CANDIDÍASE VAGINAL DE REPETIÇÃO: FATORES PREDISPONENTES E MANEJO  
1GIOVANNA DALLAGNOLO RODRIGUES DOS SANTOS, 2ANA JÚLIA MARQUES DONDONI, 3MARCELA OLIVEIRA CHIAVARI FREDERICO
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: De acordo com Furtado et al., (2018) a candidíase vulvovaginal é causada  por alterações na microbiota vaginal, favorecendo a colonização de leveduras como a Candida spp., em condições naturais são leveduras comensais da mucosa digestiva e genital, porém o desequilíbrio as tornam patogênicas. Conforme Brandolt et al., (2017) é considerada a segunda causa mais comum de infecção genital em mulheres durante a fase reprodutiva, com taxas de 40-50%, destas aproximadamente 5-8% desenvolvem um quadro de Candidíase Vulvovaginal Recorrente (CVVR), caracterizada por ≥ 4 episódios ao longo de doze meses.
Objetivo: Compreender quais fatores que predispõem a CVVR e quais medidas a serem tomadas frente a doença.
Desenvolvimento: A candidíase vulvovaginal (CVV) se encontra entre os principais problemas ginecológicos, com um aumento na prevalência nos últimos anos, a taxa de incidência chega a 2,5 casos de candidemia por 1.000 admissões hospitalares (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022). Segundo Pereira 2022, os fatores de riscos potenciais para  CVV incluem: gravidez, uso de antibióticos, prática alimentar irregular, uso de roupas com materiais sintéticos ou muito justas, prática de higiene inadequada, para CVVR além dos riscos já citados, histórico de vaginose bacteriana, terapia esteroidal, diabetes mellitus e contracepção hormonal podem favorecer para o aparecimento da doença. Rosa e Silva (2004) complementa, hábitos higiênicos inadequados entre eles, a higiene anal realizada no sentido do ânus para a vagina, e os resíduos de fezes nas calcinhas poderiam ser a origem das leveduras no desenvolvimento da CVV. Portanto, um diagnóstico preciso é importante para orientar o tratamento ou reconsiderar a terapia caso ela não seja eficaz. Alguns relatos indicam que a candidíase recorrente pode persistir por 1 a 2 anos ou até décadas (NEIF, et al., 2021). Costa et al., (2003) afirma que o tratamento irá depender do critério médico, quanto ao quadro clínico de cada paciente, porém os antifúngicos mais utilizados são da classe dos azóis, como por exemplo os medicamentos Fluconazol, Cetoconazol e Miconazol,e a classe dos polienos (Anfotericina B e Nistatina). Embora os medicamentos convencionais sejam geralmente a primeira escolha terapêutica para combater a candidíase, o aumento da resistência aos antifúngicos convencionais têm impulsionado a pesquisa sobre compostos derivados de plantas (FERRÃO, et al., 2020). Conforme Solano et al., (2020) pesquisas científicas com fitoterápicos como a cúrcuma, já comprovaram suas propriedades farmacológicas principalmente como antifúngicas e antimicrobianas. Outro componente fitoterápico é o orégano, cujo óleo possui a atividade inseticida, antioxidante, antibacteriana e antifúngica. O óleo essencial de orégano onites, por exemplo, apresentou em alguns resultados de pesquisas maior atividade antifúngica do que o cetoconazol (HACIOGLU, et al., 2021). Além do tratamento clínico, mudanças no estilo de vida, prática de exercícios físicos, higiene adequada, além de mudanças alimentares são medidas necessárias para auxiliar no tratamento da doença (RIBEIRO, et al., 2020).
Conclusão: A Candidíase Vulvovaginal Recorrente (CVVR) é uma condição de alta prevalência e com impacto significativo na qualidade de vida das mulheres, especialmente em idade reprodutiva. Seus fatores predisponentes como hábitos de higiene inadequados, uso de antibióticos, alterações hormonais, presença de comorbidades e estilo de vida inadequado contribuem para sua recorrência. Sendo assim, é essencial tanto o diagnóstico correto quanto o tratamento farmacológico adequado, além da adoção de medidas preventivas, como higiene íntima adequada, mudanças de hábitos alimentares e uso de roupas adequadas. O aumento das pesquisas sobre alternativas fitoterápicas também se mostra uma estratégia promissora para ampliar as opções terapêuticas, visto que há um aumento da resistência aos antifúngicos convencionais. Assim, o manejo da CVVR deve ser multidisciplinar, integrando ações de prevenção, tratamento medicamentoso e orientação da paciente, visando reduzir os índices de recorrência e melhorar a saúde ginecológica.
Referências:
BRANDOLT, T. M. et al. Prevalence of Candida spp. in cervical-vaginal samples and the in vitro susceptibility of isolates. Brazilian Journal of Microbiology, v. 48, n. 1, p. 145–150, 2017. 
BRASIL. Ministério da Saúde. CONITEC. Anidulafungina para o tratamento de candidíase invasiva em pacientes adultos. 2022. 
COSTA, R. F. et al. Candidíase vaginal: aspectos clínicos e terapêuticos. Revista Científica da Master, v. 1, n. 1, p. 1–8, 2003. 
FERRÃO, S. K. et al. Atividade antifúngica de óleos essenciais frente a Candida spp./Antifungal activity of essential oils against Candida spp. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 3, n. 1, p. 100–113, 2020. 
FURTADO, T. S. et al. Fatores predisponentes na prevalência da candidíase vulvovaginal. ResearchGate, 2018.
HACIOGLU, M. et al. Oregano essential oil inhibits Candida spp. biofilms. Zeitschrift für Naturforschung C, v. 76, n. 11–12, p. 443–450, 2021.
NEIF, D. R. et al. Candidíase vaginal recorrente: revisão de literatura. Revista Eletrônica Interdisciplinar, v. 1, n. 1, p. 1–7, 2021. 
SOLANO, N. A. A. et al. Efecto antimicrobiano de curcumina sobre Enterococcus faecalis, Escherichia coli, Staphylococcus aureus y Candida albicans. Nova Scientia, v. 12, n. 25, p. 1–14, 2020. 
PEREIRA, E. P. R.; NÓBREGA, P. A. S.; PASSOS, S. G. As dificuldades encontradas pela mulher na prevenção contra a candidíase vulvovaginal. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 5, n. 10, p. 198–212, 2022. 
RIBEIRO, F. C. et al. Action mechanisms of probiotics on Candida spp. and candidiasis prevention: an update. Journal of Applied Microbiology, v. 129, n. 2, p. 175–185, 2020. 
ROSA, D. D. S.; SILVA, E. K. A. Prevalência de Candida spp. em mulheres atendidas no ambulatório de ginecologia. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 26, n. 9, p. 649–655, 2004.