PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E DEMOGRÁFICO DAS TENTATIVAS DE SUICÍDIO POR INTOXICAÇÃO EXÓGENA NO MUNICÍPIO DE UMUARAMA-PR (2019–2024)  
1JHULLIE MUNIZ RODRIGUES, 2GABRIEL TISSIANI GUIS RUIZ, 3LETÍCIA OLIVEIRA DE QUEVEDO, 4RODRIGO NOGUEIRA MATIAS TORRES DE OLIVEIRA, 5ROSILEY BERTON PACHECO
1Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
2Discente Curso de Medicina da UNIPAR
3Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
4Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente do Curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: O suicídio representa um grave problema de saúde pública, com mais de 700 mil mortes anuais no mundo, sendo a tentativa de autoextermínio por intoxicação exógena um dos métodos mais frequentemente registrados nos serviços de saúde (Oms, 2006; Brasil, 2006). Esse método é favorecido pela ampla disponibilidade de agentes tóxicos, como medicamentos, pesticidas e produtos de uso doméstico (Vieira; Santana; Suchara, 2015). Estudos nacionais indicam que tais eventos predominam entre mulheres, jovens e residentes de áreas urbanas, configurando um padrão sociodemográfico que reforça a necessidade de intervenções direcionadas (Marcolan; Silva, 2019). Em Umuarama-PR, a carência de análises locais atualizadas dificulta o planejamento de ações preventivas específicas, justificando a presente investigação.
Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico e demográfico das tentativas de suicídio por intoxicação exógena notificadas no Pronto Atendimento Municipal de Umuarama-PR, no período de 2019 a 2024, visando subsidiar estratégias de prevenção e promoção da saúde mental.
Material e Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo e observacional, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pela Vigilância Epidemiológica do município. Foram incluídos todos os casos notificados como tentativa de suicídio por intoxicação exógena entre janeiro de 2019 e dezembro de 2024. As variáveis analisadas contemplaram: ano e mês da notificação, faixa etária, sexo, raça/cor, escolaridade, situação ocupacional, zona de residência, local e via de exposição, agente tóxico, tipo de exposição, tipo de atendimento, evolução clínica e classificação final.
Resultados: No período avaliado, foram notificados 240 casos. O perfil predominante foi feminino (75%), faixa etária entre 15 e 29 anos, raça/cor branca (64%) e residente na zona urbana (96%). A maioria apresentava ensino médio incompleto ou completo, com elevado número de desempregados ou ocupação ignorada. O local de exposição foi, em 93% dos casos, a residência. A via digestiva foi utilizada em 95% das ocorrências, sendo os medicamentos o principal agente tóxico (74%), seguidos por raticidas e agrotóxicos. Em relação ao tipo de exposição, 121 casos foram agudos e únicos, e 59, agudos repetidos. O atendimento ambulatorial foi o mais frequente, e a evolução clínica demonstrou cura sem sequela em 69 casos, cura com sequela em 1 e óbito confirmado em 1. A classificação final indicou intoxicação confirmada em 61 casos, “só exposição” em 22 e registros ignorados/brancos em 150 notificações. Discussão: Os resultados obtidos estão em consonância com a literatura nacional, que aponta maior prevalência de tentativas de suicídio por intoxicação exógena entre mulheres jovens, residentes de áreas urbanas e com uso predominante de medicamentos como agente tóxico (Marcolan; Silva, 2019; Vieira; Santana; Suchara, 2015). A concentração dos casos nas faixas etárias de 15 a 29 anos sugere vulnerabilidade psicossocial e necessidade de estratégias preventivas específicas para esse grupo. O predomínio do ambiente domiciliar como local de exposição reforça a importância de ações educativas voltadas ao armazenamento seguro de medicamentos e produtos potencialmente tóxicos. A elevada proporção de notificações com campos ignorados, especialmente na classificação final, evidencia fragilidades na vigilância epidemiológica local, comprometendo a completude dos dados e a formulação de políticas públicas adequadas (Brasil, 2006). Tais achados indicam a urgência de fortalecer a capacitação de profissionais para registro qualificado, ampliar o acesso aos serviços de saúde mental e implementar intervenções intersetoriais que considerem fatores socioeconômicos, culturais e comportamentais associados ao risco de autoextermínio.
Conclusão: O estudo evidenciou um perfil epidemiológico característico e alinhado a dados nacionais, atingindo o objetivo proposto. Os resultados indicam a necessidade de ações intersetoriais focadas na população jovem feminina, controle do acesso a medicamentos, aprimoramento da notificação e ampliação das estratégias de prevenção em saúde mental no município de Umuarama.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_prevencao_suicidio_profissionais_saude.pdf. Acesso em: mar. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde: volume único. 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_4ed.pdf. Acesso em: mar. 2025.
MARCOLAN, J. F.; SILVA, D. A. da. O comportamento suicida na realidade brasileira: aspectos epidemiológicos e da política de prevenção. Revista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer, v. 4, n. 7, p. 31–44, 1 set. 2019.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Prevenção do suicídio: um recurso para conselheiros. Genebra: OMS, 2006. Disponível em: https://www.who.int/mental_health/resources/prevention_of_suicide_counsellors.pdf. Acesso em: mar. 2025.
VIEIRA, L. P.; SANTANA, V. T. P. de; SUCHARA, E. A. Caracterização de tentativas de suicídios por substâncias exógenas. Cadernos de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 23, n. 2, p. 118-123, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1414-462X201500010074. Acesso em: mar. 2025.