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| DA MUCOSA AO CÉREBRO: O PAPEL DO ESTRESSE NA FISIOPATOLOGIA DA DISPEPSIA FUNCIONAL | |
| 1TAYNARA DE OLIVEIRA ROCHA, 2SOPHYA SOUZA TOSCANO, 3GIOVANNA DE LIMA TAMIOSO, 4PAULO ROBERTO SCARPANTE | |
| 1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A dispepsia funcional (DF) é um distúrbio da interação intestino-cérebro, com prevalência estimada em cerca de 40% nos países ocidentais e 30% na Ásia, e apesar da ausência de alterações estruturais no trato gastrointestinal, os indivíduos acometidos frequentemente apresentam comprometimento significativo da qualidade de vida, decorrente de dor ou desconforto abdominal superior de caráter crônico ou recorrente (Oshima, 2023). Os sintomas podem manifestar-se após a alimentação, como na síndrome do desconforto pós-prandial, ou surgir de forma independente da ingestão alimentar, caracterizando a síndrome da dor epigástrica, associado a isso, na ausência de biomarcadores específicos, o diagnóstico é estabelecido com base em critérios clínicos, sendo os de Roma IV os mais recentes e amplamente utilizado (Vanuystel; Bercik; Boeckxstaens, 2023). Ademais, esses distúrbios mostram-se particularmente sensíveis ao estresse, que pode atuar tanto como fator desencadeante quanto agravante dos sintomas, pois evidências apontam que experiências estressantes ao longo da vida — especialmente na infância e idade adulta — estão associadas ao aumento da gravidade clínica, incluindo maior dor abdominal, sofrimento psicológico e prejuízos na qualidade de vida (Grover; Vanuystel; Chang, 2025). Objetivo: Realizar uma revisão de literatura sobre a associação entre dispepsia funcional e estresse psicológico, destacando os mecanismos fisiopatológicos relacionados ao eixo intestino-cérebro. Desenvolvimento: Os distúrbios da interação intestino-cérebro (DGBI) resultam de mecanismos fisiopatológicos complexos envolvendo componentes periféricos e centrais. No plano periférico, destacam-se alterações na motilidade, sensibilidade e permeabilidade gastrointestinais, as quais não atuam de forma isolada, mas interagem entre si e modulam a sinalização para o sistema nervoso central (Grover; Vanuystel; Chang, 2025). Desse modo, a disbiose microbiana, caracterizada por alterações na composição e função da microbiota intestinal, contribui para a hipersensibilidade visceral, comprometendo a integridade da mucosa e promovendo ativação de mastócitos e eosinófilos, o que está associado à microinflamação observada em pacientes com DF (Oshima, 2023; Grover; Vanuystel; Chang, 2025). Somam-se a isso, pesquisas populacionais que indicam que fatores como tabagismo, consumo abusivo de álcool, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, ansiedade, depressão e maior vulnerabilidade ao estresse estão relacionados ao surgimento da DF (Volaric et al., 2024). Nesse contexto, o estresse psicológico compromete a barreira intestinal por meio da ativação de mastócitos, mediada pelo hormônio liberador de corticotropina (CRH), produzido no hipotálamo e também liberado por eosinófilos no TGI. Esse processo aumenta a permeabilidade intestinal, enquanto alterações na expressão do receptor CRHR2, envolvido na regulação anti-inflamatória e manutenção da integridade da barreira, reforçam o papel do estresse na disfunção da mucosa intestinal (Vanuystel; Bercik; Boeckxstaens, 2023). Assim, o comprometimento da barreira duodenal e a presença de microinflamação, associados a alterações no conteúdo duodenal — como ácidos, ácidos biliares, lipídios e microbiota —, intensificam a estimulação visceral, contribuindo para os sintomas dispépticos (Oshima, 2023). Esse cenário é influenciado por hábitos prejudiciais à saúde, que afetam diretamente motilidade, permeabilidade, inflamação e microbiota intestinal, enquanto o eixo cérebro-intestino, mediado pelo SNA e pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), intensifica a comunicação bidirecional entre cérebro e intestino (Volaric et al., 2024). Diante dessa complexidade, o manejo da DF deve ser multifacetado. Estratégias não farmacológicas incluem modificação dietética, como refeições menores e mais frequentes, redução de alimentos ultraprocessados e ricos em gordura, e práticas de manejo do estresse, incluindo técnicas de relaxamento e exercícios físicos (Oshima, 2023). Já as intervenções farmacológicas podem ser direcionadas à motilidade gastroduodenal, acomodação gástrica e hipersensibilidade visceral, incluindo agentes pró-cinéticos, moduladores da secreção gástrica e estabilizadores de mastócitos (Oshima, 2023; Vanuystel; Bercik; Boeckxstaens, 2023). Dessa forma, a combinação de alterações fisiológicas e fatores psicológicos influencia a experiência da doença, a gravidade dos sintomas e os desfechos clínicos, reforçando a importância dos aspectos psicossociais para compreender a patogênese da DF e orientar estratégias terapêuticas integradas (Volaric et al., 2024). Conclusão: O estresse psicológico tem impacto como um fator na fisiopatologia da dispepsia funcional, tanto como um gatilho de sintomas, quanto modulador da integridade da barreira intestinal e da resposta imune local, o que sublinha a importância de avaliar fatores psicossociais no diagnóstico da DF. Portanto, a incorporação de estratégias de manejo do estresse ao tratamento convencional é fundamental para otimizar os desfechos clínicos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. |
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| Referências: GROVER M. et al. Intestinal Permeability in Disorders of Gut-Brain Interaction: From Bench to Bedside. Gastroenterology v. 168(5) p. 1041, 2025. DOI: 10.1053/j.gastro.2025.02.018. Disponível em: https://doi.org/10.1053/j.gastro.2024.08.033. Acesso em: 20 Aug 2025. OSHIMA, TADAYUKI. “Functional Dyspepsia: Current Understanding and Future Perspective.” Digestion v. 105,(1) p. 26-33, 2023. DOI:10.1159/000532082. Disponível em: https://doi.org/10.1159/000532082. Acesso em: 20 Aug 2025. VANUYTSEL, TIM et al. “Understanding neuroimmune interactions in disorders of gut-brain interaction: from functional to immune-mediated disorders.” Gut v. 72,(4) p. 787-798, 2023. DOI:10.1136/gutjnl-2020-320633. Disponível em: https://doi.org/10.1136/gutjnl-2020-320633. Acesso em: 20 Aug 2025. VOLARIĆ, MILE et al. “The Association between Functional Dyspepsia and Metabolic Syndrome-The State of the Art.” International journal of environmental research and public health v. 21,2 p. 237, 2024, DOI:10.3390/ijerph21020237. Disponível em: https://doi.org/10.3390/ijerph21020237. Acesso em: 20 Aug 2025. |
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