RISCOS DO PRÉ-NATAL TARDIO  
1KEILA SUPTITZ DE BRITTO, 2KARINE BORGES, 3LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR - Universidade Paranaense. Unidade de Francisco Beltrão
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR
Introdução: O pré-natal é a assistência na área da saúde que consiste no acompanhamento contínuo da gestante, desde a confirmação da gravidez (Santos et al., 2023). No Brasil, a mortalidade materna e o nascimento de natimortos ainda ocorrem com frequência, muitas vezes, resultantes de complicações durante a gestação e o parto. Grande parte desses óbitos, no entanto, poderia ser evitada com assistência pré-natal adequada (Santos et al., 2022), visto que o Ministério da Saúde indica iniciar o pré-natal precocemente, antes da 12ª semana de gestação. Essa prática é fundamental para garantir atendimento de forma adequada, corroborando para reduzir esses índices de mortalidade materna e neonatal (Santos et al., 2023).
Objetivo: Redigir, por meio de revisão bibliográfica, os riscos associados ao início tardio do pré-natal para saúde maternoinfantil, analisar os principais fatores que contribuem para esse atraso e destacar o papel da enfermagem na promoção de intervenções eficazes.
Desenvolvimento: O pré-natal é uma etapa essencial do cuidado à gestante, a qual envolve assistência integral e humanizada, promovida por equipe multidisciplinar que atua de forma colaborativa, tendo como objetivo garantir o desenvolvimento saudável do feto e a segurança da mãe, por meio da prevenção, detecção precoce de problemas de saúde, além de ofertar a promoção de vínculos afetivos e comunicativos entre profissionais, gestantes e famílias. As ações de saúde devem reconhecer e respeitar as necessidades individuais de cada mulher (Travassos et al., 2024). No Brasil, a mortalidade materna e perinatal ainda ocorre com frequência, em decorrência de complicações durante a gestação e o parto. Inclusive, com grande parcela de óbitos evitáveis por meio da assistência pré-natal adequada, identificando precocemente (Santos et al., 2022). Por isso, órgãos de saúde recomendam que a abertura do pré-natal, para acompanhamento do binômio mãe-bebê, seja realizada preferencialmente até a 12ª semana de gestação (World Health Organization, 2016). Existem fatores que se apresentam associados a uma baixa taxa de pré-natal iniciados de forma precoce, sendo atendimento realizado em UBS no lugar de uma ESF; gestantes que se autodeclaram pretas, pardas ou amarelas em relação à cor branca; vulnerabilidade econômica; gravidez na adolescência; baixa escolaridade materna; e existência de gravidezes prévias (Santos et al., 2023). Para a mãe, a falta ou o acompanhamento pré-natal de forma inadequada pode aumentar o risco de desenvolver patologias como hipertensão, diabetes mellitus gestacional e infecções. O bebê sofre consequências diretas dessa desassistência, podendo ocorrer a restrição de desenvolvimento intrauterino, prematuridade, baixo peso ao nascer e, em alguns casos, a mortalidade neonatal. Além de que se aumenta o risco de transmissão vertical de infecções maternas e impossibilita a detecção precoce de anomalias congênitas (Silva et al., 2025). Dessa forma, a atenção pré-natal deve ser integral, qualificada e humanizada, pautada em práticas acolhedoras, visto que é relevante a criação de vínculo entre a gestante, a equipe de saúde e os diversos níveis de atenção. E, para que essa assistência seja eficaz, é fundamental garantir a captação precoce das gestantes, permitindo a identificação antecipada de possíveis problemas, assegurar a realização de no mínimo seis consultas durante a gestação e ampliar a cobertura do atendimento (Barros et al., 2021). É fundamental a atuação do enfermeiro diante das lacunas para adesão tardia ao pré-natal, muitas vezes, relacionadas a fatores socioeconômicos e à qualidade da assistência prestada pela equipe multiprofissional. Já na primeira consulta, o profissional deve realizar o rastreamento de fatores de risco, de aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Deve ser considerando a história reprodutiva da gestante, contexto familiar e possíveis morbidades. Para garantir a eficácia do cuidado, o enfermeiro deve adaptar a abordagem e linguagem, promovendo atendimento acolhedor, acessível e alinhado à compreensão da paciente (Passos et al., 2024).
Conclusão: Conclui-se, portanto, que o pré-natal desempenha papel crucial na promoção da saúde maternoinfantil, sendo indispensável que a realização ocorra de forma precoce e contínua. A atuação qualificada dos profissionais de saúde, em especial do enfermeiro, é essencial para identificação de riscos, prevenção de complicações e garantia de cuidado integral à gestante e ao recém-nascido. Investir em políticas públicas que ampliem o acesso, reduzam desigualdades e fortaleçam a atenção básica é fundamental para redução da mortalidade materna e perinatal no Brasil.
Referências:
BARROS, J. A. S. F. et al. Atuação de enfermeiro no pré natal. Recima21, [S.l.], v.3, n.6, 2021. Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/976/755 Acesso em: 05. jun. 2025 
PASSOS, S. G. et al. Assistência de enfermagem no pré-natal tardio: consequências para o binômio materno-infantil. Revista JRG de estudos acadêmicos, [S.l.], v.7, n.14, 2024. Disponível em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/1087. Acesso em: 5 jun. 2025. 
SANTOS, C. G. et al. Pré-natal tardio: motivos e intervenções de enfrentamento na Atenção Primária à Saúde. Scientific Electronic Archives, [S.l.], v.16, n.6, p. 25-29, 2023. Disponível em: https://scientificelectronicarchives.org/index.php/SEA/article/view/1727/1778 Acesso: 1 jun. 2025.
SANTOS, V. O. et al. Assistência de enfermagem frente ao pré-natal tardio: Uma revisão integrativa. RECIMA 21 - Revista científica multidisciplinar, [S.l.], v. 3, n.11, 2022. Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/2200/1680. Acesso: 2 jun. 2025.