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| O SONO PODE IMPACTAR O PESO? UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ENTRE A COMPOSIÇÃO CORPORAL E A QUALIDADE DE SONO | |
| 1LUCAS GABRIEL DA SILVEIRA, 2NADJA KAMILA GALEGO, 3LUCIANO SERAPHIM GASQUES | |
| 1 Discente da Universidade Paranaense 2 Discente da Universidade Paranaense 3Docente da Universidade Paranaense |
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| Introdução: A obesidade se tornou um dos maiores problemas de saúde mundial, devido ao aumento acelerado do número de casos nas últimas décadas. Esse problema de saúde pública atingiu proporções pandêmicas e trouxe grandes impactos na saúde e economia mundial (Gasques et al., 2022). Desse modo, tornou-se um assunto amplamente discutido por ter uma grande influência no desenvolvimento de outras comorbidades como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares (Benoliel et al., 2021). Nessa perspectiva, vários fatores podem estar envolvidos para o ganho de peso, principalmente a falta de um padrão de sono de qualidade. Essas alterações do sono interferem em diferentes vias metabólicas, especialmente no metabolismo da glicose, lipídeos, resposta inflamatória, transcrição genética e disfunções neuroendócrinas e metabólicas, como redução dos níveis de leptina e aumento dos níveis de grelina, aumentando dessa forma o apetite e a ingestão alimentar (Souza et al., 2023). Objetivo: Verificar na literatura científica a influência da alteração do sono sobre o ganho de peso. Desenvolvimento: O sono e o ciclo circadiano têm seu efeito sobre o corpo humano explorado pela área da cronobiologia. Esta área do conhecimento foi responsável por analisar a relação do descanso com a obesidade correlacionando a redução dos períodos de repouso, quando somada a outros fatores, pode acarretar o ganho de peso (Benoliel, et al., 2021). Segundo Souza, et al., (2023), a cada hora perdida de sono, as chances do indivíduo apresentar sobrepeso ou obesidade cresce, principalmente se for menor que seis horas de sono por noite. Esses indivíduos com sono inadequado apresentam aumento peso corporal, percentual de gordura corporal e circunferência abdominal, resultando em um maior IMC (índice me passa corporal). A privação do sono pode modificar os níveis de hormônios de grelina e leptina. De acordo com Rocha et al. (2017 apud Martins et al., 2001) a leptina de forma fisiológica é um hormônio secretado pelo tecido adiposo, que atua no sistema nervoso central diminuindo a ingestão alimentar e aumentando o gasto energético, ela regula também a função neuroendócrina e o metabolismo de gordura e glicose, através de várias substâncias, como a insulina. Nesse sentido, a redução das horas de sono causa um desbalanceamento hormonal favorecendo o aumento dos níveis de grelina circundante, hormônio responsável pelo apetite, e diminui os níveis de leptina, hormônio responsável pela saciedade, promovendo aumento na ingestão de alimentos (Rocha et al., 2017). Garaulet et al., 2011 apud Papatriantafyllou et al., 2022 realizaram um estudo transversal com indivíduos com sobrepeso e/ou obesidade em ambiente ambulatorial, onde foram detectado uma diferença significativa na redução do sono, alterações nos níveis de grelina e preferências noturnas em portadores do polimorfismo de nucleotídeo único (SNP) 3111T/C do gene CLOCK (circadian locomotor output cycles kaput), com um efeito significativo na perda de peso. Os pesquisadores levantaram a hipótese de que esse gene CLOCK pode afetar uma ampla gama de comportamentos relacionados à ingestão alimentar e à perda de peso. Ademais, estudos relatam que a privação do sono reflete nos hábitos alimentares, de modo que essas pessoas nesta condição tendem a ingerir alimentos mais calóricos, de forma que priorizam os alimentos industrializados, bem como reduzindo a ingestão de alimentos saudáveis derivados da agricultura. Dessa forma ocorre também o aumento no número de refeições no período noturno (Baron et al., 2011 apud Papatriantafyllou, et al., 2022), outro aspecto geralmente associado a privação de sono é a diminuição da prática de exercícios físicos, assim os distúrbios do sono e seus impactos fisiológicos ganharam força também como preditor do ganho de peso (Rocha et al., 2017). Conclusão: Foi possível concluir que a privação de sono está relacionada ao ganho de peso por meio do aumento do número de refeições e a redução da qualidade da alimentação a partir da desregulação dos hormônios e consequentemente do metabolismo, além de favorecer a diminuição da frequência de atividades físicas. Portanto, indivíduos que apresentam um declínio de horas de descanso, por necessidade ou preferência por suas características genéticas, adicionam chances reais de aumento do IMC e de adquirir as comorbidades que essa condição traz consigo. |
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| Referências: BENOLIEL, I. F.; et al. Cronobiologia: uma análise sobre como o relógio biológico pode ser um aliado na perda de peso e ganho de saúde / Chronobiology: an analysis on how the biological relationship can be an ally to lose weight and gain health. Brazilian Journal of Development, [S. l.], v. 7, n. 9, p. 90646–90665, 2021. DOI: 10.34117/bjdv7n9-294. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/36092. Acesso em: 27 ago. 2025. GASQUES, L. S.; et al. Obesidade genética não sindrômica: histórico,fisiopatologia e principais genes. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, Umuarama, v. 26, n. 2, p. 159-174, maio/ago. 2022. PAPATRIANTAFYLLOU, E.; et al. Privação de sono: efeitos na perda e manutenção do peso. Nutrients , v. 14 n. 8, p. 1549, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.3390/nu14081549. Acesso em: 27 ago. 2025. ROCHA, P. F.; et al. Obesidade x sono. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, [S. l.], v. 1, n. 1, 2023. Disponível em: https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/484. Acesso em: 27 ago. 2025. SOUZA, M. A. S.; et al. Associação entre qualidade do sono e composição corporal de profissionais de saúde de um hospital universitário. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento , [S. l.] , v. 12, n. 4, p. e0512440821, 2023. Doi: 10.33448/rsd-v12i4.40821 . Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/40821 . Acesso em: 27 ago. 2025. |
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