DOENÇA DE ALZHEIMER: FISIOPATOLOGIA, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E CUIDADOS MULTIDISCIPLINARES  
1MARIA JULIA GIROTTO BAHR, 2LUIZ ANTONIO FASSINI FONT, 3TALITA RAMPASIO FARIA, 4JOÃO PEDRO CANTELLE MAZIERO, 5ROBERTO DE AGUIAR KOUBIK, 6JULYS SOUZA BARBOSA
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: Segundo a World Health Organization (2021), a Doença de Alzheimer (DA) é a forma mais prevalente de demência, caracterizada por declínio cognitivo progressivo e alterações comportamentais, resultando em perda de autonomia e grande impacto social. Fatores de risco incluem idade avançada, predisposição genética, hipertensão, diabetes e traumas cranianos. Estima-se que mais de 47 milhões de pessoas vivam com demência no mundo, com prevalência crescente em idosos acima de 85 anos. A doença não tem cura, mas seu entendimento fisiopatológico e terapêutico avançou consideravelmente nas últimas décadas (REIS; DE SIQUEIRA, 2023). 
Objetivo: Revisar aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, diagnósticos e terapêuticos da DA, ressaltando a importância dos cuidados multidisciplinares. 
Desenvolvimento: Na DA, há acúmulo extracelular de placas β-amiloide e emaranhados neurofibrilares de proteína tau hiperfosforilada, associados à inflamação crônica, estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e déficit colinérgico, sobretudo no hipocampo e córtex (KHAN; BARVE; KUMAR, 2020; SCHELTENS et al., 2021). Esses mecanismos levam à deterioração cognitiva e funcional. O quadro clínico inicia-se com falhas de memória episódica, evoluindo para déficits de linguagem, raciocínio, apraxia, agnosia e dependência progressiva. Sintomas comportamentais, como apatia, depressão, ansiedade e alucinações, são frequentes e contribuem para a sobrecarga do cuidador (PRATA, 2023; LEITE et al., 2020). O diagnóstico envolve avaliação clínica associada a biomarcadores e exames de neuroimagem (PET-CT, ressonância magnética funcional). De acordo com Graff-Radford et al., (2021), o uso de proteínas como P-tau181 e níveis de Aβ no líquido cefalorraquidiano se mostra promissor, embora limitado por custo e acessibilidade. A detecção precoce permite maior eficácia terapêutica e acompanhamento clínico personalizado. O tratamento farmacológico inclui inibidores da acetilcolinesterase (Donepezila, Rivastigmina, Galantamina) e o antagonista NMDA Memantina, que oferecem benefícios modestos em cognição e sintomas neuropsiquiátricos. Novas terapias imunológicas, como os anticorpos monoclonais Lecanemab e Donanemab, apresentam resultados promissores na redução da carga amiloide e no potencial de modificar a progressão da doença (VAN DYCK et al., 2023; SIMS et al., 2023; JUCKER; WALKER, 2023). Estratégias não farmacológicas são igualmente relevantes: programas de exercício físico, terapia ocupacional, reabilitação cognitiva, suporte nutricional e aconselhamento familiar. Cuidados paliativos e planejamento antecipado são essenciais em estágios avançados (ARAÚJO et al., 2023). 
Conclusão: A DA constitui um desafio de saúde pública, exigindo abordagem multiprofissional para diagnóstico precoce, manejo clínico e suporte a cuidadores. O avanço em biomarcadores e imunoterapia sinaliza perspectivas de maior eficácia terapêutica. Entretanto, intervenções não farmacológicas e cuidados integrais permanecem indispensáveis para garantir qualidade de vida ao paciente e sua rede de apoio.
Referências:
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Jucker M, Walker LC. Alzheimerʼs disease: from immunotherapy to immunoprevention. Cell. 2023;186(20):4260–70. doi:10.1016/j.cell.2023.08.004.
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Reis AJT, De Siqueira EC. Uma abordagem geral da doença de Alzheimer. Rev Eletr Acervo Med. 2023;23(2):e12059. doi:10.25248/reac.e12059.2023.
Scheltens P, et al. Alzheimerʼs disease. Lancet. 2021;397(10284):1577–90. doi:10.1016/S0140-6736(20)32205-4.
Sims JR, Zimmer JA, Evans CD, Lu M, Ardayfio PA, Slemmon JR, et al. Donanemab in early symptomatic Alzheimer disease: the TRAILBLAZER-ALZ 2 randomized clinical trial. JAMA. 2023;330(6):512–27. doi:10.1001/jama.2023.13239.
van Dyck CH, Swanson CJ, Aisen P, Bateman RJ, Chen C, Gee M, et al. Lecanemab in early Alzheimerʼs disease. N Engl J Med. 2023;388(1):9–21. doi:10.1056/NEJMoa2212948.
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