ASPECTOS TERAPÊUTICOS DA CASTANHA-DA-ÍNDIA (Aesculus hippocastanum L.)  
1DEBORA WICROSKI, 2EDERSON LUCAS KAIBERS, 3RAFAEL BELLÉ PALUDO, 4THIAGO CESAR RAMOS BLAU, 5LEONARDO GARCIA VELASQUEZ
1Acadêmica do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
2Acadêmico do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
3Acadêmico do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
4Acadêmico do curso de Farmácia da Unipar, Francisco Beltrão.
5Orientador, docente da Unipar, Francisco Beltrão.
Introdução: Aesculus hippocastanum L., conhecida como castanha-da-índia, pertence à família Hippocastanaceae e é nativa da região dos Bálcãs e do Oeste da Ásia, sendo atualmente cultivada em diversos países. Tradicionalmente utilizada na Europa para distúrbios circulatórios, a planta consolidou seu uso terapêutico por meio de evidências experimentais e clínicas, principalmente no tratamento da insuficiência venosa crônica, varizes, edemas periféricos, flebites e hemorróidas (Melo et al., 2007; Oliveira, 2021). Atualmente, a castanha-da-índia está presente em diversas farmacopeias internacionais e, no Brasil, figura como o segundo fitoterápico com maior número de registros junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), reforçando sua relevância clínica e farmacêutica (Rigo et al., 2025).
Objetivo: Descrever os bioativos, indicações, posologia e efeitos adversos da A. hippocastanum L.
Desenvolvimento: A fitoquímica da castanha-da-índia é diversificada, contendo saponinas, flavonoides, taninos, óleos e vitaminas (B, K1, C e pró-vitamina D). Entre esses constituintes, destaca-se a mistura natural de saponinas triterpênicas conhecidas como escina, considerada o principal constituinte ativo (Araújo, 2008). A posologia indicada pela Anvisa (2014) é de doses diárias entre 32 e 120mg desse triterpeno, geralmente administradas em extratos padronizados, que garantem maior segurança e eficácia terapêutica. O princípio ativo é apontado como responsável pelas propriedades anti-inflamatórias, anti-edematosas, venotônicas e vasoprotetoras (Melo et al., 2007). Em um estudo clínico recente é reforçada sua relevância terapêutica, evidenciando efeitos significativos na redução de edema e melhora do tônus venoso, além de destacar a necessidade de atenção quanto às interações medicamentosas, especialmente em pacientes que utilizam anticoagulantes (Rigo, 2025). Ainda assim, a eficácia pode variar conforme a formulação e as condições clínicas de aplicação, sendo necessário observar restrições, incluindo contraindicações para crianças, gestantes, lactantes, indivíduos com hipersensibilidade à escina e pacientes com insuficiência renal ou hepática (Balbino et al., 2014). Quanto às interações medicamentosas, destaca-se o aumento do risco de sangramento quando associada a anticoagulantes, antiagregantes plaquetários e anti-inflamatórios não esteroidais. Além disso, a escina pode potencializar o efeito de antidiabéticos orais e insulina, bem como reduzir a eficácia de fármacos gastroprotetores; o uso concomitante com drogas nefrotóxicas, como a gentamicina, deve ser evitado (Nicoletti et al., 2013). Os efeitos adversos relatados incluem pruridos, náuseas, cefaléia e tontura (Alexandre et al., 2005). Essas limitações reforçam que, embora o fitoterápico apresente boa aplicabilidade clínica, seu uso seguro depende de rigor na indicação, monitoramento adequado e padronização farmacotécnica.
Conclusão: A A. hippocastanum L. apresenta constituintes bioativos, principalmente a escina, com ação venotônica, anti-inflamatória e anti-edematosa, que a tornam uma opção terapêutica relevante no controle de distúrbios circulatórios. O uso em formulações padronizadas garante maior segurança e eficácia, desde que respeitadas as doses recomendadas e observadas as contraindicações e os efeitos adversos. Considerando também as possíveis interações medicamentosas, seu emprego clínico deve ser orientado por avaliação profissional adequada, assegurando benefício terapêutico consistente ao paciente.
Referências:
ALEXANDRE, Rodrigo Fernandes et al. Fitoterapia Baseada em Evidências. Parte 2. Medicamentos Fitoterápicos elaborados com Alcachofra, Castanha-da-Índia, Ginseng e Maracujá. Acta Farmacéutica Banaerense, v.24, n.2, p.310-314, 2005.
ARAÚJO, Carolina de Barros Franco. Síntese de derivados solúveis de ß escina e algumas avaliações físico-químicas e biológicas. Dissertação (Mestrado em Tecnologia Químico-Farmacêutica) - Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, 2008.
BALBINO, Evelin Elfriede et al. Qualidade de medicamentos fitoterápicos contendo extrato de Aesculus hippocastanum registrados no Brasil. Vigilância Sanitária em Debate: Sociedade, Ciência & Tecnologia, v.2, n.3, p.71-79, 2014.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa nº 02, de 13 de maio de 2014. Brasília, DF: Anvisa, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2014/int0002_13_05_2014.pdf. Acesso em: 29 ago. 2025.
MELO, Joabe Gomes de et al. Qualidade de produtos a base de plantas medicinais comercializados no Brasil: castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum L.), capim-limão (Cymbopogon citratus (DC.) Stapf) e centela (Centella asiatica (L.) Urban). Acta Botanica Brasilica, vol.21, n.1, pag.27-36, 2007.
NICOLETTI, Maria Aparecida et al. Principais interações no uso de medicamentos fitoterápicos. Infarma - Ciências Farmacêuticas, v.19, n.1-2, p.32–40, 2013.
OLIVEIRA, Aryanne Teixeira. Castanha da índia (Aesculus hippocastanum L.): Um agente em potencial como tratamento dos distúrbios circulatórios causados pelos anticoncepcionais hormonais orais. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Farmácia) - Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Estadual da Paraíba, 2021.
RIGO, Marinês Pérsigo Morais et al. Perfil medicamentoso e a frequência da associação entre castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum L.) e anticoagulantes em usuários da Farmácia Escola do município de Lajeado/RS. Rev. Delos, v.18, n.63, p.1-23, 2025.