CÂNCER DE PELE E SAÚDE PÚBLICA: UMA ABORDAGEM SOBRE FATORES DE RISCO E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO  
1FERNANDA CAMPANELI BALIEIRO, 2TÚLIO TOZZI FEDRIGO, 3GABRIEL VINICIUS DA SILVA, 4MARIANA GUERINI CARDOSO, 5GLAUCIA RODRIGUES CARDOSO
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: O câncer de pele é uma das neoplasias malignas mais comuns, ocorrendo principalmente nas formas não melanoma (carcinomas basocelular e espinocelular) e melanoma. Os carcinomas não melanoma, originados nas células basais ou escamosas, apresentam alta incidência mundial e baixa taxa de mortalidade, embora exijam diagnóstico e tratamento precoces. Já o melanoma, derivado da transformação maligna de melanócitos, é o tipo mais letal e de grande relevância para a saúde pública (Bray, 2018; Inca, 2023). A principal causa dessas neoplasias é a exposição crônica e contínua à radiação ultravioleta, predominando em áreas mais expostas do corpo. Outros fatores de risco incluem idade avançada, fototipo cutâneo, histórico familiar, presença de nevos melanocíticos, imunossupressão, tabagismo e local de residência (Souza, 2021). A prevenção envolve o uso de protetor solar com FPS adequado, roupas e acessórios protetores, redução da exposição solar nos horários de maior intensidade, além do autoexame e acompanhamento médico regular (Dias; Dantas, 2023).
Objetivo: Identificar e discutir os principais fatores de risco para o câncer de pele, bem como apresentar as estratégias mais eficazes de prevenção.
Desenvolvimento: O câncer de pele é a neoplasia maligna mais frequente no Brasil, especialmente nas formas não melanoma (carcinomas basocelular e espinocelular), enquanto o melanoma, embora menos incidente, apresenta elevada letalidade (Bühring et al., 2020). Entre os fatores de risco mais importantes, destaca-se a exposição à radiação ultravioleta (UVA e UVB), tanto solar quanto artificial, reconhecida como principal agente carcinogênico para a pele. Outros elementos associados incluem fototipo cutâneo claro, idade avançada, histórico familiar, presença de nevos melanocíticos, imunossupressão e tabagismo (Zachow Bühring et al., 2020). Além disso, hábitos sociais, como o culto ao bronzeado e a exposição solar em horários de maior intensidade, reforçam comportamentos de risco (Salva; Dexheimer, 2022). A prevenção do câncer de pele envolve medidas individuais e coletivas. O uso regular de protetor solar com FPS adequado, roupas de mangas longas, chapéus e óculos de proteção constituem práticas recomendadas (Salva; Dexheimer, 2022). As estratégias devem contemplar os três níveis de prevenção: primária (redução da exposição solar e educação em saúde), secundária(rastreamento e detecção precoce de lesões suspeitas) e terciária (tratamento oportuno e acompanhamento para evitar complicações) (Duarte et al., 2024). Campanhas educativas, como as promovidas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, têm se mostrado eficazes na conscientização populacional, embora ainda se observe baixa adesão ao uso diário de protetor solar, especialmente entre homens e idosos (Salva; Dexheimer, 2022). Ainda que muitos indivíduos possuam informação sobre a relevância da  aplicação de fotoprotetores na prevenção da neoplasia de pele, poucos utilizam da maneira correta. É indispensável um protetor solar com FPS de no mínimo 30, além de ser resistente à água e possuir proteção contra raios UVA e UVB (Simões et al., 2023). Ademais, outro fator importante para prevenção precoce é a autovigilância, ou seja, a adesão à observação de mudanças da pele, seja em nevos, aparecimento de novas lesões, ou qualquer outro sinal suspeito. Para aqueles que já possuem histórico familiar de melanoma, é necessário acompanhamento periódico e exames dermatológicos recorrentes (De Aguiar Magalhães et al., 2024). O autoexame da pele e a consulta periódica com dermatologistas favorecem o diagnóstico precoce, aumentando as chances de cura (Duarte; Rodrigues; Bolsanello; Barbosa, 2024). Há um índice (ABCDE) para auxílio na identificação de câncer melanocítico, cujo “Aʼ indica assimetria; “B” bordas irregulares; “C” coloração variável; “D” diâmetro maior que 6 milímetros; E qualquer alteração de parâmetros indica uma possível suspeita (Dos Santos et al., 2024). Portanto, é fundamental o incentivo à educação, especialmente direcionados às comunidades mais humildes. Além disso, se faz necessário a implementação de estratégias que incluam fácil acessibilidade aos protetores solares, garantindo um preço acessível, já que é uma das medidas preventivas mais eficazes (Kolling et al., 2024).
Conclusão: É possível observar que o câncer de pele representa um desafio para a saúde pública, considerando a desigualdade no acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce. Por mais que grande parte dos casos esteja associada à exposição solar e a comportamentos de risco, medidas simples como o uso regular de protetor solar, roupas adequadas e a prática do autoexame são eficazes na identificação inicial. Por essa razão, é importante investir em estratégias de prevenção, campanhas educativas e protetores. Assim, a conscientização concomitante a políticas públicas que garantam educação em saúde e acesso às medidas preventivas mostra-se a forma mais eficiente no processo de enfrentamento do câncer de pele.
Referências:
BRASIL. Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer, 2022..
BRAY, Freddie et al. Global cancer statistics 2018: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. A Cancer Journal for Clinicians, v. 68, n. 6, p. 394-424, 2018.
BÜHRING, Cristina Alessandra Zachow et al. Subtipos de câncer de pele e os impactos dos fatores de risco. Revista Interdisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 8, p. 241-254, 2020.
DE AGUIAR MAGALHÃES, Luísa et al. Prevenção e diagnóstico precoce de Câncer de Pele: avanços, fatores de risco e estratégias futuras. BJHR, v. 7, n. 5.
DIAS, Ogner Henrique Alves; DANTAS, Luciana Arantes. O uso do protetor solar para prevenção do melanoma malígno cutâneo. Revista Saúde dos Vales, v. 1, n. 1, 2023.
DOS SANTOS, Mariana Martins et al. Câncer de pele no Brasil: uma visão abrangente de seu perfil clínico e epidemiológico. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 12, p. 1171-1178, 2024.
DUARTE, Pablo Dias et al. Câncer de pele: a importância de seu diagnóstico, tratamento e prevenção. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 10, n. 6, p. 382-387, jun. 2024.
SALVA, Caroline DallʼAgnol; DEXHEIMER, Geórgia Muccillo. Avaliação do autocuidado acerca dos fatores de risco para o câncer de pele. Revista Destaques Acadêmicos, v. 14, n. 3, p. 60-70, 2022.
SIMÕES, Yanna Bosca Jezini et al. Estratégias de prevenção do Câncer de Pele no Brasil. BJHR, v. 6, n. 3, p. 9749-9758, 2023.
SOUZA, Patrick Gomes; CASTRO, Marcia Seixas de; SILVA, Leidiane Pereira da. A biologia da proliferação fibroblástica: a excessiva deposição extracelular de colágeno durante o reparo de lesões na pele. BJD, v. 7, n. 3, p. 28989-29010, 2021.
KOLLING, Wesley Warken et al. Educação em saúde para prevenção do Câncer de Pele: uma revisão sistemática. Caderno Pedagógico, v. 21, n. 10, p. e9804-e9804, 2024.