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| PALEOPATOLOGIA E TUBERCULOSE: CONTRIBUIÇÕES HISTÓRICAS E MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO | |
| 1SERGIO JUNIOR FAVARO ANDRADE , 2RICARDO MARCELO ABRAO | |
| 1Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR 2Professor Titular do curso de Medicina da UNIPAR |
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| Introdução: A paleopatologia é a área do conhecimento científico que pretende compreender as doenças do passado por meio da análise de fósseis humanos e animais preservados, como ossos, dentes e tecidos mumificados. Essa disciplina fornece informações sobre a origem, evolução e impacto das patologias em populações antigas, permitindo compreender a relação entre saúde, ambiente e sociedade ao longo da história. A tuberculose (TB), causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, é uma das infecções mais antigas registradas na humanidade, com evidências arqueológicas datando de milhares de anos (ROBERTS; BUERGER, 2003). Lesões características da doença foram identificadas em esqueletos fósseis e múmias, mostrando o potencial da paleopatologia para reconstruir a trajetória histórica dos patógenos e sua interação com as populações humanas antigas. Objetivos: Investigar e compilar as principais contribuições da paleopatologia no estudo da tuberculose, com destaque nos métodos diagnósticos aplicados à fósseis humanos antigos e no entendimento da evolução histórica da doença em relação às populações humanas. Desenvolvimento: O estudo paleopatológico da tuberculose une métodos macroscópicos, radiológicos, histológicos e moleculares. Entre os achados ósseos mais característicos está a doença de Pott, que consiste no colapso e fusão de corpos vertebrais, frequentemente acompanhado de deformidade cifótica (BUIKSTRA, 2019). Danos em costelas associados a processos infecciosos crônicos também são indicativos de tuberculose pulmonar em indivíduos antigos. A análise de DNA antigo, por técnicas como PCR, permitiu confirmar a presença do patógeno da tuberculose em amostras de até 3.000 anos antes de Cristo, incluindo múmias egípcias e restos pré-colombianos nas Américas (BOS et al., 2014). Estudos como o de Hershkovits et al., 2008, demonstram a presença do Mycobacterium tuberculosis em fósseis humanos de 9.000 anos atrás no Mediterrâneo Oriental, reforçando a longa história da doença na humanidade. Análises isotópicas auxiliam na compreensão do contexto de disseminação da doença, correlacionando-a com padrões de migração, urbanização e domesticação de animais, especialmente bovinos relacionados à transmissão do Mycobacterium bovis. Além do diagnóstico, a paleopatologia contribui para o entendimento da coevolução entre o patógeno e o hospedeiro humano, identificando variações genéticas, bacterianas e adaptações imunológicas (BOS et al., 2014). Conclusão: A análise paleopatológica da tuberculose não apenas evidencia a antiguidade, a abrangência e a prevalência global da doença, mas também relaciona seu estudo às mudanças socioculturais humanas. A combinação de estudos morfológicos e moleculares em achados arqueológicos permite compreender a história epidemiológica da TB, analisar sua evolução genética e identificar fatores que influenciaram sua disseminação. Essas descobertas corroboram a importância de utilizar abordagens interdisciplinares para o combate de doenças infecciosas persistentes e para a valorização do conhecimento arqueológico, histórico e paleontológico como recurso complementar para a medicina contemporânea. |
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| Referências: BOS, K. I. et al. Tuberculosis in an ancient Egyptian mummy: Evidence by morphological and molecular analyses. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 111, n. 15, p. 5923–5928, 2014. BUIKSTRA, J. E. Paleopathology: An introduction to the study of ancient human remains. Cambridge: Cambridge University Press, 2019. HERSHKOVITZ, I. et al. Detection and molecular characterization of Mycobacterium tuberculosis from 9000-year-old human remains from the Eastern Mediterranean. PLoS ONE, v. 3, n. 10, e3426, 2008. ROBERTS, C. A.; BUERGER, H. N. The bioarchaeology of tuberculosis: A global view on a reemerging disease. Gainesville: University Press of Florida. 2003. |
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