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| EMERGÊNCIAS EM SAÚDE MENTAL: ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR EM TENTATIVAS DE SUICÍDIO | |
| 1NIARA ARANTES OLIVEIRA SILVA, 2ANA CAROLINA RIZZATTI, 3MARIA CAROLINA SAMPAIO DA SILVA, 4ANA KAROLINE NEGRE FREGOLENTE, 5AMANDA PAINI, 6REINALDO HIGASHI YOSHII | |
| 1Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense 2Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense 3Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense 4Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense 5Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense 6Docente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense |
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| Introdução: As emergências psiquiátricas, especialmente as tentativas de suicídio, representam um desafio complexo para os serviços de urgência e emergência. O comportamento suicida envolve qualquer forma de lesão provocada pela própria pessoa, independente da intenção de morrer ou das razões que levaram ao ato (AURIEMA et al, 2023). Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2024) mais de 700 mil pessoas cometem suicídio anualmente e, para cada morte consumada, há, aproximadamente 20 tentantes. Além disso, cada vez que ocorrer uma tentativa, a chance de ocorrer outra posteriormente é ainda maior. Este fenômeno envolve ideação, planejamento, tentativa e consumação do ato, sendo multifatorial e influenciado por determinantes psicológicos, sociais e biológicos. (AURIEMA et al, 2023). No Brasil, segundo a Lei n° 10.216/2001, conhecida como Lei Antimanicomial e a rede de atenção psicossocial têm o compromisso de garantir uma assistência humanizada e de qualidade aos indivíduos que realizaram a tentativa de suicídio (BRASIL, 2001), mas ainda persistem estigmas, lacunas na capacitação e ausência de protocolos unificados que dificultam a efetividade das intervenções (MARTINIANO et al., 2024). Nesse contexto, a atuação multidisciplinar, contemplando aspectos físicos, psíquicos e sociais, é fundamental para prevenir recorrências e promover reabilitação integral (CASSINI & COSTA, 2023) (GUTIERREZ, 2014). Objetivo: Este estudo tem como objetivo revisar e analisar artigos disponíveis nas plataformas Google Acadêmico e SciELO, utilizando os descritores “tentativas de suicídio”, “abordagem multidisciplinar” e “emergência”, com foco nas estratégias de manejo do comportamento suicida em pacientes atendidos nos serviços de urgência e emergência hospitalar. Desenvolvimento: O manejo inicial em casos de tentativa de suicídio deve priorizar a estabilização clínica, com monitorização cardíaca, avaliação neurológica, controle de vias aéreas e intervenções específicas conforme o método utilizado; por exemplo, lavagem gástrica em ingestão de tóxicos (AURIEMA et al, 2023). Em paralelo, é fundamental realizar uma anamnese detalhada, considerando histórico psiquiátrico, fatores desencadeantes e risco de repetição, o que direciona condutas e permite intervenções preventivas. O acolhimento humanizado, apontado como estratégia central no atendimento em crise, fortalece o vínculo terapêutico e contribui para reduzir comportamentos defensivos ou de resistência (GUTIERREZ, 2014). Segundo Cassini & Costa (2023), a intervenção precoce, realizada logo após a estabilização clínica, deve integrar avaliação psicológica, escuta ativa e suporte à família, garantindo segurança e continuidade do cuidado. Apesar dessas diretrizes, existem algumas barreiras estruturais como: superlotação, insuficiência de espaços seguros e carência de profissionais treinados, as quais dificultam a oferta de um atendimento integral (MARTINIANO et al., 2024). Em muitos serviços, a conduta ainda se concentra na medicalização e contenção física, negligenciando o encaminhamento adequado e a abordagem psicossocial (AURIEMA et al, 2023). Essas lacunas comprometem a reabilitação e aumentam o risco de novas tentativas. A literatura também destaca que a abordagem multidisciplinar deve envolver médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras, em atuação articulada (CASSINI & COSTA, 2023). O encaminhamento pós-alta para Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou serviços especializados é passo fundamental, devendo ocorrer com comunicação formal e documentada ao serviço de destino, garantindo que o acompanhamento contínuo seja efetivado (MARTINIANO et al., 2024). Outro ponto central é a capacitação permanente das equipes de urgência e emergência. Programas que combinam treinamento técnico com desenvolvimento de habilidades comunicacionais e de manejo emocional têm se mostrado eficazes na redução do estigma e no aumento da resolutividade clínica (MARTINIANO et al., 2024) (GUTIERREZ, 2014). Cassini & Costa (2023) reforçam que, sem preparo para lidar com a dimensão emocional do atendimento, há maior risco de condutas mecanizadas e pouco humanizadas, que afastam o paciente do cuidado. Conclusão: A revisão da literatura evidenciou que o manejo das tentativas de suicídio em contextos de urgência e emergência exige ações integradas que vão além da estabilização clínica imediata. As estratégias mais eficazes envolvem acolhimento humanizado, escuta qualificada, avaliação interdisciplinar e encaminhamento estruturado para continuidade do cuidado, especialmente em serviços como os CAPS. No entanto, desafios como a ausência de protocolos unificados, a carência de profissionais capacitados e a predominância de práticas centradas na medicalização ainda comprometem a efetividade dessas abordagens. Dessa forma, reforça-se a importância da atuação multidisciplinar como eixo central para o manejo adequado do comportamento suicida nesses serviços, conforme proposto neste estudo. |
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| Referências: AURIEMA, Gabriela Alves et al. Manejo do paciente suicida na urgência e emergência. Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 5, p. 20701-20710, 2023. BRASIL. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 9 abr. 2001. CASSINI, Meire Rose de Oliveira Loureiro; DE SOUSA COSTA, Aline Júlia. ABORDAGEM AO PACIENTE EM RISCO E TENTATIVA DE SUICÍDIO: Do acolhimento e intervenção precoce à abordagem multiprofissional em saúde. Revista Interfaces: Saúde, Humanas e Tecnologia, v. 10, n. 3, p. 1554-1562, 2022. GUTIERREZ, Beatriz Aparecida Ozello. Assistência hospitalar na tentativa de suicídio. Psicologia USP, v. 25, p. 262-269, 2014. MARTINIANO, Felipe Santos Teixeira et al. ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR NO ATENDIMENTO DE SURTOS PSIQUIÁTRICOS EM AMBIENTES DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA. ARACÊ, v. 6, n. 2, p. 3767-3776, 2024. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Suicide rates. Global Health Observatory (GHO), 2024. Disponível em: https://www.who.int/data/gho/data/themes/mental-health/suicide-rates. Acesso em: 5 set. 2025. |
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