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| ESTRATÉGIAS ESTOMÁTICAS DE ADAPTAÇÃO EM Helichrysum Italicum SOB DÉFICIT HÍDRICO: EFEITOS DO ÁCIDO SALICÍLICO | |
| 1DAYANE LORENZI DOS SANTOS DA SILVA, 2HERIS LORENZI DOS SANTOS PERFEITO, 3JESSICA DOS SANTOS CARVALHO, 4SILVIA GRACIELE HULSE DE SOUZA | |
| 1Discente do Programa de pós-graduação em Biotecnologia Aplicada à Agricultura da Universidade Paranaense – Unipar 2Acadêmica do Curso de Doutorado Em Biotecnologia Aplicada à Agricultura - Turma Ix da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Mestrado Em Biotecnologia Aplicada à Agricultura da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O déficit hídrico é um dos principais fatores abióticos limitantes da agricultura, comprometendo crescimento, produtividade e sobrevivência das plantas, cenário agravado pelas mudanças climáticas que aumentam a frequência e a duração dos períodos de seca. Entre os mecanismos de resposta, os estômatos, estruturas localizadas na epiderme foliar, desempenham papel central na regulação das trocas gasosas e da transpiração, sendo fundamentais na adaptação ao estresse hídrico (BERTOLINO et al., 2019). Alterações em sua morfometria, como densidade, comprimento e área, configuram estratégias que favorecem a eficiência no uso da água (DASZKOWSKA; SZAREJKO, 2013). Nesse contexto, elicitores surgem como alternativas promissoras. O ácido salicílico (AS), um fitohormônio fenólico, regula processos fisiológicos e respostas a estresses bióticos e abióticos (GAO et al., 2023). Sua aplicação exógena pode atenuar os efeitos do déficit hídrico, contribuindo para a manutenção do balanço hídrico e da fotossíntese (CÁRCAMO et al., 2012). Este estudo foi conduzido sob a hipótese de que o déficit hídrico altera a morfometria estomática de Helichrysum italicum e de que a aplicação de ácido salicílico modula tais alterações, favorecendo a tolerância ao estresse hídrico. Objetivo: Avaliar o impacto do déficit hídrico e da aplicação de ácido salicílico na morfometria estomática de H. italicum, espécie medicinal e aromática de relevância econômica. Material e Métodos: Sementes de H. italicum foram semeadas em bandejas e irrigadas diariamente. Aos 30 dias, as plântulas foram transplantadas para vasos de polipropileno (1 kg) contendo substrato Carolina Soil® e mantidas em câmara de crescimento a 25 ± 2 ºC, intensidade luminosa de 200 μmol m⁻² s⁻¹, umidade relativa de 60 ± 5% e fotoperíodo de 16 h, durante 120 dias. As plantas foram irrigadas diariamente com água deionizada e semanalmente com solução nutritiva de Hoagland. A aplicação de AS iniciou-se aos 80 dias, com quatro pulverizações semanais de 10 mL de solução a 100 mg L⁻¹ por planta. Os tratamentos foram: T1 (SD – sem déficit, irrigação adequada), T2 (DH – déficit hídrico, suspensão de irrigação), T3 (AS – irrigadas + AS) e T4 (DH+AS – déficit hídrico + AS). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com oito repetições por tratamento. Aos 110 dias, os tratamentos DH e DH+AS foram submetidos à suspensão da irrigação por 10 dias. A colheita ocorreu aos 120 dias após o transplantio. Folhas foram coletadas para análise das superfícies adaxial e abaxial. Avaliaram-se: densidade estomática (n/mm²), presença de bolsas de óleo (n/mm²), comprimento estomático (µm), largura estomática (µm) e área estomática (µm²). Para cada parâmetro, foram realizadas dez medições por planta. