QUEIMADURAS EM PACIENTES PEDIÁTRICOS: ABORDAGEM CLÍNICA E TERAPÊUTICA NA EMERGÊNCIA  
1ANA CAROLINA RIZZATTI GONÇALVES, 2BEATRIZ BARCELLOS RAMOS, 3LETICIA DE ALENCAR PASSOS BRAGA, 4MARIA EDUARDA BERNARDI GARCIA, 5GLAUCIA RODRIGUES CARDOSO
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: De acordo com Souza e Souza (2022), queimaduras são consideradas lesões ou traumas teciduais, causadas por qualquer agente, como calor, corrente elétrica ou substâncias químicas, resultando em repercussões locais, sistêmicas e metabólicas. A profundidade e a extensão da lesão estão relacionadas tanto à intensidade quanto ao tempo de exposição ao agente causador. Segundo Mohamed et. al. (2024), no paciente pediátrico, as queimaduras apresentam uma alta prevalência, sendo a segunda causa mais comum entre os incidentes que ocorrem na infância e a terceira causa de morte nas mesmas. Portanto, a elaboração de protocolos de atendimento, a abordagem multiprofissional,assim como a estruturação de centros especializados e unidades de terapia intensiva capacitadas para acolher este paciente têm contribuído para a redução da mortalidade, redução das sequelas funcionais, estéticas e psicológicas, melhorando a qualidade de vida destes pacientes (Souza e Souza, 2022).
Objetivo: Analisar as estratégias terapêuticas disponíveis para queimaduras na população pediátrica na emergência.
Desenvolvimento: De acordo com Guatimosim et al. (2023), queimaduras  correspondem  a  quarta  maior  causa  de  morte  e  segunda  maior  de hospitalização na faixa etária de 0 a 14 anos, além de potencial de causar sequelas importantes que serão carregadas ao longo da vida, destaca-se que a maioria das queimaduras nessa faixa etária ocorre em ambientes domésticos, principalmente  na  cozinha, pelo derramamento  de  líquidos  superaquecidos como  água quente, óleo  e  café,  possuindo  uma  topografia  clássica,  atingindo tronco, ombro e antebraço. Baseado em Azevedo et al. (2021), essas lesões são classificadas de acordo com o grau de comprometimento e extensão tecidual, com isso, quanto maior a profundidade e a extensão mais grave é o quadro do paciente, em  muitos  casos  o tratamento  é  doloroso,  demorado  e  deixa  marcas  tanto  físicas  como  psicológicas  na criança. Nesse contexto, os cuidados iniciais abrangem a manutenção da permeabilidade das vias aéreas do paciente, reposição de fluídos e controle da dor. Posteriormente, após a adoção das primeiras medidas e estabilização do paciente, inicia-se processo de tratamento das feridas, incluindo a manutenção da perfusão tissular, a preservação da integridade tecidual — mantendo a área higienizada e úmida — e a adoção de ações preventivas de infecção e proteção contra novos traumas, procedimentos que favorecem a cicatrização e contribuem para a manutenção da mobilidade e funcionalidade da região afetada (MARQUES et al., 2021). Como ressaltam Mohamed et. al. (2024), entre as abordagens terapêuticas, evidenciam-se o uso da nutrição enteral nas primeiras 24 horas após o trauma, controle rigoroso da dor, e a utilização de coberturas para queimaduras, como silicone, nylon e colágeno, que se mostraram eficazes na cicatrização de queimaduras com espessura parcial, oferecendo vantagens quanto ao tempo de recuperação, redução da área lesionada e controle da dor, com medidas farmacológicas e não farmacológicas. Adicionalmente, é fundamental a participação de pediatras, cirurgiões plásticos, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos no manejo desses pacientes. Conforme Duarte et. al. (2025), a membrana amniótica, obtida através da placenta humana, está sendo utilizada no tratamento de diversas patologias. Atualmente tornou-se tratamento de eleição para ajudar na cicatrização e ajudar a manter um leito adequado da ferida, bem como epitelização e funcionando como um protetor, controlando a inflamação, com seu efeito bacteristico, e diminuindo dor neuropática. Dessa forma, fica evidente que o paciente pediátrico queimado requer um tratamento complexo e o uso da membrana amniótica (MA) como cobertura temporária é um método conhecido e acessível. Nesse cenário, um grande recurso não farmacológico que está sendo muito utilizado e estudado atualmente é a realidade virtual (RV), que desvia a atenção do paciente do ambiente real para um cenário virtual interativo em 3D, promovendo distração durante procedimentos dolorosos (MARQUES et al., 2021). Sendo assim, conclui-se que centros de tratamento especializados com equipe multidisciplinar bem treinada são fundamentais para o manejo terapêutico correto, assim como o apoio psicossocial atuando no cuidado a longo prazo desses pacientes (GUATIMOSIM et al., 2023).
Conclusão: Dessa forma, pode- se  afirmar que a  queimadura  ainda é uma  das  maiores  causas  de  acidentes  na  infância e o manejo de queimaduras nesses pacientes pediátricos representa um desafio significativo, devido à complexidade e à gravidade das lesões, bem como à vulnerabilidade desta faixa etária. Entretanto, tem sofrido diversos avanços, impulsionados pela introdução de novas tecnologias, protocolos e abordagens, ademais, com a presente pesquisa pode-se observar  que o atendimento multidisciplinar foi de grande importância para a otimização dos resultados clínicos e redução da morbidade e mortalidade associadas a essas lesões.
Referências:
DE AZEVEDO, Isaque Alves et al. Atendimento de emergência ao paciente queimado na pediatria: uma revisão de literatura / Emergency care for burned patients in pediatrics: a literature review. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 3672–3681, 2021. DOI: 10.34119/bjhrv4n1-289. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/25277. 
DUARTE, Luciano Miguel et al. Uso de membrana amniótica como cobertura temporária em pacientes pediátricos queimados. Arquivos Catarinenses de Medicina, v. 54, n. 1, p. 315-321, 2025.  Disponível em: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/1718
GUATIMOSIM, Bruna Gonçalves et al. Perfil de morbimortalidade por queimadura em crianças e adolescentes no Brasil e seus impactos econômicos: uma análise da última década. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 6, n. 4, p. 17412–17423, 2023. DOI: 10.34119/bjhrv6n4-263. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/62123. 
MARQUES, Letícia Maues et al. Realidade virtual no controle da dor em pacientes pediátricos queimados. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 3, p. e6696-e6696, 2021. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/6696 
MOHAMED, Yasmin Ibrahim; ALMEIDA, Giovanna Sales Nogueira. Queimadura em pacientes pediátricos e seu manejo. Journal Archives of Health, v. 5, n. 3, p. e2377-e2377, 2024. Disponível em: https://ojs.latinamericanpublicacoes.com.br/ojs/index.php/ah/article/view/2377 
SOUZA, Thiago Gonçalves; SOUZA, Kellen Meneghel de. Série temporal das internações hospitalares por queimaduras em pacientes pediátricos na Região Sul do Brasil no período de 2016 a 2020. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, v. 37, n. 4, p. 438-444, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcp/a/hZWVFypzfmt3kh7vtStjkyD/?format=html&lang=pt