PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA NO PARANÁ DE 2019-2024  
1LAURA BORGES URBANO, 2ANDRE LUIZ URBANO, 3LUCIANA VIEIRA PINTO RIBEIRO
1Discente do curso de Medicina da Unipar
2Docente da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: A toxoplasmose é uma zoonose de distribuição mundial endêmica ao Brasil, causada por um protozoário intracelular obrigatório, o Toxoplasma gondii. Cerca de 50% dos casos são assintomáticos, dificilmente apresentando sinais e sintomas em imunocompetentes. A relevância clínica desta infecção se deve à capacidade do parasita de cruzar a barreira placentária na fase aguda da doença durante a primoinfecção da gestante (BÁRTHOLO et al., 2015). O período gestacional também é de grande valia para determinar o prognóstico e desfecho do caso, sendo inversamente proporcional à gravidade da doença. No primeiro trimestre, os desfechos principais incluem morte neonatal/intrauterina ou doença neurológica e/ou oftálmica severa, enquanto no terceiro trimestre cerca de 90% dos infectados apresenta a doença leve (MITSUKA-BREGANÓ et al., 2018).
Objetivo: Compilar as características epidemiológicas dos pacientes acometidos por toxoplasmose congênita no período de 2019-2024 no estado do Paraná.
Material e métodos: Foi realizado um estudo transversal com análise de dados secundários sobre casos notificados de toxoplasmose congênita, utilizando informações retiradas do banco de dados disponibilizado no Sistema Estadual de Informações e Agravos de Notificação (SINAN). As variáveis selecionadas incluem: sexo, raça, município de notificação, faixa etária e semana epidemiológica de notificação, classificação e óbito por agravo. Resultados: No período analisado foram notificados 1636 casos de toxoplasmose congênita. A distribuição por sexo é homogênea, sendo 51,5% do sexo masculino (n=843) e 48% do sexo feminino (n=786). A raça mais acometida foi a branca, correspondente a  75,85% dos casos. Dos casos notificados, 56,6% (n= 927) foram confirmados, 28,17% (n=461) foram descartados, 5,13% foram inconclusivos (n=84) e 10,02% foram ignorados/em branco (n=164). As cinco cidades com maior acometimento em número foram Curitiba (n=353), Cascavel (n=208), Londrina (n= 118) e Ponta Grossa (n=75). Enquanto a região de maior acometimento foi a Região Metropolitana de Curitiba, correspondendo a 33,86% dos casos. O número de óbitos pela doença somaram 13 neste período.
Discussão: Foi possível analisar um número crescente de casos notificados no período analisado, culminando em um aumento significativo entre 2023 (18,82%) e 2024 (29,09%), com alta incidência principalmente na população branca. Fatores epidemiológicos como idade, localização e status socioeconômico devem ser levados em conta ao investigar a incidência e prevalência desta doença. Apesar do coeficiente de prevalência em 2024 (p=0,4025) ser significativamente menor que a média nacional (p=1,327), é de importante relevância epidemiológica o constante aumento progressivo de casos notificados comparado  aos anos anteriores no estado. Além disso, mesmo que a notificação de toxoplasmose congênita tenha sido feita obrigatória no Brasil em 2018 (Ministério da Saúde, 2018), é importante pensar na subnotificação desta infecção, principalmente devido ao fato de que é necessário a consideração do binômio mãe/filho para realizar o diagnóstico.
Conclusão: O Paraná está entre os estados com a maior incidência de infecções por toxoplasmose congênita no país (SINAN, 2025),  e o período entre 2019-2024 mostrou um aumento progressivo dos casos. Este aumento pode ser significativo para um marcador epidemiológico importante, que denota a necessidade de maiores e mais eficazes intervenções para prevenção desta doença. 
 
Referências:
BÁRTHOLO, Bárbara BG Raskovisch et al. Toxoplasmose na gestação. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2, p. 119-124, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de notificação e investigação: toxoplasmose gestacional e congênita. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_notificacao_ . Acesso em: 25 ago. 2025.
JADJISCHI, D. C. et al. Toxoplasmose congênita: revisão bibliográfica. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, São Paulo, v. 7, n. 15, p. e151215, 2024. DOI: 10.55892/jrg.v7i15.1215. Disponível em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/1215. Acesso em: 25 ago. 2025.
MARZOLA, Patrícia Emanuella Ramos; ISER, Betine Pinto Moehlecke; SCHILINDWEIN, Aline Daiane. Perfil epidemiológico da toxoplasmose congênita no estado de Santa Catarina. Evidência, v. 21, n. 2, p. 85-94, 2021.
MITSUKA-BREGANÓ R. et al. (org.). Toxoplasmose adquirida na gestação e congênita: vigilância em saúde, diagnóstico, tratamento e condutas. Londrina, PR: Eduel, 2018.