CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO NOS CURSOS DE MEDICINA: METODOLOGIAS ATIVAS E IMPACTOS NA FORMAÇÃO ACADÊMICA  
1YURY DINIZ GOMES, 2SASKYA SENNHAUSER, 3LUCIANO SERAPHIM GASQUES, 4ALEXANDRE CESAR RODRIGUES DA SILVA, 5MARIA ELENA LIMA MARTINS
1Acadêmico do curso de Medicina e do PIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina e do PIC/UNIPAR
3Docente da UNIPAR
4Mestrando da UNIPAR
5Coordenadora do curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: A partir de 2014, às novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de Medicina, destacaram a importância de metodologias que promovem a participação ativa do aluno, estimulando a interação entre ensino, pesquisa e extensão (BRASIL, 2014). Nesse cenário, as metodologias ativas colocam o estudante no centro do processo de aprendizagem, incentivando sua autonomia, o pensamento crítico e a capacidade de resolver problemas complexos (SILVA JUNIOR et al., 2023). A Resolução MEC nº 7, de 18 de dezembro de 2018, tornou a curricularização da extensão obrigatória, determinando que pelo menos 10% da carga horária dos cursos de graduação seja destinada a atividades extensionistas integradas ao projeto pedagógico (BRASIL, 2018). Surge, assim, a necessidade de reflexão sobre as estratégias usadas na sua implementação nos cursos de Medicina.
Objetivo: Este estudo tem como objetivo analisar as principais metodologias adotadas na curricularização da extensão nos cursos de graduação em Medicina, por meio de revisão bibliográfica integrativa, de abordagem qualitativa, com recorte temporal de 2019 a 2024.
Desenvolvimento: A curricularização da extensão nos cursos de Medicina do Brasil tem se estruturado, principalmente, em dois eixos metodológicos: a abordagem experiencial-longitudinal, que valoriza a vivência prática acompanhada de reflexão crítica; e o engajamento comunitário, que amplia a compreensão dos estudantes sobre o contexto sociocultural e favorece práticas voltadas às necessidades sociais. A análise permitiu reunir informações de diferentes instituições, evidenciando as estratégias aplicadas e suas contribuições para a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, como demonstrado: Com o objetivo de capacitar a população idosa de uma Instituição de Longa Permanência, um projeto de extensão no Pernambuco integrou práticas e momentos de reflexão clínica, por meio de vivências que promoveram o bem-estar das idosas e possibilitaram aos estudantes a expressão de suas emoções, bem como a atribuição de significados às experiências compartilhadas com os residentes. (ALMEIDA; FERREIRA; SANTOS, 2019). Na Bahia, uma iniciativa baseada na Educação Popular em Saúde, realizada em um assentamento de base comunitária, mostrou, por meio da análise de conteúdo, de diários de campo e de entrevistas semiestruturadas realizadas com dez discentes de medicina, que a vivência comunitária amplia a visão dos estudantes sobre os modos de vida das pessoas, proporcionando experiências que extrapolam o ambiente hospitalar e contribuem para a formação integral (RIOS; MOURA; CARVALHO, 2019). Esses relatos evidenciam que a curricularização da extensão não se resume a uma exigência normativa, mas se materializa em práticas que aproximam os estudantes da realidade social e ampliam sua compreensão sobre o papel do médico na comunidade.
Conclusão: As metodologias empregadas encontradas na pesquisa foram a problematização e as simulações realísticas. Essas estratégias, embora plurais na metodologia, convergem para a formação de profissionais mais críticos, reflexivos e com responsabilidade social, comprometidos com o fortalecimento do sistema de saúde e capazes de responder, de forma humana e cidadã, às demandas da sociedade.
Referências:
ALMEIDA, A. C.; FERREIRA, M. R.; SANTOS, J. P. Curricularização da extensão universitária no ensino médico: o encontro das gerações para humanização da formação. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 43, p. 672-680, 2019. Disponível em: https://elicit.com/review/7ef72600-b5be-479b-985c-66b9c7779a54/source/75620b4ab20a497f8b6b7eb11a6fe690. Acesso em: 20 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018: Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira. Brasília: Ministério da Educação, 2018. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=105102-rces007-18&Itemid=30192. Acesso em: 17 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em medicina. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/Med.pdf. Acesso em: 28 ago. 2025.
RIOS, L. A.; MOURA, D.S.; CARVALHO, R. F. Para além da formação tradicional em saúde: experiência de educação popular em saúde na formação médica. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 43, n. 3, p. 184-195, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/VyxrxdWd8fvqsxR8RVbKgmh/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 20 ago. 2025.
SILVA JUNIOR, J. R. da; OLIVEIRA, C. M. C. de; BARBOSA, L. N. F.; KUBRUSLY, M.; SOUZA, E. da S. (orgs.). Metodologias ativas e inovação no ensino em saúde. Fortaleza: Editora do Centro Universitário Christus, 2023. 137 p. E-book PDF. Disponível em: https://fps.edu.br/wp-content/uploads/2023/12/E-book-Metodologias-ativas-e-inovac%CC%A7a%CC%83o-no-ensino-em-sau%CC%81de-final.pdf. Acesso em: 20 ago. 2025.