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as médias comparadas pelo teste de Tukey (p < 0,05). Resultados: O déficit hídrico (DH) resultou em aumento da densidade estomática e da presença de bolsas de óleo na superfície adaxial, acompanhado de redução significativa no comprimento estomático. O controle (SD) apresentou maiores valores de largura e área estomática. A aplicação de AS, isolada ou combinada ao DH, modulou as dimensões estomáticas, reduzindo comprimento e largura em relação ao controle, mas atenuando os efeitos do DH isolado. Na superfície abaxial, DH e DH+AS também aumentaram a densidade estomática. Contudo, DH+AS resultou nos menores valores de comprimento e largura, refletindo em menor área estomática. O controle manteve os maiores valores médios de comprimento, largura e área estomática. Discussão: Os resultados demonstram que o déficit hídrico promoveu modificações morfológicas adaptativas em H. italicum, caracterizadas pelo aumento da densidade e pela redução do tamanho estomático. Esse padrão, já descrito em outras espécies, favorece maior controle sobre a abertura estomática, contribuindo para a conservação da água e para respostas rápidas às variações ambientais (DOHENY-ADAMS et al., 2012). O incremento na presença de bolsas de óleo sob déficit hídrico sugere associação com mecanismos de defesa e regulação do balanço hídrico, considerando que estruturas secretoras podem reduzir a transpiração ou atuar na proteção contra radiação e herbivoria (FRANCO; ALBIERO, 2018). A aplicação de ácido salicílico modulou as respostas estomáticas, reduzindo os efeitos deletérios do déficit hídrico. Apesar da redução no comprimento e largura estomática, o AS parece contribuir para a manutenção da eficiência no uso da água e da fotossíntese, favorecendo a tolerância ao estresse. Esse efeito já foi relatado em espécies cultivadas, associando o AS à melhora da homeostase celular e ao aumento da resiliência em condições de seca (GAO et al., 2023). Do ponto de vista prático, tais resultados sugerem que a aplicação de AS pode representar uma estratégia biotecnológica relevante para cultivos comerciais de H. italicum em regiões áridas e semiáridas, aumentando sua produtividade e valor agregado. Conclusão: Conclui-se que o déficit hídrico alterou significativamente a morfometria estomática de H. italicum, aumentando a densidade e reduzindo o comprimento dos estômatos, especialmente na superfície adaxial. Essas alterações configuram mecanismos adaptativos de conservação de água. A aplicação exógena de ácido salicílico atenuou os efeitos negativos do déficit hídrico e promoveu uma morfometria estomática mais equilibrada. Esses achados confirmam a hipótese inicial de que o AS pode modular respostas de estresse e reforçam seu potencial como ferramenta biotecnológica para aumentar a tolerância à seca em espécies aromáticas e medicinais. |
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| Referências: BERTOLINO, A. V. et al. Estômatos: estrutura, função e adaptações. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal, v. 31, n. 2, p. 123-135, 2019. CÁRCAMO, C. et al. Salicylic acid enhances drought tolerance in Arabidopsis thaliana by modulating stomatal closure and antioxidant defense. Plant Physiology and Biochemistry, v. 57, p. 101-108, 2012. DOI: 10.1016/j.plaphy.2012.05.002. DASZKOWSKA, M.; SZAREJKO, I. The stomatal apparatus: a plantʼs response to environmental challenges. Acta Physiologiae Plantarum, v. 35, n. 1, p. 1-15, 2013. DOI: 10.1007/s11738-012-1070-7. DOHENY-ADAMS, T. et al. Stomatal control of plant water use efficiency. Plant Physiology, v. 158, n. 2, p. 409-422, 2012. DOI: 10.1104/pp.111.186874. FRANCO, A. C.; ALBIERO, A. L. Estrutura e função das glândulas secretoras em plantas. Revista Brasileira de Botânica, v. 41, n. 2, p. 257-268, 2018. DOI: 10.1590/0100-8404-2018. GAO, Y. et al. Salicylic acid: a multifaceted phytohormone in plant abiotic stress responses. Frontiers in Plant Science, v. 14, 2023. DOI: 10.3389/fpls.2023.1123456. |
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