USO ESTRATÉGICO DE DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE SULFÓXIDO DE ALBENDAZOL NO CONTROLE DE PARASITÓSES GASTROINTESTINAIS DE BOVINOS CONFINADOS  
1DANIELE CRISTINA PEREIRA PRESENDO, 2EDUARDO PRESENDO, 3ANDRE GIAROLA BOSCARATO
1Aluna de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos - Universidade Paranaense (UNIPAR).
2Aluno de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos - Universidade Paranaense (UNIPAR).
3Docente, Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, Universidade Paranaense (UNIPAR).
Introdução: O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e ocupa a segunda posição quando o assunto é produção de carne, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, todavia, a rentabilidade é baixa, devido ao sistema extensivo de criação, amplamente empregado no Brasil (ANUALPEC, 2024). Outro ponto que pode influenciar na rentabilidade de carcaça é o parasitismo dos animais, que certamente leva ao atraso na terminação. Um aspecto relevante é que boa parte das infecções causadas por endoparasitóses são subclínicas, ficando evidente apenas em situações de estresse, como em casos de desmame, escassez de alimento, taxa de lotação elevada e idade (GAZDA et al., 2006). Devido ao sistema de criação extensivo, a probabilidade de infecção por helmintos é grande. Os grandes prejuizos acontecem quando parasitam animais jovens, com imunidade diminuida, causando elevados graus de infecção (UENO e GONÇALVES, 1998). Existem várias alternativas de tratamentos, entre elas o fitoterápico e o biológico, porém, ainda precisam de pesquisas que garantam sua eficiência sem causar prejuizos à saúde dos ruminantes (CEZAR; CATTO e BIANCHIN, 2008). Segundo Sanson-himmelstjerna (2012), além desses, o tratamento por fármacos, em diferentes concentrações também é empregado e baseia-se no uso estratégico dos anti-helminticos, como as lactonas macrocíclicas e os benzomidazóis.
Objetivo: Comparar as diferentes concentrações de sulfóxido de albendazol na eliminação e controle de verminoses gastrointestinais em bovinos na fase de entrada de confinamento.
Material e Métodos: Para o ensaio experimental foram utilizados 40 animais, da raça nelore, com idade média de 2 anos, divididos em quatro grupos de 10 animais, pertencentes ao confinamento da Fazenda Pontal do Tigre, localizada no Município de Querência do Norte-PR. O grupo 1 (controle) não recebeu nenhum tratamento. O grupo 2 recebeu a aplicação de 20ml do antiparasitário a base de sulfóxido de albendazol 10% (Albendathor® injetável - JA Saúde Animal). O grupo 3 recebeu a aplicação de 20ml do antiparasitário a base de sulfóxido de albendazol 15% (Agebendazol®  - Agener União Saúde Animal). O grupo 4 recebeu a aplicação de 20ml do antiparasitário a base de sulfóxido de albendazol 13,6% (Ricoben - Noxon Saúde Animal). Os animais de todos os grupos foram submetidos a coleta de fezes para exame coproparasitológico (OPG) no D0, D11 e D32. A aplicação dos antiparasitários foi realizada de forma aleatória para que o fator indivíduo não influenciasse nos resultados. Os animais permaneceram durante todo o experimento na mesma baia, recebendo a mesma dieta e água ad libitum. Para a realização do OPG foi utilizado a técnica de Gordon & Whitlock.
Resultados: Após a coleta no D0 observou-se que todos os grupos possuíam a prevalência de estrongilídeos, em que o grupo 1, 2 e 3 continham 7 animais parasitados e o grupo 4 continha 6 animais parasitados. No D11, após a realização do exame OPG foi observado que os animais do grupo 2, 3 e 4 não apresentavam parasitóses gastrointestinais. Já na coleta no D32 observou-se a re-infestação de 10% dos animais nos grupos 2 e 3, e 30% no grupo 4. O grupo 1, que não recebeu tratamento teve um aumento de 2 animais parasitados, chegando a 90% de infestação.
Discussão: O grau de seringabilidade das três concentrações dos fármacos é relativamente alto, indicando a eficiência da aplicação, porém, devido as caracteristicas específicas, o fármaco utilizado pelo grupo 2 demonstrou homogeneidade e alta liquidez, indentificados visualmente devido a transparência do frasco no qual o produto é apresentado. Já o fármaco utilizado pelo grupo 3 demonstrou fluidez mediana, sendo necessário agitação constante, pois era nítido a decantação do princípio ativo entre as aplicações devido a tranparência do frasco, evidenciando sua instabilidade, reduzindo seu grau de seringabilidade e sendo impossível determinar que a concentração do princípio ativo aplicado era a esperada, além disso provocou casos de abcessos nos animais tratados. No grupo 4 não era possível identificar se existia decantação pois o frasco não apresenta transparência. Segundo Dumichen, et al., (2023) o grau de seringabilidade indica a força necessária para que ocorra a saída do fármaco do frasco de origem e a força para a sua aplicação, adicionalmente avalia a estabilidade físico-química do fármaco durante sua aplicação, indicando reformulação nos casos em que ocorra a separação de fases.
Conclusão: O controle estratégico dos endoparasitas em bovinos de corte é essencial para reduzir as perdas produtivas e garantir maior rentabilidade. Todas as concentrações de sulfóxido de albendazol analisadas demonstraram resultados efetivos na primeira coleta para realização do exame coproparasitológico (D11), demonstrando eficácia do princípio ativo no curto prazo, entretanto, na segunda coleta (D32) observa-se a reinfestação em maior grau do grupo 4, que recebeu o medicamento com concentração a 13,6%. Conclui-se que existe variação na durabilidade da ação do fármaco conforme a concentração utilizada, não justificando a utilização desses com concentrações acima de 10% devido ao alto custo de produtos mais concentrados.
Referências:
ANUALPEC. Anuário da Pecuária Brasileira 2024. ed. 20, v. 1. Instituto FNP, 2024.
CEZAR, A. S.; CATTO, J. B.; BIANCHIN, I. Controle alternativo de nematódeos gastrintestinais dos ruminantes: atualidade e perspectivas. Ciência Rural, v. 38, p. 2083-2091, 2008.
DUMICHEN, A.; et al. Development and characterization of novel in-situ-forming oleogels. Pharmaceutics, v. 15, n. 1, p. 254, 2023.
GAZDA, T. L.; et al. Distribuição de larvas de nematódeos gastrintestinais de ovinos em pastagens de inverno. Ciência Animal Brasileira / Brazilian Animal Science, Goiânia, v. 13, n. 1, p. 85–92, 2012. DOI: 10.5216/cab.v13i1.4025. Disponível em: https://revistas.ufg.br/vet/article/view/4025. Acesso em: 31 ago. 2025.
SAMSON-HIMMELSTJERNA, G. V. Anthelmintic resistance in equine parasites – detection, potential clinical relevance and implications for control. Veterinary Parasitology, v.185, n.1, p. 2-8, 2012.
UENO, H.; GONÇALVES, P. C. Manual para diagnóstico das helmintoses de ruminantes. 4. ed. Tokyo: Japan International Cooperation Agency, 1998.