ANALISAR A EFICIÊNCIA DA DIETA MEDITERRÂNEA NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS NEURODEGENERATIVAS  
1YASMIN ROMANINI PIRES DE LIRAS, 2GABRIEL SIMEONI, 3LIVIA RODRIGUES FRANÇA, 4FÁBIO RONQUI DE SOUZA JUNIOR, 5LUCIANO SERAPHIM GASQUES
1Acadêmica do curso de medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: As doenças neurodegenerativas são distúrbios progressivos do sistema nervoso, caracterizados pela morte neuronal e por déficits funcionais irreversíveis. Entre os principais mecanismos envolvidos em sua fisiopatologia, destacam-se o estresse oxidativo e a inflamação crônica (Leite; Souza, 2020). A princípio, segundo Couto et al. (2023), a doença de Parkinson tem prevalência em pessoas a partir de 65 a 70 anos de idade e tem uma etiologia multifatorial, conta com manifestações motoras e não-motoras. Ela contempla aspectos genéticos, comórbidos, dietéticos e farmacológicos e se encontra em segundo lugar no ranking de doenças neurodegenerativas mais comuns, perdendo apenas para o Alzheimer. Para Solch et al. (2022), o Alzheimer, visto socialmente como um fardo, sem terapias curativas conhecidas, necessitou de formas de prevenção da doença através de modificações no estilo de vida, incluindo fatores como a dieta. Um dos exemplos de dieta mais em alta na atualidade relacionado a doenças neurodegenerativas é a dieta mediterrânea. Esta, conforme  Graça; Mateus; Lima  (2001), define-se como um modo tradicional de alimentação baseado principalmente em alimentos de origem vegetal, produtos frescos, consumo de azeite e pouca ou nula ingestão de carne vermelha. Dessa forma, é uma cozinha simples que tem na sua base sopas, cozidos, ensopados com condimentos como cebola, alho e ervas aromáticas para enriquecer os seus sabores e aromas.
Objetivos: Analisar a eficiência da dieta mediterrânea na prevenção e no tratamento de doenças neurodegenerativas, com ênfase na doença de Alzheimer e Parkinson, investigando seus mecanismos, suas propriedades e sua influência na saúde. Trata-se de uma revisão bibliográfica sistemática, que utilizou as plataformas SciELO Brasil e PubMed como base de dados para a seleção dos artigos científicos.
Desenvolvimento: A princípio, conforme Nooyens et al. (2021), um padrão alimentar saudável auxilia no declínio cognitivo mais brando e na cognição, como exemplo está a adesão a dieta mediterrânea a qual se mostra extremamente vantajosa no que concerne a demência e outras doenças neurodegenerativas. Consoante com Román et al. (2019), essa dieta está relacionada à diminuição da atrofia cerebral, oferecendo proteção à estrutura do cérebro, ajudando contra a doença Alzheimer. Esta dieta, por seu alto teor de ácidos graxos poli-insaturados, vitaminas antioxidantes e compostos fenólicos, reduz a inflamação sistêmica e o estresse oxidativo, fatores cruciais na progressão de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. Além disso, sua capacidade de modular citocinas e quimiocinas, aliada à melhora do metabolismo e da circulação sanguínea promovida pela atividade física, favorece a neuroproteção e pode retardar a degeneração neuronal (Santos; Brenda et al., 2024). De acordo com Granja; Nascimento; Barbosa (2023), estudos indicam que a adesão à dieta mediterrânea está associada a uma melhor preservação da saúde cerebral. Exames de ressonância magnética revelam que indivíduos de meia idade que seguem essa dieta apresentam menor atrofia cerebral. Esses efeitos podem ser atribuídos à sua ação antioxidante e anti-inflamatória, que inibe a formação de placas e emaranhados neurofibrilares, característicos da neurodegeneração na doença de Alzheimer.
Conclusão: A análise dos estudos evidencia que a dieta mediterrânea exerce influência positiva sobre a saúde neurológica , especialmente Alzheimer e Parkinson, destacando-se como uma estratégia preventiva relevante frente às doenças neurodegenerativas. Seus efeitos benéficos decorrem não apenas da composição nutricional, mas também da capacidade de interferir em processos biológicos centrais à degeneração neuronal. Ao favorecer a preservação das funções cognitivas e da integridade cerebral, esse padrão alimentar apresenta-se como um recurso valioso na promoção do envelhecimento saudável e na mitigação dos impactos dessas enfermidades.
Referências:
COUTO, Letícia et al. Doença de Parkinson: epidemiologia, manifestações clínicas, fatores de risco, diagnóstico e tratamento. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 6, n. 4, p.18331-18342, jul/aug., 2023.
GRAÇA, Pedro; MATEUS, Maria Palma; LIMA, Rui Matias. O conceito de dieta mediterrânica e a promoção da alimentação saudável nas escolas portuguesas. REVISTA NUTRÍCIAS v.19: p.6-9. 2013. 
GRANJA, Myrna Maia Tobias; NASCIMENTO, Érika Eduarda Wsova do; BARBOSA, Junia Helena Porto. O papel da alimentação na melhora da cognição e prevenção de doenças neurodegenerativas: Depressão, Alzheimer, Parkinson. Atenas Higeia, v. 6, n. 1, p. 124-138, 2024.
LEITE, Juliana Ribeiro Nogueira; GOMES, Laura Vasconcelos Rangel SOUZA, Vagner Rocha Simonin de. Impacto da dieta do mediterrâneo na doença de Alzheimer. Revista Interdisciplinar do Pensamento Científico, v. 6, n. 3, p. 1-12, dez., 2020.
NOOYENS, Astrid CJ et al. Aderência às diretrizes alimentares e declínio cognitivo a partir da meia-idade: o Estudo de Coorte Doetinchem. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 114, n. 3, p. 871-881, 2021.
ROMÁN, G. C.; MANCERA-PÁEZ, O.; BERNAL, C. Epigenetic factors in late-onset Alzheimerʼs disease: MTHFR and CTH gene polymorphisms, metabolic transsulfuration and methylation pathways, and B vitamins. International Journal of Molecular Sciences, v. 20, n. 2, p. 1-15, jan. 2019.
SANTOS, Brenda Laise Anchieta dos et al. Dieta mediterrânea e seus possíveis fatores modificadores na doença de Alzheimer. Scientific Society Journal, v. 7, n. 1, p. 4332-4352, 2024.
SOLCH, Rebecca J. et al. Mediterranean diet adherence, gut microbiota, and Alzheimerʻs or Parkinsonʻs disease risk: A systematic review. Journal of the Neurological Sciences, v. 434, n. 120166, p. 1-15, mar., 2022.