PERFIL CLÍNICO E FATORES PREDISPONENTES DA COLELITÍASE NO BRASIL  
1NIARA ARANTES OLIVEIRA SILVA, 2MARIA LUIZA PELUCI DE PAULA, 3MARIA FERNANDA PAPINI DO NASCIMENTO, 4JOÃO VITOR GENARO POUBEL DE SOUZA, 5PAULO ROBERTO SCARPANTE
1Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense
2Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense
3Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense
4Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense
5Docente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense
Introdução: A colelitíase é uma condição prevalente no Brasil, caracterizada pela formação de cálculos biliares na vesícula biliar, decorrentes do acúmulo de substâncias como colesterol, bilirrubina e sais biliares. Essa condição pode acarretar complicações como colecistite, pancreatite e colangite. Sua fisiopatologia envolve a supersaturação da bile, hipomotilidade da vesícula biliar e fatores genéticos, ambientais e comportamentais (GOMES et al., 2024). Apesar de frequentemente assintomática, constitui importante causa de morbidade e internações hospitalares, sobretudo em mulheres adultas.
Objetivo: Descrever o perfil clínico e os fatores predisponentes à colelitíase no Brasil, utilizando dados epidemiológicos do SUS e revisão de literatura científica.
Desenvolvimento: Diversos fatores contribuem para a formação de cálculos biliares. O sexo feminino é um importante determinante, pois os hormônios estrogênio e progesterona favorecem a supersaturação de colesterol e reduzem a motilidade vesicular. A obesidade e a síndrome metabólica também são condições fortemente associadas, já que o excesso de tecido adiposo promove alterações no metabolismo lipídico, aumentando o risco de litogênese. Além disso, a história familiar positiva e fatores genéticos específicos, como variantes nos genes ABCG5 e ABCG8, têm sido relacionados ao desenvolvimento da doença (GOMES et al., 2024). Ribas et al. (2024) ressaltam que, no público pediátrico, a obesidade infantil tem se tornado um fator crítico. Entre 2013 e 2023, as internações por colelitíase em crianças aumentaram progressivamente, sendo que 68,2% ocorreram entre 10-14 anos. Isso reforça que o problema não se restringe a adultos, mas também reflete a epidemia de obesidade em idades precoces. No âmbito dos hábitos de vida, dietas ricas em gorduras saturadas e carboidratos refinados, associadas ao baixo consumo de fibras, contribuem para a alta incidência da doença. Situações de jejum prolongado  e perda rápida de peso, comuns após cirurgias bariátricas, também aumentam a predisposição à formação de cálculos (VEIGA et al., 2024). Do ponto de vista epidemiológico, a análise de Oliveira (2024) mostrou, entre 2010 e 2019, maior concentração de casos no sexo feminino e nas faixas etárias de 40-59 anos, além de predominância de internações em caráter eletivo e em hospitais privados. Esses achados reforçam que a doença se associa à idade produtiva e acarreta forte impacto social. Os dados mais recentes do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), de junho de 2024 à junho de 2025, confirmam esse padrão: foram 422.954 internações por colelitíase e colecistite, sendo 76,4% em mulheres (323.349) e 23,6% em homens (99.605). A faixa etária de 40 a 59 anos concentrou 153.839 internações (36,3%), seguida de 30-39 anos, com 78.043 registros. Esses dados evidenciam o impacto da doença em indivíduos em idade produtiva e a maior vulnerabilidade feminina. O tratamento de escolha para casos sintomáticos ou complicados é a colecistectomia. A via laparoscópica é considerada padrão-ouro devido à menor morbidade, tempo de internação reduzido e recuperação mais rápida. Entretanto, a cirurgia aberta ainda é necessária em casos complexos ou de inflamação severa (VEIGA et al., 2024).
Conclusão: A colelitíase no Brasil apresenta perfil característico, predominando em mulheres de meia-idade, com forte associação à obesidade, fatores hormonais, hábitos alimentares inadequados e predisposição genética. O elevado número de internações registrado no último ano evidencia sua relevância em saúde pública. Estratégias de prevenção, como incentivo a hábitos alimentares saudáveis, controle do peso corporal e diagnóstico precoce, são fundamentais para reduzir a carga da doença. Além disso, a escolha da técnica cirúrgica deve ser individualizada, visando a segurança e a eficácia no manejo clínico.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS - DATASUS. Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Brasília: Ministério da saúde, 2025.
GOMES, R. L.; et al. Colelitíase - uma revisão abrangente sobre a epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico, abordagem conservadora e cirúrgica. Brazilian Journal of Health Review, 2024.
OLIVEIRA, L. K. M. M. de. Perfil epidemiológico da colelitíase e colecistite no Brasil de 2010 a 2019. TCC do Curso de Graduação em Medicina da Universidade Federal do Maranhão, Campus de Pinheiro, 2024.
RIBAS, J. F.; et al.  Epidemiologia da colelitíase e colecistite na infância: análise das internações hospitalares e da relação com a obesidade infantil em uma década. Brazilian Journal of Health Review, 2024.
VEIGA, L. C.; et al. Fatores de risco e técnica cirúrgica na colelitíase: uma revisão bibliográfica. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 2024.