EMOÇÕES E VÍNCULOS EM JOGO: RELATO DE CASO DE INTERVENÇÕES COM UMA FAMÍLIA DE ATLETA DE FUTSAL  
1KAUANA KYARA SANTOS CERESOLI, 2DENISE TONIOLI, 3LARISSA MACHADO SOARES, 4MARIA EDUARDA CARDOZO, 5MARIANA GODOY SIMON, 6ALESSANDRA VIEIRA FERNANDES
1Estudante de Psicologia, Universidade Paranaense, Campus de Francisco Beltrão/PR
2Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Psicologia da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A Psicologia do Esporte, reconhecida como especialidade pela Resolução CFP nº 1/2000, busca compreender e intervir no comportamento humano em contextos esportivos, promovendo desenvolvimento integral e bem-estar (Weinberg; Gould, 2001; Conde et al., 2019). Na iniciação esportiva, seu papel é assegurar que o esporte seja vivenciado como experiência educativa, lúdica e formativa, evitando pressões e expectativas inadequadas (De Rose Jr., 2002). Nesse processo, a família exerce influência decisiva: o apoio emocional favorece a motivação, enquanto cobranças excessivas podem gerar frustração, ansiedade e abandono da prática (Gonçalves; Nogueira, 2018). Assim, a atuação do psicólogo do esporte também envolve orientar pais e técnicos, criando ambientes mais saudáveis para o desenvolvimento infantil. Diante disso, esse relato tem como objetivo descrever a experiência de estágio curricular na área da Psicologia do Esporte vinculado à uma instituição de futsal, cujo foco foi a intervenção com familiares de crianças atletas.
Relato de Caso: A atuação junto à instituição de futsal constituiu a primeira etapa do estágio em Psicologia do Esporte, com atividades realizadas com crianças atletas da categoria de base do sub 09 e sub 10 do futsal. As observações sistemáticas evidenciaram demandas relacionadas à interação entre atletas e familiares, o que orientou a elaboração de um questionário aos pais, aplicado posteriormente, com enfoque qualitativo. Esse contato direto com a realidade vivenciada pelos atletas e seus familiares forneceu subsídios importantes para refletir sobre os fatores psicossociais que permeiam a prática esportiva infantojuvenil. Essa primeira fase do trabalho, portanto, caracterizou-se por uma atuação voltada à identificação de demandas que serviu de base para as intervenções a serem desenvolvidas. Em relação às intervenções, inicialmente, foi elaborado juntamente um convite às famílias dos atletas das respectivas categorias. Dos 7 familiares que confirmaram presença, apenas 1 casal compareceu. Diante disso, decidimos construir as intervenções apenas com esse grupo familiar, constituindo um pai, uma mãe e um atleta, sendo conduzidos quatro encontros semanais.  No primeiro, promoveu-se uma roda de conversa com os pais sobre expectativas e trajetória esportiva. O segundo contou com a dinâmica da linha do tempo e a elaboração de uma carta ao “filho do futuro”. O terceiro integrou a criança, utilizando jogos como memória e cartas sobre emoções, estimulando expressão de sentimentos e preferências. No quarto, participaram pai e filho, realizando dinâmicas sobre situações do futsal e reflexões sobre reações diante de desafios. Ao longo dos encontros, emergiram temas como dificuldades de comunicação familiar, ansiedade da criança frente ao desempenho e projeções parentais sobre o futuro esportivo. As intervenções permitiram maior escuta mútua, reconhecimento das emoções e fortalecimento dos vínculos. 
Discussão: A abordagem utilizada nesta experiência favoreceu um aprofundamento nas dinâmicas familiares, alinhando-se à perspectiva da Psicologia do Esporte que valoriza os fatores emocionais e relacionais no processo de desenvolvimento esportivo (Weinberg; Gould, 2017). O caso evidencia a relevância do psicólogo do esporte na iniciação esportiva, não apenas no suporte ao atleta, mas no diálogo com familiares e técnicos. O envolvimento dos pais pode ser tanto fator de motivação quanto de ansiedade e frustração para a criança (Gonçalves; Nogueira, 2018). A experiência revelou a necessidade de ampliar estratégias de engajamento familiar, criando espaços de escuta que potencializem vínculos positivos, promovam empatia e favoreçam a autorregulação emocional, aspectos essenciais para um desenvolvimento esportivo saudável.
Conclusão: Nossas experiências no estágio possibilitaram a aproximação entre teoria e prática da Psicologia do Esporte, revelando os desafios emocionais, cognitivos e sociais que permeiam a iniciação esportiva. Observamos que fatores como ansiedade, pressão por desempenho e identidade esportiva influenciam diretamente a vivência dos atletas. Evidenciamos também que a psicologia não se restringe à performance, mas contribui para o bem-estar e desenvolvimento integral. O apoio familiar emergiu como fator protetivo essencial. Além disso, constatamos a importância do psicólogo como mediador entre desempenho e cuidado.
Referências:
CONDE, E. et al. Psicologia do Esporte e do Exercício: Modelos Teóricos, Pesquisa e Intervenção. São Paulo: Pasavento, 2019.
DE ROSE JÚNIOR, D. Iniciação esportiva universal: uma proposta para o ensino dos jogos esportivos coletivos. Brasília: Ministério do Esporte, 2002.
GONÇALVES, M. A.; NOGUEIRA, É. C. A importância da presença dos pais na iniciação esportiva: o caso do futebol. RBFF - Revista Brasileira De Futsal E Futebol, v. 10, n. 39, pp. 392-398, 2018.
WEINBERG, R. S.; GOULD, D. Fundamentos da Psicologia do esporte e do exercício. Porto Alegre: Artemed Editora, 2017.