INFLUÊNCIA DE ANTIPARASITÁRIOS E VITAMINAS INJETÁVEIS NO DESEMPENHO DE BOVINOS DE CORTE EM FASE DE TERMINAÇÃO  
1EDUARDO PRESENDO, 2DANIELE CRISTINA PEREIRA PRESENDO, 3ANDRE GIAROLA BOSCARATO
1Aluno de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos - Universidade Paranaense (UNIPAR).
2Aluna de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos - Universidade Paranaense (UNIPAR).
3Docente, Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, Universidade Paranaense (UNIPAR).
Introdução: O Brasil possuí um plantel bovino de 234,4 milhões de cabeças (MAPA, 2023), e o estado do Mato Grosso encabeça a lista com o rebanho de 34,2 milhões de cabeças, seguido pelo Pará e Goiás. Para que todo esse rebanho seja revertido em rentabilidade e lucro ao produtor rural, é necessário que os animais atinjam o peso ideal de abate, medido pelo ganho médio diário (GMD). O ganho de peso no gado de corte brasileiro é lento devido ao sistema de criação extensivo, amplamente utilizado. Desse modo, algumas estratégias são necessárias para que os animais alcancem seu potencial máximo de produtividade, entre eles a aplicação de vitaminas, antiparasitários e outros medicamentos que auxiliam na conversão alimentar. Os antiparasitários, como a abamectina e a ivermectina, atuam controlando e reduzindo os mais relevantes endoparasitas e ectoparasitas (CARVALHO et al., 1998). Já os complexos vitamínicos agem auxiliando no crescimento dos microrganismos do rúmen, melhorando a conversão alimentar e a imunidade dos animais. Especificamente, a vitamina A auxilia na integridade da pele e mucosas, síntese de hormônios e como estimulante do sistema imune (CARROLL e FORSBERG, 2007). Já a vitamina D é utilizada para melhorar a absorção intestinal de nutrientes e sua ausência pode levar a diminuição do crescimento (raquitismo), segundo Hodnett, Jorgensen e Deluca (1992), o uso da vitamina D é conveniente em vacas com hipocalcemia aguda. Por fim, a vitamina E atua como antioxidante e imunoestimulante (BOUWSTRA et al., 2008; URBAN-CHMIEL et al., 2009), fortalecendo a resistência às infecções virais (BEKC et al., 1994).
Objetivo: O objetivo deste trabalho é avaliar o GMD em animais que receberam diferentes tratamentos com antiparasitários e complexo vitamínico (ADE).
Material e Métodos: Para o ensaio experimental, foram utilizados 75 animais, da raça nelore, com média de 24 meses, divididos em três grupos de 25 animais, pertencentes ao confinamento da Fazenda Recreio, localizada no distrito de Roberto Silveira, Município de Umuarama-PR. O grupo 1 (controle) não recebeu nenhum tratamento. O grupo 2 recebeu a aplicação de abamectina pour on (Frigoboi®Facilite - JA Saúde Animal), na dosagem de 50ml/animal e complexo vitamínico ADE (Ative A.D.E - JA Saúde Animal), na dosage de 5ml/animal, via intramuscular. Grupo 3 recebeu a aplicação de 10ml/animal de ivermectina 1% + ADE (Goldmec - Noxon Saúde Animal) por via subcutânea. Todos os grupos foram submetidos a pesagem no D0 e obeteve-se as seguintes informações: grupo 1, média de 417,9kg/animal; grupo 2, média de 424,8kg/animal e grupo 3, média de 414,1kg/animal. A aplicação foi realizada de forma aleatória para que o fator indivíduo não influenciasse nos resultados. Os animais permaneceram por 104 dias na mesma baia, receberam a mesma dieta e água ad libitum, sendo submetidos a nova pesagem no D104 antecedendo o carregamento para o abate, para realização do cálculo do GMD.
