ALEITAMENTO MATERNO: FATORES ASSOCIADOS E IMPACTOS DA ASSISTÊNCIA  
1KEILA SUPTITZ DE BRITTO, 2KAREN TREVISAN, 3AGHATA POSSATTO, 4GESSICA PAULA BATTISTI, 5LEDIANA DALLA COSTA
1¹ Acadêmicas do Curso de enfermagem da UNIPAR - Universidade Paranaense. Unidade de Francisco Beltrão
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR
Introdução: O aleitamento materno é uma prática que estreita o vínculo afetivo entre mãe e bebê, contribuindo para o desenvolvimento na saúde da criança a curto e longo prazo. Trata-se de intervenção isolada eficaz para prevenção das mortes infantis a nível mundial (Faria, 2023). Diante dessa importância, torna-se fundamental compreender os fatores que influenciam essa prática, como aspectos sociodemográficos e familiares, abrangendo o período desde o pré-natal e ao longo do puerpério, em busca de se identificar precocemente possíveis obstáculos que dificultem esse processo (Moraes, 2021). Para os profissionais oferecerem suporte de maneira efetiva, é necessário que compreendam as expectativas, necessidades e o tipo de apoio e informação que as mães desejam receber (Brasil, 2015).
Objetivo: Analisar os fatores associados ao aleitamento materno e impactos da assistência de enfermagem.
Material e Métodos: Pesquisa de campo, exploratória-descritiva, com abordagem quantitativa, desenvolvida em duas maternidades de referência de risco habitual, intermediário e alto risco. Participaram da pesquisa 305 puérperas. Os dados foram coletados por questionário com as variáveis sociodemográficas (idade, cor, escolaridade, renda familiar, estado civil, atividade remunerada), dados obstétricos e do pré-natal (histórico gestacional, planejamento gestacional, número de consultas, plano de parto, grupo de gestantes, via de parto, tipo de hospital, orientação sobre aleitamento no pré-natal, profissional que orientou), além dos conhecimentos específicos sobre o aleitamento materno intra-hospitalar (tipo de aleitamento ao nascer, se amamentou logo após o nascimento, se o primeiro contato foi doloroso, se estão/pretendem amamentar em livre demanda e se forneceu bico/chupeta). A pesquisa foi submetida à análise do Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos (CEPEH), da Universidade Paranaense (UNIPAR), conforme Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (CAAE) n.º 83174924.8.0000.0109. Resultados: A pesquisa foi constituída por 305 questionários respondidos. Ao ponderar as características sociodemográficas, constatou-se que 62,3% eram mulheres brancas, com média de idade de 27,84, (54,4%), possuíam entre nove e 12 anos de escolaridade, 47,5% encontravam-se em união estável, 61,6% realizavam algum tipo de atividade remunerada e 48,2% das famílias possuíam renda mensal acima de três salários-mínimos. Em relação ao aleitamento materno, 49,5% estavam amamentando de forma exclusiva, 75,1% não amamentaram logo após o nascimento, 75,7% afirmaram que o primeiro contato com a amamentação não foi doloroso, 88,5% estavam e/ou pretendiam amamentar em livre demanda e 74,1% não ofertaram bico/chupeta para o bebê. Discussão: Nas mulheres pesquisadas, a maioria possuía entre nove e 12 anos de instrução. Estudos demonstram relação direta entre o grau de escolaridade materna e a prática do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida da criança. Mães com maior nível de instrução tendem a compreender melhor os benefícios do aleitamento para o binômio mãe-bebê, além de estarem mais preparadas para enfrentar eventuais dificuldades durante esse período, como fissuras mamilares, pega inadequada e dúvidas sobre a produção de leite (Gomes, 2024). Além disso, entre as entrevistadas, 61,6% das pesquisadas exerciam algum tipo de atividade remunerada. A pesquisa de revisão integrativa, incluindo 43 artigos publicados entre 2017 e 2022, denotaram que o trabalho externo é considerado um dos principais fatores que influenciam a desistência do AME, pois muitas mães enfrentam dificuldades para conciliar a rotina profissional com a amamentação, especialmente quando não dispõem de licença maternidade prolongadas, horários flexíveis ou espaços adequados para extração e armazenamento do leite no ambiente de trabalho (Lima, 2023). Sobre as orientações em relação ao aleitamento prestadas durante a gestação, 108 (35,4%) puérperas afirmaram ter recebido essas informações pelo enfermeiro. O enfermeiro, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde, é um dos principais responsáveis por conduzir o acompanhamento das gestantes e promover ações educativas que favoreçam o aleitamento materno exclusivo, garantindo, assim, que todas as gestantes recebam informações consistentes, atualizadas e acolhedoras (Viana, 2021).
Conclusão: As orientações em relação ao aleitamento materno no pré-natal existem, mas, ainda, há lacunas que comprometem a preparação adequada da gestante para essa prática de tanta importância, principalmente em relação aos manejos de ocorrências e como resolvê-las. Além disso, na primeira hora de vida do recém-nascido, conhecida como "hora de ouro", é um momento crucial para o início do aleitamento materno, pois favorece o vínculo entre mãe e bebê, estimula a produção de ocitocina e contribui para o sucesso da amamentação a longo prazo. No entanto, observa-se que muitos profissionais de saúde ainda demonstram despreparo para promover e apoiar essa prática imediatamente após o nascimento.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
FARIA, E. R, Fatores relacionados ao aleitamento materno exclusivo no contexto da Atenção Primária à Saúde. CoDAS, [S.l.], v. 35, n. 5, 2023.
GOMES, S. R. M. et al. Fatores relacionados ao desmame precoce em bebês nascidos a termo em uma maternidade pública. CoDAS, [S.l.],  v. 36, n. 5, 2024.
LIMA, R. V. et al. As dificuldades de adesão ao aleitamento materno: uma revisão integrativa. Rev Humanid Inov., [S.l.], v. 10, n. 14, p. 235-249, 2023.
MORAES, G. G. W. et al. Associação da duração do aleitamento materno exclusivo com a autoeficácia de nutrizes para amamentar. Rev Esc Enferm USP, São Paulo, v. 55, 2021.
PEREIRA, A. O. R. et al. Fatores que interferem na realização do aleitamento materno exclusivo. Nursing Edição Brasileira, [S.l.], v. 24, n. 274, 2021.
VIANA, M. D. Z. S. et al. Nursing strategies and actions on breastfeeding: integrative review. Rev Pesqui., Rio de Janeiro, v. 13, 2021.