a idade, pode ser idiopático, psicofisiológico ou secundário a outras condições clínicas. Para seu manejo, utilizam-se intervenções farmacológicas. Nos últimos anos, o aumento significativo de distúrbios do sono fez com que os medicamentos sedativos se tornassem uma das principais estratégias terapêuticas, como por exemplo o zolpidem (hemitartarato de zolpizem), que é um hipnótico que pertencente à classe das imidazopiridinas, atuando nos centros de controle do sono de forma distinta dos antigos benzodiazepínicos (Simon et al., 2021). Objetivo: Analisar, por meio de uma revisão bibliográfica, os principais riscos e implicações clínicas do uso indiscriminado de zolpidem, sintetizando evidências sobre potencial de depêndencia e manifestações de abstinência, bem como efeitos adversos neuropsiquiátricos – incluindo alucinações e possível aumento do risco de comportamento suicida. Desenvolvimento: O zolpidem é um hipnótico não-benzodiazepínico da classe das imidazopiridinas amplamente utilizado para o tratamento de insônia. Sua ação farmacológica atua de forma seletiva nos receptores α1 (denominadas historicamente sítio ω1) do receptor GABA-A, oferecendo um potencial terapêutico para restaurar a função cerebral em pacientes com diversos distúrbios neurológicos (Bomalaski et al., 2017). No entanto, seu consumo irregular ou a prescrição em doses elevadas constitui um risco significativo à saúde (Figueiró et al., 2024). Apesar de, em doses terapêuticas, o zolpidem apresentar vantagem em termos de latência de sono e perfil sedativo, a literatura relata eventos adversos neuropsiquiátricos; incluindo alucinações, amnésia anterógrada, comportamentos complexos durante o sono e relatos de euforia, especialmente quando há uso prolongado, escalonamento de dose ou formas desviadas de administração. Embora o zolpidem apresente menor risco de tolerância quando comparado aos benzodiazepínicos, seu uso sem critério pode causar dependência farmacológica, sintomas significativos de abstinência e complicações clínicas que exigem acompanhamento psiquiátrico especializado, especialmente em pacientes com histórico prévio de dependência (Figueiró et al., 2024). Um exemplo foi relatado por Moshfeghinia et al. (2023), no qual uma paciente de 39 anos, após utilizar em média 6000 mg diários de Zolpidem por aproximadamente 10 anos, apresentou tremores corporais, nistagmo, ansiedade, estresse, sudorese e sensação súbita de calor, mesmo após a suspensão da medicação. Ademais, os riscos de suicídio são significativamente aumentados, estando relacionados com efeitos adversos do fármaco, como alucinações auditivas, que podem conduzir o paciente a um atentado contra a própria vida, segundo Khan et al. (2022). Esse risco é exemplificado por Brady e Cunningham (2021), que expuseram o caso de um homem sem histórico psiquiátrico prévio. Ele passou a apresentar, com o uso de Zolpidem, sonambulismo e compulsão alimentar, além de ter admitido ter autoinfligido um ferimento por arma de fogo na cabeça após uma dose da droga. Por fim, segundo Schifano et al., (2019), o uso inadequado de zolpidem é mais comum entre jovens, mas deixa claro que idosos também representam um grupo de risco relevante devido à maior prescrição de sedativos com o avanço da idade. Além disso, a maioria dos casos de intoxicação aguda de zolpidem encontram-se relacionados ao consumo simultâneo de outros medicamentos ou outras drogas recreativas, como álcool, cocaína, anfetaminas e cannabis, podendo haver uma potencialização dos efeitos e depressão do Sistema Nervoso Central. Conclusão: Dessa forma, o uso indiscriminado de zolpidem, embora eficaz no tratamento da insônia, apresenta diversos riscos clínicos significativos, Além disso, seu uso inadequado está associado a prejuízos na coordenação motora e cognitiva, elevando a probabilidade de quedas e acidentes, especialmente em populações vulneráveis. A revisão destaca a necessidade urgente de uma prescrição criteriosa, monitoramento contínuo e abordagem multidisciplinar, envolvendo profissionais médicos e psiquiátricos, para prevenir complicações físicas e psicológicas graves, garantindo a segurança e o bem-estar dos pacientes que utilizam esse fármaco. |
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| Referências: BOMALASKI, M. N. et al. Zolpidem for the treatment of neurologic disorders: a systematic review. JAMA Neurology, [S.l.], v. 74, n. 9, p. 1130–1139, set. 2017. BRADY, M.; CUNNINGHAM, M. G. Impetuous suicidality with zolpidem use: a case report and minireview. Sleep Medicine, [S.l.], v. 81, p. 154–157, maio 2021. FIGUEIRÓ, L. A. P. et al. Principais riscos do abuso e dependência de zolpidem em pacientes com insônia. Research, Society and Development, [S.l.], v. 13, n. 5, 2024. KHAN, H. et al. Zolpidem use and risk of suicide: A systematic review and meta-analysis. Psychiatry Research, [S.l.], v. 316, p. 114777, out. 2022. SCHIFANO, F. et al. An insight into Z-drug abuse and dependence: An examination of reports to the European medicines agency database of suspected adverse drug reactions. The International Journal of Neuropsychopharmacology, v. 22, n. 4, p. 270–277, 2019. SIMON, K. C. et al. Zolpidem maintains memories for negative emotions across a night of sleep. Affective Science, [S.l.], v. 2, n. 4, p. 387–399, 2021. MOSHFEGHINIA, S. et al., Chronic zolpidem abuse: Clinical case study. Frontiers in Psychiatry, [S.l.], 2023. |
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