MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SAÚDE COLETIVA: DESAFIOS E CONTRIBUIÇÕES DA ENFERMAGEM NA VIGILÂNCIA EM SAÚDE  
1INGRID CAROLINE DOS ANJOS, 2EMILLY SKRAVONSKI, 3JULIANE GRANATA, 4VITORIA EDUARDA SOARES CARRIEL, 5ARIELI DE OLIVEIRA MAGALHAES, 6BRUNA TAIS ZACK
1Acadêmica do curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Acadêmico do Curso de Enfermagem da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: No mundo, vem sendo discutido o conceito de saúde única, que que busca integrar a saúde humana, animal, vegetal e ambiental (RIZZOTTO et. al., 2025), e nesse sentido, as mudanças climáticas configuram uma ameaça crescente à saúde pública, com efeitos como a intensificação de doenças transmitidas por vetores, o agravamento de problemas respiratórios, o aumento de transtornos mentais e a insegurança alimentar. No Brasil, esses impactos atingem de forma desigual populações vulneráveis, como moradores de áreas com saneamento precário ou sujeito a enchentes e secas prolongadas. Em 2024, o Ministério da Saúde lançou um guia prático para profissionais de saúde, destacando a necessidade de preparar médicos, enfermeiros e agentes comunitários para atuar em cenários de risco (BRASIL, 2024). A enfermagem, pela sua presença massiva no Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo contato direto com a população, desempenha papel central na vigilância em saúde e na educação comunitária. Além disso, contribui para a formulação de estratégias de adaptação que promovam a sustentabilidade e inclusão social.
Objetivo: Analisar, a partir de revisão bibliográfica, o papel da enfermagem na vigilância em saúde diante dos impactos das mudanças climáticas, destacando desafios e contribuições práticas para a promoção de um futuro sustentável e inclusivo.
Desenvolvimento: Para subsidiar os resultados, foi realizada uma revisão de literatura nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e arXiv, utilizando os Descritores em Saúde (DeCS) “mudanças climáticas”, “saúde pública”, “enfermagem” e “arboviroses”. Essa busca resultou em cinco artigos científicos que compuseram a amostra do estudo. Desse modo, verificou-se que as mudanças climáticas representam um dos maiores desafios para a saúde global. O Lancet Countdown (Watts et al., 2024) evidencia que a elevação da temperatura média e eventos extremos, como ondas de calor e enchentes, aumentam a incidência de doenças respiratórias, cardiovasculares e infecciosas, além de comprometerem a segurança alimentar. No Brasil, esses impactos se intensificam devido às desigualdades sociais, atingindo mais severamente populações vulneráveis. Estudos recentes indicam a relação entre variáveis climáticas e a disseminação de doenças transmitidas por vetores. Pesquisas de Oliveira et al. (2024) e Rodrigues et al. (2024) demonstram que dados climáticos e epidemiológicos, combinados a ferramentas de inteligência artificial, podem prever surtos de dengue e mapear padrões de propagação de arboviroses. Tais evidências reforçam a importância da integração entre ciência climática e vigilância em saúde para subsidiar políticas públicas eficazes. Nesse cenário, a atuação da enfermagem se mostra estratégica. Segundo Puggina et al. (2024) e o Ministério da Saúde (2024), profissionais de enfermagem desempenham papel central na vigilância epidemiológica e na educação em saúde, estando em contato direto com comunidades. Incorporar a temática climática na prática cotidiana permite identificar precocemente agravos e desenvolver ações preventivas junto às populações em risco. Além disso, a prática de enfermagem deve se adaptar a novos contextos, incorporando competências voltadas à sustentabilidade e à resiliência comunitária. Isso inclui orientação de medidas individuais, como cuidados em períodos de calor extremo, e participação ativa em políticas públicas que integrem saúde, meio ambiente e justiça social. O guia prático do Ministério da Saúde (BRASIL, 2024) reforça a necessidade de capacitar profissionais para enfrentar riscos climáticos, evidenciando a urgência de preparar a rede de atenção para os impactos já em curso. Assim, a integração entre ciência, políticas públicas e prática profissional é essencial para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A enfermagem, pela sua capilaridade e vínculo comunitário, consolida-se como protagonista na construção de um futuro sustentável e equitativo.
Conclusão: As mudanças climáticas já produzem impactos significativos na saúde pública, com tendência de agravamento nos próximos anos. Doenças infecciosas, agravos respiratórios e transtornos mentais estão diretamente relacionados a eventos climáticos extremos, exigindo respostas rápidas e integradas do setor saúde. A enfermagem assume papel estratégico, tanto na vigilância epidemiológica quanto na promoção da saúde e na educação comunitária. A literatura indica a necessidade de incorporar competências voltadas à sustentabilidade e resiliência, ampliando a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde. Iniciativas como o guia prático do Ministério da Saúde (2024) reforçam a urgência de capacitar profissionais frente aos riscos climáticos. O enfrentamento desses desafios demanda ações interdisciplinares, políticas públicas consistentes e práticas de cuidado comprometidas com a equidade social e ambiental, consolidando a enfermagem como protagonista na proteção da saúde das populações mais vulneráveis.
Referências:
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia prático sobre mudanças climáticas para profissionais de saúde. Brasília: MS, 2024. < https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2024/guia-mudancas-climaticas-para-profissionais-da-saude.pdf/view >
OLIVEIRA, M. S. et al. Predicting dengue incidence using climate and epidemiological data: a machine learning approach. arXiv, 2024. < https://arxiv.org/abs/2501.12395 >
PUGGINA, A. C. G. et al. Cuidados de enfermagem em tempos de mudanças climáticas: rumo a um futuro resiliente. Acta Paulista de Enfermagem, v. 37, n. 1, p. 1-4, 2024.
RIZZOTTO, Maria Lucia Frizon et al. Saúde Única-um conceito ambíguo sob debate. Saúde em Debate, v. 48, p.e143ED, 2025. https://www.scielosp.org/article/sdeb/2024.v48n143/e143ED/pt/
RODRIGUES, F. C. et al. Episcanner: mapping climate-driven patterns of arbovirus spread in Brazil. arXiv, 2024. < https://arxiv.org/abs/2407.21286 >
WATTS, N. et al. The 2024 report of the Lancet Countdown on health and climate change. The Lancet, v. 404, n. 10325, p. 2011-2072, 2024. .