ENTOMOFAUNA EM SISTEMAS ORGÂNICOS: DIVERSIDADE, POLINIZAÇÃO E CONTROLE DE PRAGAS  
1AMANDA MAYUMI FURUYAMA SATO, 2FRANCIELY DA SILVA PONCE, 3GESIVALDO ALVES DO NASCIMENTO, 4SILVIA GRACIELE HULSE DE SOUZA
1Academico bolsista do PIBIC/UNIPAR
2Departamento de Horticultura, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, São Paulo, Brasil
3Acadêmico do Curso de Mestrado Em Biotecnologia Aplicada à Agricultura da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A agricultura orgânica tem sido reconhecida como uma alternativa sustentável aos sistemas convencionais, promovendo benefícios ambientais e ecológicos relevantes. Entre suas contribuições destacam-se a conservação da fertilidade do solo, o sequestro de carbono, a redução do uso de combustíveis fósseis e a preservação da paisagem (DAR et al., 2021). Adicionalmente, esse sistema de manejo favorece a biodiversidade, especialmente da entomofauna, ao dispensar o uso de agrotóxicos sintéticos no controle de pragas. Essa característica resulta em maior abundância e diversidade de espécies de insetos, com destaque para os inimigos naturais, que desempenham papel fundamental no controle biológico (GRABOVSKA et al., 2020). Outro aspecto relevante da agricultura orgânica é a promoção da polinização, já que muitas interações planta-inseto possuem caráter mutualístico. Nesse contexto, os insetos não apenas garantem a transferência eficiente de pólen, mas também obtêm recursos essenciais, como néctar e pólen, fundamentais para sua sobrevivência (ALLISON et al., 2023). Dessa forma, a presença e diversidade de polinizadores em sistemas orgânicos impactam diretamente tanto a quantidade quanto a qualidade da produção agrícola. 
Objetivo: Este trabalho teve como objetivo compreender como o cultivo orgânico pode favorecer a biodiversidade de insetos e, consequentemente, contribuir para a polinização, o controle biológico de pragas e o equilíbrio do ecossistema, promovendo a sustentabilidade e a produtividade das culturas.
Desenvolvimento: Os cultivos orgânicos apresentam, em média, uma fauna de artrópodes cerca de um terço mais diversa do que os sistemas convencionais, abrangendo maior variedade de espécies, famílias e ordens. Além disso, os inimigos naturais (parasitoides, predadores, aves e outros insetos predadores não artrópodes) são mais abundantes nesse tipo de manejo, uma vez que o habitat é mais conservado e oferece condições adequadas para seu estabelecimento (DAR et al., 2021). Os insetos são fundamentais para a manutenção dos agroecossistemas uma vez que interferem na produção primária do cultivo, assegurando a estabilidade ambiental por meio de processos essenciais, como: polinização, ciclagem de nutrientes, regulação microclimática, aumento da fertilidade no solo e controle de pragas. Entretanto, nas últimas décadas, a redução da biodiversidade de insetos tornou-se uma preocupação global, sendo associada principalmente às ações antrópicas e à intensificação da agricultura (SÁNCHEZ-BAYO; WYCKHUYS, 2019). O uso indiscriminado de agrotóxicos, aliado ao manejo inadequado e à visão de que todo inseto causador de danos deve ser considerado exclusivamente praga, tem agravado esse cenário (MERCADANTE et al., 2018). Em contrapartida, a agricultura orgânica dispõe de poucas substâncias ativas aprovadas, o que pode favorecer os agentes de controle natural e biológico na supressão de pragas e doenças (DAR et al.,  2021). Adicionalmente um maior número de espécies polinizadoras em cultivos orgânicos em comparação com os sistemas convencionais tem sido relatado. Como consequência, a proporção de frutos totalmente polinizados tende a ser superior nesse sistema (DAR et al., 2021). A maioria dos insetos polinizadores pertence às ordens Hymenoptera (abelhas, formigas e vespas), Diptera (moscas), Lepidoptera (borboletas e mariposas) e Coleoptera (besouros) (ALLISON, 2023). 
Conclusão: O cultivo orgânico constitui a base para estratégias de manejo de pragas mais equilibradas, contribuindo para o prolongamento sustentável da produção agrícola. Ao favorecer a biodiversidade entomológica, esse sistema promove a presença de espécies benéficas que auxiliam no controle biológico, fortalecem a polinização e melhoram a interação planta/inseto dentro do ecossistema. Dessa forma, a agricultura orgânica não apenas garante maior produtividade e qualidade das culturas, mas também preserva os serviços ecossistêmicos essenciais à estabilidade dos agroecossistemas.
Referências:
ALLISON, J. D. et alForest Entomology and Pathology, v. 1: entomology. Springer Nature, Universidade de Pretoria, Africa do Sul, 2023. 
DAR, S. A. Insect Pest Management in Organic AgricultureA Fast Growing Approach of 21st Century, International Journal of Agriculture, Environment and Sustainability, v. 3, n. 1, p. 1-6, 2021.
GRABOVSKA, T. et al. Effect of organic farming on insect diversity; Ukrainian Journal of Ecology, v. 10, n. 4, p. 96-101, 2020.
MERCADANTE, Maria Eugênia Gobbo et al. Controle de Saúvas (Atta spp.) com Extrato das Folhas de Batata-Doce (Ipomoea batatas): Uma Experiência Promissora. Cadernos de Agroecologia, v. 13, n. 2, p. 10-10, 2018.
SÁNCHEZ-BAYO, F.; WYCKHUYS, K. A. G. Worldwide decline of the entomofauna: a review of its drivers. Biological Conservation, v. 232, p. 8-27, 2019.