DESAFIOS DA RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA NO CONTEXTO HOSPITALAR  
1ANA PAULA MELLO DE ALMEIDA, 2EMANUELA ATÍLIA DAHMER SCHRADER, 3ANA LIGIA GARCIA, 4GABRIELLI GIRARDI, 5JOLANA CRISTINA CAVALHEIRI
1Acadêmico do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A unidade de terapia intensiva (UTI) é considerada um espaço propício para disseminação de bactérias, uma vez que é responsável por atender pacientes fragilizados imunologicamente com grande periodicidade e em uso intensivo de dispositivos, como cateteres, sondas e ventiladores, facilitando a aquisição de infecções, principalmente as causadas por microrganismos multirresistentes (MDR) (LEITE et al.,2021). No que se refere aos patógenos multirresistentes, são classificados dessa maneira aqueles que possuem resistência a três ou mais classes de medicamentos. Deste modo, impactam negativamente no processo de tratamento dado que dificultam a terapêutica, sendo considerados um grave problema para a saúde pública (BRASIL,2021). 
Objetivo: Identificar, por meio de revisão bibliográfica, os desfechos clínicos, epidemiológicos e econômicos relacionados às infecções por bactérias multirresistentes.
Discussão: A resistência microbiana ocorre devido a um processo de mutação morfológica e funcional onde bactérias passam a desenvolver mecanismos capazes de inibir a ação dos antimicrobianos, isso decorre principalmente pelo uso excessivo destes medicamentos, aliado a conduta terapêutica errada, diagnósticos imprecisos e doses ineficazes (CARVALHO et al.,2021). Deste modo, infecções que anteriormente eram tratadas com relativa facilidade podem ser a causa de 10 milhões de mortes até 2050 (RIBEIRO et al.,2020). Além do impacto clínico, a propagação de MDR nos hospitais tem impacto direto sobre os custos em saúde e no tempo de internação, dado que exige o uso de terapias de suporte intensivo, medicamentos de largo espectro, aumento do tempo de hospitalização, o que diminui o fluxo de leitos e consequentemente encarece o cuidado (MELO et. al, 2025). Segundo Souza e colaboradores (2023) a assistência a pacientes que apresentam infecções por tais patógenos pode ficar até 70% mais onerosa do que para os que não desenvolvem tais condições. No que se refere a epidemiologia de MDR, à incidência de mortalidade em 2019 foi de cerca de 4,9 milhões de mortes no mundo, sendo que os países de baixa e média renda são os que mais sofreram o impacto (WHO, 2024). Ademais, essa quantia exorbitante de mortes derivada da elevada taxa de mortalidade que as MDR resultam. Segundo estudo realizado por Koch e colaboradores (2024), essa taxa é de 26,5% devido às infecções por gram-negativos multirresistentes e aumenta o tempo de internação hospitalar para uma média de 20,7 dias. Diante desse cenário, este tema está cada vez mais sendo discutido devido a sua crescente incidência. No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) elabora boletins epidemiológicos voltados para a análise dos microrganismos resistentes, em específico aos carbapenêmicos. No último levantamento foi avaliado isolados bacterianos referentes ao período de 2015 a 2022 dos grupos Enterobacterales, Complexo A. baumannii e P. aeruginosa. Nesta avaliação chegou-se ao total de 85 mil amostras que demonstraram uma resistência de até 95,8%, referente a MDR A. baumannii blaOXA-23. Com isso, ao analisar as resistências às combinações medicamentosas e aumento de genes específicos, o MS evidenciou sua preocupação com o potencial desses microrganismos se tornarem pan-resistentes, ou seja, microrganismos que não possuem opções de tratamento eficazes devido a falta de medicamentos (BRASIL, 2024). Além disso, com relação aos estudos de novos medicamentos em desenvolvimento, a OMS (2024) verificou 97 pesquisas em diferentes estágios de elaboração, porém destes somente 23 são específicos para os microrganismos de prioridade crítica da lista BPPL de 2024 - Acinetobacter baumannii resistente a carbapenêmicos, Enterobacterales resistente a carbapenêmicos, Enterobacterales resistente a cefalosporinas de terceira geração e Mycobacterium tuberculosis resistente à rifampicina. Nesse sentido, além de serem pesquisas que levam um tempo considerável para serem desenvolvidas, poucas delas são capazes de intervir nas MDRs mais graves (WHO, 2024). Dessa forma, devido a gravidade das infecções causadas por MDR necessita-se de medidas de prevenção efetivas. Em estudo realizado por Silva e Rodrigues (2023), os principais fatores para o aumento das infecções são a sobrecarga de trabalho, a falta de adesão à desinfecção e a reutilização de EPI por baixo estoque, além do uso de telefones celulares. Nota-se com isso que é necessário que haja uma gestão hospitalar e programas de vigilância que garantam a implantação de biomarcadores, educação de profissionais e usuários e desinfecção de materiais e EPI, pois são as formas mais eficazes de se garantir o controle da proliferação das MDR. 