Resultados: No D104, após a pesagem foi realizado o compilado e o cálculo dos resultados obtidos. Sendo eles, grupo 1: animais pesando em média 580,1 kg/PV com o GMD médio de 1,560 kg/PV/animal. O grupo 2: animais pesando em média 607,1 kg/PV com o GMD médio de 1,753 kg/PV/animal. O grupo 3: animais pesando em média 576,8 kg/PV com o GMD médio de 1,564 kg/PV/animal.
Discussão: Os resultados demonstraram que a aplicação do tratamento no grupo 3 não surtiu efeito no GMD, ficando muito próximo dos resultados do grupo 1. Este fato certamente ocorreu devido a formulação oleosa do fármaco e a via de administração subcutânea, tornando sua absorção mais lenta. Já o tratamento do grupo 2 demonstrou um acrescimo de 0,193 kg de GMD quando comparado ao grupo 1, o que valida a importância da aplicação de antiparasitário e complexo vitamínico, adicionalmente a aplicação pour on do antiparasitário minimiza o estresse e melhora o bem-estar animal. O tratamento do grupo 2 melhorou o desempenho dos animais em período de terminação, elevando o GMD em 12.37% e 12,09% em relação ao grupo 1 e 3 respectivamente. Durante todo o tratamento, os animais receberam dieta em quantidade e qualidade suficiente. Segundo Mertens (1994) é necessário que a dieta esteja balanceada em quantidade e qualidade suficiente para atender a demanda do animal, buscando melhores resultados, e em contrapartida uma dieta insuficiente e desbalanceada não é capaz de surtir efeito no GMD quando associada a antiparasitários e complexos vitamínicos.
Conclusão: O grupo 2 apresentou desempenho superior e consequente aumento do GMD dos bovinos em confinamento, o que refletiu um ganho de 0,193 kg a mais por animal/dia ao final do tratamento. Os dados obtidos demonstam que a escolha da formulação medicamentosa e a via de administração do fármaco influenciam no sucesso do tratamento e no bem-estar animal, já que o estresse durante a aplicação pode comprometer o desempenho produtivo. A escolha de fármacos de fácil aplicação e absorção potencializam a produtividade e a rentabilidade na bovinocultura de corte.
Referências:
BECK, M. A.; et al. Vitamin E deficiency intensifies the myocardial injury of coxsackievirus B3 infection in mice. The Journal of nutrition, v. 124, n. 3, p. 345-358, 1994.
BOUWSTRA, R. J.; et al. The relationship between oxidative damage and vitamin e concentration in blood, milk, and liver tissue from vitamin E supplemented and non supplemented periparturient heifers. Journal of Dairy Science, v. 91, n. 3, p. 977-987, 2008.
CARROLL, J. A.; FORSBERG, N. E. Influence of Stress and Nutrition on Cattle Immunity. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, v. 23, n. 1, p.105–149, 2007.
CARVALHO, L. A. F.; et al. Controle antiparasitário em gado de corte com endectocida de ação prolongada, em comparação com produto convencional. A Hora Veterinária, Porto Alegre, v. 106, p. 53-58, 1998.
HODNETT, D. W.; JORGENSEN, N. A.; DELUCA, H. F.1α-hydroxyvitamin D3 plus 25 hydroxyvitamin D3 reduces parturient paresis in dairy cows fed high dietary calcium. Journal of Dairy Science, v. 75, n. 2, p. 485-491, 1992.
MAPA - Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento. Rebanho bovino brasileiro alcançou recorde de 234,4 milhões de animais em 2022. Brasília: Ministério da agricultura e pecuária, 25 set. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/rebanho-bovino-brasileiro-alcancou-recorde-de-234-4-milhoes-de-animais-em-2022. Acesso em: 26 ago. 2025.
MERTENS, D. R. Regulation of forage intake. In: NATIONAL CONFERENCE ON FORAGE QUALITY. EVALUATION AND UTILIZATION, 1994, Lincoln. Proceedings. Lincoln: University of Nebraska, 1994. p. 450-493.
URBAN-CHMIEL, R.; et al. The influence of different doses of α-tocopherol and ascorbic acid on selected oxidative stress parameters in in vitro culture of leukocytes isolated from transported calves. Livestock Science, v. 124, n. 1-3, p. 89-92, 2009.