BASIDIOMICETOS COMO ALTERNATIVA PROMISSORA NO TRATAMENTO DA INFECÇÃO POR HPV  
1AMABILLY CRISTINA MARTIM, 2JOÃO FRANCISCO VELASQUEZ MATUMOTO, 3JULIANA SILVEIRA DO VALLE, 4MARIA GRACIELA IECHER FARIA NUNES
1Acadêmico PIC/UNIPAR
2Acadêmico do PIC/UNIPAR
3Docente da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A infecção por Papilomavírus Humano (HPV) ocorre, mais comumente, nas regiões genitais e na mucosa oral. Sua transmissão está diretamente relacionada ao ato sexual, com uma maior prevalência nos adultos jovens sexualmente ativos devido a falta de prevenção (Nakagawa et al., 2010). A infecção por esse vírus pode levar a cânceres em regiões como colo de útero, pênis, ânus e orofaringe, não existindo um medicamento específico para seu tratamento. Os fungos basidiomicetos são utilizados mundialmente devido aos benefícios relacionados à imunidade humana e além da sua capacidade antimicrobiana (Zhang; Ling, 2022). Os compostos ativos produzidos pelos cogumelos, como por exemplo, polissacarídeos, triterpenóides, compostos fenólicos e proteínas, vêm sendo estudados como alternativa promissora no tratamento de infecções virais, incluindo o HPV (Rahimi; Goli;  Khademi, 2024). 
Objetivo: Realizar um breve levantamento sobre as atividades biológicas dos fungos basidiomicetos contra o Papilomavírus Humano. 
Desenvolvimento: Rahimi, Goli e Khademi (2024) observaram em seu levantamento que compostos isolados de basidiomicetos podem diminuir lesões e até mesmo agir em casos onde a infecção já evoluiu para um câncer. Entre os basidiomicetos, um dos fungos estudados é Coriolus versicolor, que produz glicoproteínas conhecidas como PSK e PSP, quando usadas isoladamente ou em combinação com extratos de Ganoderma lucidum, aumentaram a eliminação do vírus em pacientes que são HPV positivos, apresentando resultados positivos tanto no tratamento de lesões cervicais, quanto em lesões orais (Rokos et al., 2023). Outro exemplo é o uso de micélio de Lentinula edodes, que foi administrado por pelo menos seis meses e atingiu uma taxa de eliminação bem-sucedida de 60% de infecções por HPV em mulheres (Tito et al., 2021). Além dos estudos citados, em um ensaio clínico utilizando cápsulas contendo corpos de frutificação de Trametes versicolor e G. lucidum em pó, foram administrados em  pacientes com HPV oral, encontrando uma melhora de 87,8% dos pacientes tratados (Zhang; Ling, 2022). Criscuolo et al. (2021) também realizaram um ensaio clínico utilizando um gel vaginal à base de T. versicolor que combina ingredientes com propriedades conhecidas, como hidratação, regeneração de tecidos e equilíbrio da microbiota vaginal, reepitelização melhorada e a restauração da microbiota vaginal. A combinação de T. versicolor e extrato de nim demonstrou a capacidade de indução de resposta imune local in vitro e em modelos animais, diminuindo a ação oncogênica do HPV. Dessa forma, o tratamento realizado demonstrou um grande benefício na clínica de pacientes HPV-positivos, além da melhora significativa no tratamento de lesões cervicais de baixo grau associadas ao HPV, se provando como uma tendência positiva no aumento da depuração do HPV. Ademais, apresenta boa segurança e tolerabilidade, além da clara melhora na reepitelização cervical, tendência positiva na redução do estresse e alta adesão terapêutica.
Conclusão: Os basidiomicetos têm demonstrado um potencial significativo no tratamento e controle de infecções causadas pelo HPV,  que ainda não possui tratamento específico. Estudos clínicos e experimentais confirmam a eficácia dos basidiomicetos, tanto na modulação do sistema imunológico, na regulação da apoptose celular e na inibição da expressão gênica viral, observada como medida preventiva e no tratamento de lesões associadas ao HPV. Portanto, diante de tais resultados, se faz necessário que mais estudos sejam realizados para consolidar o uso destes fungos como abordagem complementar ao tratamento convencional de infecções causadas pelo HPV. 
Referências:
CRISCUOLO, AA, et al. Therapeutic Efficacy of a Coriolus versicolor-Based Vaginal Gel in Women with Cervical Uterine High-Risk HPV Infection: A Retrospective Observational Study. Advances in Therapy 38, 1202–1211 (2021).
FERNANDES, Tito et al. Mushroom nutrition as preventative healthcare in Sub-Saharan Africa. Applied Sciences, v. 11, n. 9, p. 4221, 2021.
NAKAGAWA, Janete Tamani Tomiyoshi; SCHIRMER, Janine; BARBIERI, Márcia. Papilomavírus humano (HPV) e câncer cervical uterino. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 63, p. 307–311, 2010.
RAHIMI, Farzaneh; GOLI, Shadi; KHADEMI, Nasim. Investigation of the Effect of Complementary Medicine on Infection and Cancer in Human Papillomavirus (HPV): A Systematic Review. Complementary Medicine Journal, v. 14, n. 3, p. 67-86, 2024.
ROKOS, Tomas et al. Exploring the bioactive mycocompounds (fungal compounds) of  selected medicinal mushrooms and their potentials against HPV infection and associated cancer in humans. Life, v. 13, n. 1, p. 244, 2023.
ZHANG, Yu; ZHANG, Guoying; LING, Jianya. Medicinal mushrooms with antiviral effects. Molecules, v. 27, n. 14, p. 4457, 2022