INFECÇÃO PELO VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA COM DIAGNÓSTICO TARDIO, HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA E INFECÇÕES OPORTUNISTAS: RELATO DE CASO
1ANA GABRIELE CAVINATO MANN, 2AMANDA DE ANDRADE BURATO FERREIRA DE MENEZES, 3ELIZANDRA BACKOF, 4LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR
4Docente do Curso de Enfermagem da UNIPAR – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR
Introdução: O vírus da imunodeficiência humana (HIV), responsável pela deterioração do sistema imunológico da pessoa infectada, atingindo linfócitos T CD4 +, dos linfócitos citotóxicos CD8 + que fazem o reconhecimento que as células estão infectadas, assim, para descobrir a carga viral do indivíduo, é necessário realizar os exames de contagem desses linfócitos. O vírus pode gerar a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), sendo o estado mais avançado, desenvolvendo a doença. A transmissão acontece por fluídos corporais, como sêmen, sangue, leite materno, fluidos vaginais e a maior via de transmissão nos dias de hoje é a relação sexual desprotegida, assim como o compartilhamento de seringas e agulhas e a transmissão de mãe para filho, durante a gravidez ou amamentação. Inicialmente, a infecção é silenciosa, apresentando cefaleia, linfadenomegalia, sintomas parecidos com gripe, mas, com o passar das semanas e meses, o paciente vai desenvolvendo infecções oportunistas, como pneumonia, candidíase oral, monilíase esofágica (Pinto Neto, 2021). A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) é uma condição clínica grave, associada a salas de emergências que requer atenção por conta da morbimortalidade, principalmente naqueles pacientes com comorbidades associadas. As principais causas são úlceras pépticas, varizes esofágicas e lesões na mucosa gástrica (Forgerini, 2021). A pneumonia é uma doença pulmonar considerada uma infecção oportunista que pode estar relacionada a fungos, bactérias e vírus. Os sintomas relacionados são febre, tosse produtiva, dor nas costas, parênquima pulmonar e dos espaços alveolares, e as complicações podem acarretar sepse e falência múltipla de órgãos. Quando um paciente é admitido por pneumonia, é crucial investigar a causa da infecção, se é viral, fúngica ou bacteriana, através de exame de cultura, e se o paciente tem comorbidades, como HIV, tabagismo, higiene bucal adequada e, até mesmo, questões de saneamento básico (Sattar; Sharma., 2025). O fungo Cândida albicans, mais conhecido como causador da Candidíase, é bastante relacionado ao prognóstico de HIV, mas também encontrado em pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo idosos ou pessoas com higiene bucal prejudicada. A Candidíase pode se apresentar em vários locais do corpo, como boca, esôfago e vagina (Borges, 2021). Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo apresentar um estudo de caso clínico, desenvolvido durante as atividades do estágio obrigatório curricular do curso de Graduação em Enfermagem, realizado em hospital público no Paraná, Brasil, que objetivou descrever a condição clínica de uma paciente com HDA, HIV, Pneumonia, Candidíase oral, Monilíase esofágica e os desafios do tratamento, enfatizando, assim, importância da triagem e do monitoramento desde a Atenção Primária.
