ESTRATÉGIAS DE VACINAÇÃO E BIOSSEGURIDADE CONTRA PCV2 PARA UMA PRODUÇÃO SUINÍCOLA SUSTENTÁVEL   
1DIEGO FERREIRA DA SILVA, 2DÉBORA RHAYANNE DE MEDEIROS MATIAS, 3LUCAS LACERDA DE OLIVEIRA, 4ALESSANDRA MARNIE MARTINS GOMES DE CASTRO
1Doutor em Patologia Ambiental e Experimental- Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Patologia Ambiental e Experimental.
2Mestre em Patologia Ambiental e Experimental- Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Patologia Ambiental e Experimental- Universidade Pa
3Graduado em Biomedicina
4Docente da UNIP
Introdução: O circovírus suíno tipo 2 (PCV2) é considerado um dos patógenos mais importantes da suinocultura moderna, associado às doenças relacionadas ao circovírus suíno (PCVAD). Este agente viral apresenta elevada persistência ambiental, ampla distribuição global e frequente interação com coinfecções, acarretando perdas econômicas e impactos sanitários significativos. Apesar da eficácia comprovada das vacinas comerciais, a imunidade esterilizante não é atingida, o que torna necessária a implementação de estratégias vacinais contínuas e combinadas com medidas de biosseguridade. Neste contexto, compreender o papel da vacinação e das práticas de biosseguridade no controle do PCV2 é fundamental para reduzir perdas produtivas, minimizar impactos ambientais e fortalecer um modelo sustentável de produção animal.
Objetivo: Revisar criticamente as evidências científicas acerca das estratégias de vacinação e biosseguridade contra o PCV2, destacando sua relevância para a sustentabilidade da produção suinícola e a redução de impactos ambientais.
Desenvolvimento: Os estudos revisados demonstram que a vacinação contra PCV2 diminui de forma significativa a carga viral em animais e no ambiente, reduzindo a transmissão e as manifestações clínicas de PCVAD. Vacinas comerciais baseadas em PCV2a e formulações quiméricas induzem respostas humorais e celulares robustas, com destaque para células T CD4 multifuncionais e memória efetora. Ensaios comparativos mostraram proteção cruzada contra variantes emergentes como PCV2d, ainda que incompleta, reforçando a importância da vigilância genômica e da atualização periódica das estratégias vacinais. A introdução do conceito de auditoria imunológica, com métodos como ELISpot para células B de memória, representa avanço no monitoramento da imunogenicidade, permitindo distinguir vacinas mais eficazes mesmo em leitões com altos níveis de anticorpos maternos. Além disso, estudos de campo confirmam que protocolos vacinais adequados reduzem mortalidade, aumentam ganho médio diário de peso e diminuem o uso de antimicrobianos, contribuindo para eficiência econômica e mitigação de resíduos ambientais. A biosseguridade aparece como componente essencial para potencializar os efeitos da vacinação. Práticas como controle de entrada de patógenos, higienização rigorosa, manejo adequado de dejetos e monitoramento de fluxos reduzem a pressão infecciosa e previnem surtos. A integração entre vacinação e biosseguridade também previne coinfecções, como a associação entre PCV2 e PRRSV, que agravam o quadro clínico e aumentam perdas produtivas. Sob a perspectiva da sustentabilidade, a redução da excreção viral e do uso de antibióticos diminui o impacto ambiental e favorece o equilíbrio entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente, alinhando-se ao conceito de Única Saúde (One Health). Portanto, estratégias combinadas de vacinação e biosseguridade configuram-se como ferramentas centrais para uma produção suinícola eficiente, segura e ambientalmente responsável. 
Conclusão: As evidências disponíveis confirmam que a vacinação contra o PCV2, aliada a rigorosas medidas de biosseguridade, constitui estratégia indispensável para a sustentabilidade da suinocultura. Além de reduzir morbidade, mortalidade e perdas econômicas, essas práticas limitam a disseminação viral, melhoram indicadores produtivos e minimizam impactos ambientais. A implementação integrada de imunização, vigilância molecular e gestão sanitária fortalece o modelo de produção alinhado às exigências de sustentabilidade, bem-estar animal e segurança alimentar.
Referências:
FAN, J. et al. Evaluation of PCV2 vaccine immunogenicity and efficacy using ELISpot to detect virus-specific memory B cells. Porcine Health Management, [S. l.], 2025.
FRANZO, G. et al. PCV2 evolution before and after vaccination introduction: a large-scale epidemiological study. Scientific Reports, [S. l.], 2016.
LI, S. et al. Cellular immune signatures and differences of four PCV2 vaccines to heterologous PCV2d infection. npj Vaccines, [S. l.], 2025.
SEGALÉS, J. Best practice and future challenges for vaccination against PCV2. Expert Review of Vaccines, [S. l.], 2015.
SILVA, D. F. et al. Vaccination strategies to curb environmental spread of PCV2. South African Journal of Animal Science, [S. l.], 2024.
ZHAI, S. et al. Evaluation of PCV2 vaccination in natural field conditions and interaction with PRRSV. Veterinary Sciences, [S. l.], 2023.