HIDROTERAPIA COMO TRATAMENTO NA DOR CRÔNICA DE ESPONDILOLISTESE E ANTEROLISTESE: RELATO DE CASO  
1ROBERTA BET BIDO, 2ANA LUIZA LINK, 3GEORGIA DE MENDONCA B DOS REIS GARCIA, 4INDIOMARA BARATTO
1Acadêmica do curso de Fisioterapia da UNIPAR
2Acadêmica do curso de Fisioterapia da UNIPAR
3Docente do curso de Fisioterapia da UNIPAR
4Docente do curso de Fisioterapia da UNIPAR
Introdução: A espondilolistese consiste no deslizamento anterior de vértebra, comum em L5-S1, podendo ser causada por dor e limitação funcional, a anterolistese é a condição na qual uma vértebra da coluna escorrega para a frente em relação à vértebra abaixo dela, o tratamento inclui medidas conservadoras ou cirúrgicas. A fisioterapia, especialmente a hidroterapia, reduz sobrecarga articular e favorece analgesia e mobilidade (Mohile et al., 2022; Ribeiro et al., 2022). Este resumo descreve um relato de caso submetido a protocolo aquático. 
Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 37 anos, policial militar, dor lombar crônica intensa (EVA 10/10) após sofrer acidente de trânsito em serviço no ano de 2018. Histórico de contusão torácica e internação em UTI, com sintomas persistentes após a alta hospitalar. Frente aos exames, verificou-se abaulamentos discais lombares (L1–L5) para anterolistese L5–S1 grau II, com lise ístmica, protusão discal em L4–L5, conflito radicular e sinais degenerativos, sendo então, o paciente submetido à cirurgia reparadora e transferido para função administrativa. Na avaliação fisioterapêutica em 2021 o paciente apresentava dor constante, limitação de movimentos do tronco, marcha em bloco, baixa tolerância à sedestação, escore elevado na Escala Tampa de Cinesiofobia (60/68) e impacto negativo no SF-36. Em uma nova reavaliação em 2023, manteve-se as queixas de dor irradiada para o membro inferior direito, piora em ortostatismo e sedestação prolongada, compatível com os achados de imagem. O tratamento incluiu cinesioterapia (pilates clínico), eletroterapia (TENS, FES, US), ventosaterapia, bandagem funcional, dry needling, terapias manuais (mulligan, busquet, pompagens), correção postural (LPF, RPG), fortalecimento de core e alongamentos, e a dor crônica manteve-se presente. Em 2025, foi iniciado um protocolo de hidroterapia na Universidade Paranaense - UNIPAR, com três sessões iniciais compostas por exercícios funcionais aquáticos, marcha na piscina, nado com prancha, alongamentos direcionados (cadeia posterior, piriforme, adutores, panturrilhas), exercícios resistidos com caneleiras e aplicação da técnica de Bad Ragaz. As atividades foram cuidadosamente respeitadas dentro do limite álgico do paciente. Foram também utilizadas técnicas de liberação miofascial de pontos-gatilho em região glútea e facilitação neuromuscular proprioceptiva, com relato imediato de alívio da dor e formigamento. Após as três sessões, o paciente apresentou redução significativa da dor, melhora da amplitude de movimento ativo (flexão, extensão e rotação do tronco) e melhora no padrão de marcha, fortalecimento muscular global e a manutenção dos ganhos funcionais, com ênfase em medidas preventivas. O conjunto das intervenções demonstrou melhora clínica e funcional progressiva, mesmo em um quadro de dor crônica associada à instabilidade lombossacral pós-traumática. Ao final do tratamento hidroterapêutico foi obtido melhora significativa no quadro de dor crônica do paciente, mobilidade, qualidade de vida e a SF-36 pontuou uma leve melhora na sua parte física de mobilidade, porém em sua parte psicológica ainda apresenta domínio que precisa ser tratado junto a uma equipe multidisciplinar.
Discussão: A inclusão da hidroterapia ao tratamento conservador favoreceu analgesia e melhora funcional, possivelmente pela redução da carga axial e facilitação do movimento. O ambiente aquático e o uso do método Bad Ragaz contribuíram para maior adesão e confiança do paciente, especialmente em contexto de cinesiofobia. Estudos como os de Huang et al. (2023) e Liang et al. (2019) corroboram esses achados, evidenciando benefícios dos exercícios aquáticos em dor, mobilidade e força do tronco em lombalgias crônicas.
Conclusão: A hidroterapia mostrou-se eficaz no manejo conservador da espondilolistese ístmica grau II em L5–S1, com melhora da dor crônica, mobilidade e função. A redução da carga axial e a facilitação do movimento no ambiente aquático, especialmente com o uso do método Bad Ragaz, contribuíram para maior adesão e confiança do paciente, mesmo em contexto de cinesiofobia. Apesar do curto período, os resultados iniciais foram relevantes tratando de um recurso seguro e benéfico, recomendando-se sua integração a planos interdisciplinares.
Referências:
HUANG, A. et al. Effects of early aquatic exercise intervention on trunk strength and functional recovery of patients with lumbar fusion: a randomized controlled trial. Scientific Reports, Londres, v. 13, n. 1, 3 jul. 2023. 
LIANG, Z. et al. Effects of water therapy on disease activity, functional capacity, spinal mobility and severity of pain in patients with ankylosing spondylitis: a systematic review and meta-analysis. Disability and Rehabilitation, Abingdon, v. 43, n. 7, p. 1–8, 29 jul. 2019.
RIBEIRO, L. et al. Benefícios da hidroterapia no tratamento de disfunções da coluna lombar: revisão narrativa. Revista Brasileira de Fisioterapia Aquática, São Carlos, v. 8, n. 1, p. 22-30, 2022.
MOHILE, N. V. et al. Spondylolysis and Isthmic Spondylolisthesis: A Guide to Diagnosis and Management. The Journal of the American Board of Family Medicine, Lexington, v. 35, n. 6, 16 dez. 2022.