Relato de caso: Paciente J.S.R., sexo feminino, 50 anos, admitida no dia 10/04/2025, no Hospital Regional do Sudoeste, por Hemorragia Digestiva Alta, após episódios de síncope, melena e hematêmese. Através da internação e da solicitação dos exames, ela positivou para o HIV e, através do hemograma completo, a paciente foi diagnosticada com infecção, podendo ser de múltiplas causas e anemia. No resultado da Tomografia Computadorizada de Tórax, foi possível encontrar moderado derrame pleural à direita com linfonodomegalias associadas, hipertensão arterial pulmonar e cardiomegalia. Durante o atendimento em enfermagem, a paciente relatou uso crônico de Ibuprofeno e que estava com tosse produtiva há mais de três semanas, fadiga, dor nas costas e mal-estar, porém, durante o internamento, passou a ter tosse seca, febre alta e sudorese noturna, afirma que, nos últimos meses, teve queda no apetite e acabou perdendo peso, durante a noite, teve episódios de êmese na cor esverdeada, no momento relatou cefaleia intensa. Por conta do uso crônico de Anti-Inflamatório Não Esteroidais, acabou ocorrendo a HDA, o que levou ao diagnóstico do HIV e demais infecções oportunistas, por estar nesse estágio, é possível que esta paciente esteja com imunossupressão há mais de dois meses, passando por sintomas que facilmente são confundidos com outras condições, gerando falsa interpretação e demora ao diagnóstico, por isso, é importante a prevenção e promoção em saúde da Atenção Básica em Saúde, oferecendo testagens rápidas e orientações.
Discussão: Desde a Atenção Primária em Saúde (APS), o dever do enfermeiro é promover e prevenir os agravos à saúde, sendo um deles as IST, como o HIV. É necessário integrar a comunidade nos serviços de educação e conscientização, como na Campanha Nacional de Prevenção ao HIV/Aids, firmada pela Lei n° 13.504 de 2017 que ocorre todos os anos no mês de dezembro, mobilizando atividades e orientações, em conformidade aos princípios do SUS (Oliveira et al., 2025).  O diagnóstico tardio do HIV pode vir associado às infecções oportunistas, como a pneumonia e candidíase que são causadas pela imunossupressão, sendo o surgimento destas doenças as maiores causas de morte dos pacientes que convivem com HIV/Aids (Reis; Gomes; Carmo, 2024).
Conclusão: É evidente, neste caso, a importância do monitoramento e tratamento na APS para evitar diagnósticos tardios e manifestações clínicas graves. Logo, o acolhimento adequado reduz estigmas juntamente com alta vigilância em casos ativos, fortalece as políticas públicas nacionais e gera a redução de taxa de mortalidade por complicações relacionadas ao HIV.
Referências:
BORGES, Clara Araújo et al. Diagnóstico e formas de tratamento da candidíase oral: uma revisão de literatura. Research, Society and Development, [S.l.], v. 10, n. 15, p.e359101523123, 2021.
FORGERINI, Marcela et al. Epidemiological profile of patients with non-variceal upper gastrointestinal bleeding secondary to peptic disease in a tertiary referral Brazilian hospital. Original Article, [S.l.], v. 58, n. 2, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ag/a/9hmgNM6kvQ9MVYbnvtRFtHJ/?format=pdf&lang=en Acesso em: 3 maio 2025.
PINTO NETO, Lauro Ferreira da Silva et al. Protocolo brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: infecção pelo HIV em adolescentes e adultos. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 30, n. esp.1, p. e2020588, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ress/a/cPNFd4GWmVZdGWNG8QrCYZC/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 3  maio 2025.
OLIVEIRA, Amanda Keroly Palheta et al. Ação extensionista na prevenção de HIV/AIDS e outras IST na Atenção Primária de Saúde: Relato de Experiência. Revista Foco, [S. l.], v. 18, n. 4, p. e8198, 2025. DOI: 10.54751/revistafoco.v18n4-037.
SATTAR, Saud Bin Abdul; NGUYEN, Andrew; SHARMA, Sandeep. “Bacterial Pneumonia”. Florida: Stat Pearls, 2025.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513321/. Acesso em: 3 maio 2025.
REIS, Ana Beatriz de Oliveira; GOMES, Sávio Marcelino; CARMO, Egberto Santos. Infecções oportunistas em pessoas vivendo com HIV/AIDS: qual a situação encontrada em um serviço de atendimento especializado situado no nordeste Brasileiro? Revista Prevenção de Infecção e Saúde, [S.l.], 2024. Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/repis/article/download/3659/4394/21917. Acesso em: 27 ago. 2025.