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| ENTRE O VÍRUS E A DOR SILENCIOSA: O USO DE ANTIDEPRESSIVOS EM PESSOAS COM HIV/AIDS | |
| 1ALLAN PANTANO, 2EDUARDA MENETRIER GIBIKOSKI, 3VOLMIR PITT BENEDETTI | |
| 11- Discente de Enfermagem, PIC/Unipar – Francisco Beltrão – PR 21- Discente de Enfermagem, PIC/Unipar – Francisco Beltrão – PR 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Atualmente, cerca de 39 milhões de pessoas vivem com HIV/AIDS em todo o mundo, e a cada ano, aproximadamente 1,3 milhão de novos casos são notificados segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2024). O combate à epidemia no Brasil teve início logo nos anos 80, com expressiva mobilização de diversos setores da sociedade, baseados em princípios de solidariedade e luta por direitos iguais. A trajetória dessa luta foi marcada por alianças entre o Estado e as organizações, além da disseminação de informações pelos meios de comunicação (Calazans et al., 2023). Apesar do progresso em relação às antigas crenças sociais, ainda perduram na atualidade o preconceito e a desinformação diante da patologia em questão. Estudos demonstram que as pessoas vivendo com HIV/AIDS apresentam maior predisposição a desenvolver transtornos mentais, em especial a depressão, podendo comprometer a qualidade de vida dos pacientes. Nesse cenário o uso de antidepressivos surge como uma estratégia para o cuidado integral, atuando na redução do sofrimento psíquico das pessoas acometidas pela patologia (Freitas, et al., 2021). Objetivo: Traçar o perfil clínico e social de pacientes vivendo com HIV/AIDS que fazem uso de medicamentos antidepressivos em um serviço de saúde do Sudoeste do Paraná Materiais e métodos: O estudo foi desenvolvido no SAE/CTA (Serviços de Assistência Especializada/Centros de Testagem e Aconselhamento) de Francisco Beltrão/PR, onde acompanhou-se 324 pacientes infectados pelo vírus HIV. Nesta pesquisa foram coletados dados epidemiológicos, condições socioeconômicas, comportamentais e clínicas, e realizou-se a avaliação das condições de saúde mental dos participantes. As informações foram recolhidas no período de 2020 a 2024. Este trabalho foi aprovado pelo Conselho de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, estando sob registro de protocolo 3667278. Resultados: Foram avaliados 324 pacientes com HIV/AIDS no sudoeste do Paraná, no período de 2020 a 2024, destes 66(20,4%) faziam uso de algum tipo de antidepressivo, sendo a fluoxetina o medicamento mais utilizado 27(40,9%). Entre esses, observou-se maior prevalência do sexo feminino 46 pacientes (70%), enquanto os homens somavam cerca de 20 casos (30%). A faixa etária predominante foi de 45 e 65 anos, com 39(59,1%). Em relação a cor/raça verificou-se que 36(55%) dos usuários de antidepressivos se autodeclaram brancos, seguidos por 23(35%) pardos, 4(5%) pretos e 2(2%) amarelos. Quanto ao nível de escolaridade, sobressai-se a baixa escolaridade, sendo que 40 pacientes (60%) possuíam ensino fundamental incompleto. Em relação ao estado civil, as pessoas solteiras corresponderam 27(40%). Já em relação a renda, a maior parte dos pacientes relataram renda em torno de um salário-mínimo 23(35%) e 30(45%) entre um e três salários-mínimos e por fim, apenas 13(19,7%) acima de três salários-mínimos. Discussão: Uma pesquisa realizada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas (UNAIDS, 2024), revela que 46.3% dos participantes sofrem algum tipo de comentário preconceituoso e 41% deles disseram ter vivenciado essas situações dentro da sua família. O estudo também destaca outras formas de exclusão social, como perda de emprego 19,6% e, em casos mais graves, agressões físicas 6,0%. Neste contexto, existe uma relação entre e o HIV e transtornos mentais, visto que, os indivíduos que vivem com a patologia são estereotipados e rotulados negativamente perante a sociedade, causando sensação de inferioridade, isolamento e baixa autoestima. (Arruda, et al.,, 2021). Segundo Moraes (2022) ressalta que a baixa escolaridade é um fator de risco para a não adesão ao tratamento com os medicamentos antirretrovirais. Além disso, a falta de conhecimento e baixa renda socioeconômica aumentam a vulnerabilidade ao desenvolvimento de quadros depressivos. Dados estes estão em consonância com um estudo de (Yen et al.,2022) mostrando que a não adesão a TARV e a baixa qualidade de vida estão associados a depressão. Essas informações corroboram com os dados coletados nesta pesquisa, que evidenciam que a maioria dos pacientes que vivem com HIV/AIDS apresentam um baixo nível de escolaridade e renda de até um salário-mínimo. Conclusão: Neste estudo, foi possível observar que, um alto percentual dos pacientes que vivem com HIV/AIDS no Sudoeste do Paraná, faz uso de algum medicamento para transtornos mentais, sendo a fluoxetina o fármaco mais utilizado para o tratamento. Além disso, grande parte dos pacientes possuem um baixo nível de escolaridade e enfrentam dificuldades sociais e econômicas. Esses resultados nos sugerem que, por se tratar de pessoas com alto índice de vulnerabilidade faz-se necessário a criação de políticas públicas que integrem estratégias de apoio psicológico e psiquiátrico. Além de programas que abordem os aspectos sociais e emocionais, podendo assim, melhorar significativamente o bem-estar emocional das pessoas vivendo com HIV/AIDS. |
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| Referências: ARRUDA, Amanda Cordeiro da Silva et al. Risco para depressão entre pacientes convivendo com HIV-AIDS. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 4, p. e6908, 2021. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/6908. Acesso em: 25/08/2025 BRASIL.Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2024: número especial –dezembro de 2024. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos/2024. Acesso: 23/08/2025 BRASIL.UNAIDS. Boletim epidemiológico. UNAIDS, 2024. Disponível em: https://unaids.org.br/prevencao combinada/. Acesso em: 23 mar. 2025 CALAZANS, Gabriela Junqueira et al. Refazendo a prevenção ao HIV na 5ª década da epidemia: lições da história social da Aids. Saúde em Debate, v. 46, p. 207-222, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/Qr9cptjJJgsCKJzQnJtJ4bw/?format=html&lang=pt. Acesso: 24/08/2025 FREITAS, Gabriela Moreira et al. Variáveis psicossociais e adesão ao tratamento antirretroviral para HIV/Aids. Revista Psicologia e Saúde, 2021. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S2177-093X2020000400015. Acesso em: 29/08/2025 MORAES, Ricardo Pereira de. Depressão como fator de risco para não adesão aos ARTs em homens vivendo com HIV em São Paulo. 2022. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5179/tde-03102022-141206/pt-br.php. Acesso em: 27/08/2025 YEN, Yung Feng et al. Associação entre depressão e terapia antidepressiva com adesão á terapia antirretroviral e qualidade de vida relacionada a saúde em homens que fazem sexo com homens. Jornal Plos One, v.17, n.1, e0262771, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35213633/. Acesso em: 25/08/2025 |
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