Conclusão: Portanto, as bactérias multirresistentes nos últimos anos vem se destacando como um grave problema de saúde pública, sobretudo nas UTIs, que necessita de intervenção direta da equipe multidisciplinar e de pesquisadores, para ajudar tanto no controle como no desenvolvimento de pesquisas de novos protocolos e medicamentos capazes de conter o avanço dos agravos decorrentes desses microrganismos. Assim, com estratégias integradas torna-se viável conter o avanço da resistência antimicrobiana e mitigar seus desfechos negativos.
Referências:
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Prevenção de infecções por microrganismos multirresistentes em serviços de saúde. Brasília: Anvisa, 2021. 103 p. Disponível em: https://sl1nk.com/fVVf0. Acesso em: 31 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico: Resistência aos Antimicrobianos. Brasília, v. 55, n. 2, 2024. Disponível em: https://acesse.one/pLnfQ. Acesso em: 31 ago. 2025.
CARVALHO, J. J. V. et al. Bactérias multirresistentes e seus impactos na saúde pública: Uma responsabilidade social. Research, Society and Development, [S. l.], v. 10, n. 6, e58810616303, 10 jun. 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i6.16303. Acesso em: 31 ago. 2025.
KOCH, R. E. et al. Antibiotic resistance genotype, phenotype, and clinical outcomes in patients with Gram-negative infections at Rabin Medical Center in Israel. Microbiology Spectrum, v. 13, e00383-24, 2025. DOI: https://doi.org/10.1128/spectrum.00383-24. Acesso em: 31 ago. 2025.
LEITE, M. I. M.; SILVA, C. F.; COLOMBO, A.; NAUE, C. R. Prevalência e perfil de sensibilidade antimicrobiana de bactérias isoladas de pacientes internados em UTI de um hospital universitário do Sertão de Pernambuco. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 42, n. 1, p. 15–28, fev. 2021. DOI: 10.5433/1679-0367.2021v42n1p15. Acesso em: 31 ago. 2025.
MELO, S. E. et al. Perfil microbiológico e epidemiológico de pacientes em unidade de isolamento em hospital universitário do Paraná. Revista de Prevenção de Infecção e Saúde, [S. l.], v. 11, e01, 2025. DOI: https://doi.org/10.26694/repis.v11in.1.6515. Acesso em: 31 ago. 2025.
RIBEIRO, E. A. et al. Detecção fenotípica de bactérias gram-negativas produtoras de carbapenemases em efluente hospitalar na Amazônia no estado do Pará, Brasil. Revista de Ciências Ambientais e Saúde (EVS), Goiânia, v. 47, n. 1, e7939, 2020. DOI: https://doi.org/10.18224/evs.v47i1.7939. Acesso em: 31 ago. 2025.
SILVA, T. C.; RODRIGUES, A. P. Prevenção e controle de infecção hospitalar. Research, Society and Development, [S. l.], v. 12, n. 5, e13612541628, 2023. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v12i5.41628. Acesso em: 31 ago. 2025.
SOUZA, E. V. et al. Resistência bacteriana em pacientes de unidades de terapia intensiva: uma revisão integrativa de literatura. Revista FT, Brasil, v. 27, n. 123, p. 1-10, 2023. DOI: 10.5281/zenodo.7998132. Acesso em: 31 ago. 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. 2023 antibacterial agents in clinical and preclinical development: an overview and analysis. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/376944/9789240094000-eng.pdf. Acesso em: 23 ago. 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO bacterial priority pathogens list, 2024: Bacterial pathogens of public health importance to guide research, development and strategies to prevent and control antimicrobial resistance. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240093461. Acesso em: 17 ago. 2025.