ACTINOMICOSE PÉLVICA ASSOCIADA AO DISPOSITIVO INTRAUTERINO (DIU): REVISÃO BIBLIOGRÁFICA  
1ANTONELLA PERUSO LIRA SCHEIDT, 2KELORI PAVLAK MORETTO, 3LUANA RAFAELA GAIS ERTHAL, 4RICARDO MARCELO ABRAO
1Acadêmica do Curso de Medicina da Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Acadêmica do Curso de Medicina da Universidade Paranaense (UNIPAR)
3Acadêmica do Curso de Medicina da Universidade Paranaense (UNIPAR)
4Professor Titular do curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: Caracterizada por uma infecção incomum causada pelas bactérias gram-positivas do gênero Actinomyces integrantes nativas da mucosa oral, trato gastrointestinal e urogenital, a Actinomicose ocorre pela descontinuação da mucosa, tendo como hipótese de ocorrência  a presença do Dispositivo Intrauterino (DIU) (VEIGA; SANTOS; DIAS, 2022). A primeira ligação entre actinomicose pélvica associada ao DIU foi descrita em 1967 por Brenner e Ghering (SAAD et al., 2022).
Objetivo: Analisar por meio de uma revisão bibliográfica, a correlação entre a infecção causada por Actinomyces e o uso de DIU.
Desenvolvimento: De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, dentre os métodos de longa duração mais conhecidos o DIU de Cobre é o método mais utilizado no mundo, seu mecanismo de ação ocorre pela diminuição da viabilidade dos espermatozoides provocada pelo muco cervical com altas concentrações de Cobre, além disso, o aumento de citocinas e leucócitos na cavidade uterina reduzem drasticamente a possibilidade fertilização (FEBRASGO, 2022). As bactérias podem infiltrar tecidos profundos após a presença de corpo estranho ou trauma, resultado na formação de massas granulomatosas de bacilos filamentosos. Ocorrendo em maior prevalência a actinomicose cervicofacial, a actinomicose pélvica tem sido relacionada ao uso do DIU resultando na irritação crônica do endotélio facilitando a invasão bacteriana, o diagnóstico torna-se dificultado devido à semelhança da doença com diversas malignidades (PEREIRA; PERES; MANSINHO, 2025). Dentre as possíveis causas da actinomicose pélvica destaca-se a vaginose bacteriana em congruência com outros microrganismos,presença de tumores ou fístulas. Uma das vias de disseminação ocorre pelo DIU que promove o crescimento de microrganismos por meio do fio (prolongamento do dispositivo) deixado no exocérvice, além disso a presença do dispositivo altera o metabolismo das células endometriais promovendo uma possível inflamação. A via perineal também poderia ser responsável pela doença, devido a translocação dos microrganismos do ânus até a região cervicovaginal. O uso do DIU associado a actinomicose pode mimetizar os sintomas de diversas patologias, dentre elas destacam-se os tumores malignos, mioma uterino ou adenomiose principalmente quando apresentadas como uma massa genital sem febre, além disso, a possibilidade da disseminação para as tubas uterinas pode levar a salpingite e destruição do parênquima ovariano (GARCÍA-GARCÍA et al., 2017). A presença do Actinomyces israelli no trato genital feminino pode ocorrer na ausência de sintomas, entretanto, a citologia cervical ou endometrial positiva pra Actinomyces spp. não representa o diagnóstico definitivo de actinomicose pélvica, sendo necessário a realização da cultura do DIU e a captação de biópsia endometrial. Dentre os possíveis sintomas, sendo eles inespecíficos, relata-se a dor no baixo ventre, hematúria, febre, leucocitose e corrimento vaginal anormal. Os exames de imagens carecem de especificidade de diagnóstico de actinomicose causada por tumor, inflamação ou  infecção, sendo necessário a realização de cultura ou coloração de Gram do tecido infectado ou pus, a presença de grânulos de enxofre  confirma a presença da doença em até 50% dos casos (NAKAHIRA et al., 2025). A colonização do DIU por esses microrganismos não implica, necessariamente, a ocorrência de infecção ativa. Ou seja, a presença bacteriana pode estar associada a ausência de manifestações clínicas, neste caso a retirada do dispositivo intrauterino e o tratamento antimicrobiano é contraindicado, no entanto para reduzir as chances de complicações locais e sistêmicas, recomenda-se a troca a cada cinco anos (SAAD et al., 2022). Com isso, a realização do Papanicolaou é confiável, porém não conclusiva, podendo ser confundido com outros microrganismos, tendo como opção a realização de cultura e ensaios bioquímicos (GARCÍA-GARCÍA, et al., 2017).
Conclusão: Conclui-se que, a actinomicose pélvica é uma infecção rara potencialmente associada a presença do DIU como fator predisponente devido a sua facilidade na proliferação de microrganismos causados pelo prolongamento do fio do dispositivo no exocérvice ou inflamação pela alteração celular endometrial. Embora a colonização por Actinomyces spp. não caracterize a infecção ativa, o diagnóstico torna-se dificultado pela ausência de sintomas específicos juntamente a baixa especificidade dos exames de imagem, com isso, pode-se aderir como profilaxia a troca do dispositivo no período recomendado, juntamente a realização do exame de Papanicolau.
Referências:
FEBRASGO. Contracepção reversível de longa ação: série orientações e recomendações n. 1 – 2022. [S. l.: s. n.], 2022. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/SerieZ1-2022-Contracepcao.pdf. Acesso em: 3 set. 2025.
GARCÍA, Alejandra et al. Pelvic actinomycosis. Canadian Journal of Infectious Diseases and Medical Microbiology, v. 2017, n. 1, p. 9428650, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28684963/. Acesso em: 3 set. 2025.
NAKAHIRA, E. S. et al. Abdominal and pelvic actinomycosis due to longstanding intrauterine device: a slow and devastating infection. Autopsy and Case Reports, v. 7, n. 1, p. 43–47, 1 jan. 2017. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5436921/ . Acesso em: 3 set. 2025.
PEREIRA, Mariana; PERES, Susana; MANSINHO, Kamal. Pelvic Actinomycosis Related to Intrauterine Device: A Case Report. Cureus, v. 17, n. 3, 2025. 
SAAD, Ahmed Ahmed et al. Pelvi-abdominal ACTINOMYCOSIS as a complication of long-term use of intrauterine device (IUD). The important role of imaging in diagnosis and follow-up. Radiology Case Reports, v. 17, n. 11, p. 4286-4290, 2022. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1930043322006951 . Acesso em: 3 set. 2025.
VEIGA, José; SANTOS, Margarida Varela; DIAS, João Lopes. Actinomicose pélvica. Acta Radiológica Portuguesa, [s. l.], v. 2, p. 27-30, 2022. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/actaradiologicaportuguesa/article/view/28711.Acesso em: 3 set. 2025.