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| DOENÇA DE BERGER: DA IMUNOPATOGÊNESE ÀS ESTRATÉGIAS DE TRATAMENTO | |
| 1JULIA SANTOS SOARES, 2MYLENA SOARES DE ANDRADE NICOLAU, 3AMANDA HELOISY SCHUSTER, 4MARIA EDUARDA HAGA MATIUSSI, 5IZA PAULA DA SILVA PONDIAN | |
| 1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Doença de Berger, ou nefropatia por IgA, é caracterizada pelo acúmulo anômalo de imunoglobulina A nas membranas basais dos glomérulos, desencadeando processo inflamatório e dano progressivo ao tecido renal, com risco de evolução para insuficiência renal crônica (Sanchez-Russo et al., 2022). Trata-se da glomerulonefrite primária mais relevante no mundo, com apresentações clínicas heterogêneas que podem variar desde quadros indolentes e lentamente progressivos até formas de rápida deterioração da função renal (Clemente, 2023). Objetivo: Ressaltar os principais aspectos da Doença de Berger, incluindo sua etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas, critérios de diagnóstico e formas de tratamento. Desenvolvimento: A doença de Berger é caracterizada por uma série de processos imunológicos que resultam no depósito de imunoglobulina A (IgA) nos glomérulos renais, desencadeando inflamação e, eventualmente, danos renais (Chen et al., 2019). Acredita-se que o evento primário seja uma anomalia na produção de uma subclasse específica de IgA, conhecida como IgA1, que apresenta uma estrutura glicada anormal e têm reduzida capacidade de se degradar adequadamente, o que as torna mais propensas a se acumularem no organismo, especialmente nos rins (Knoppova et al., 2021). Esse processo começa no nível mucoso, particularmente no trato respiratório e gastrointestinal, onde a IgA normalmente atua como uma primeira linha de defesa imunológica, principalmente após infecções virais ou bacterianas (Paula et al., 2024). A proliferação excessiva dessas células e a inflamação associada podem causar a expansão do mesângio, comprometendo a capacidade dos glomérulos de filtrar o sangue de forma eficaz (Nihei et al., 2023). Ao longo do tempo, isso leva à glomeruloesclerose, uma condição em que os glomérulos se tornam cicatrizados e perdem sua função, culminando em proteinúria e, eventualmente, em insuficiência renal crônica (Nihei et al., 2023). O quadro clínico pode ser bastante variável, mas a hematúria é sem dúvida o sintoma mais característico e a proteinúria leve a moderada são achados comuns em fases iniciais da doença, enquanto pacientes em estágios avançados podem desenvolver hipertensão arterial e insuficiência renal crônica (Campos et al., 2024). Embora os exames de sangue para avaliar a função renal, como a creatinina sérica e a taxa de filtração glomerular (TFG), sejam importantes no contexto da nefropatia por IgA, eles frequentemente permanecem normais nos estágios iniciais (Selvaskandan et al., 2019). O diagnóstico da nefropatia por IgA é confirmado pela biópsia renal, que detecta os imunocomplexos à microscopia (Veloso et al., 2024). A abordagem terapêutica deve ser personalizada, considerando o quadro clínico do paciente, a lesão histológica, e os fatores de risco para a progressão da doença (Brasil, 2021). Pacientes de baixo risco, com poucas anormalidades urinárias, sem declínio na TFG, sem hipertensão e sem atividade histológica não necessitam de tratamento, somente de acompanhamento a longo prazo (Maixnerova & Tesar, 2020). Mas, aqueles que apresentarem proteinúria maior que 0,5g/dia e/ou hipertensão ou TFG reduzida devem ter o tratamento de suporte iniciado, visando o controle da pressão e a redução da proteinúria, com consequente preservação da TFG (Maixnerova & Tesar, 2020). Assim, a utilização de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e de bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA) tem mostrado eficácia na proteção renal a longo prazo (Reich et al., 2022). Conclusão: A doença de Berger é a glomerulonefrite primária mais prevalente no mundo e constitui importante causa de doença renal crônica. O diagnóstico Iprecoce, aliado ao acompanhamento clínico individualizado, é fundamental para retardar sua progressão. O tratamento deve ser individualizado, com ênfase no controle da proteinúria e da pressão arterial, sendo os inibidores da ECA e os bloqueadores de receptores de angiotensina fundamentais para a proteção renal a longo prazo. Dessa forma, a abordagem multidisciplinar e o acompanhamento contínuo são determinantes para retardar a progressão da doença e melhorar o prognóstico dos pacientes. |
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| Referências: BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da síndrome nefrótica primária em adultos. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. CAMPOS, Milena Figueiredo et al. Fisiopatologia e clínica da Nefropatia por IgA: Uma revisão de literatura. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento , v. 13, n. 7, pág. e9113746378-e9113746378, 2024. CHEN, Tingyu et al. Predição e estratificação de risco de desfechos renais na nefropatia por IgA. American Journal of Kidney Diseases , v. 74, n. 3, p. 300-309, 2019. CLEMENTE, Inês Amaro da Costa Corriça. Nefropatia de IgA: novas abordagens terapêuticas. 2023. Dissertação de Mestrado. Universidade do Porto (Portugal KNOPPOVA, Barbora et al. Patogênese da nefropatia por IgA: compreensão atual e implicações para o desenvolvimento de tratamentos específicos para a doença. Journal of Clinical Medicine , v. 10, n. 19, p. 4501, 2021. MAIXNEROVA, Dita; TESAR, Vladimir. Novos modos de tratamento da nefropatia por IgA. Revista internacional de ciências moleculares , v. 21, n. 23, p. 9064, 2020. NIHEI, Yoshihito; SUZUKI, Hitoshi; SUZUKI, Yusuke. Compreensão atual dos anticorpos IgA na patogênese da nefropatia por IgA. Frontiers in Immunology , v. 14, p. 1165394, 2023. Paula, A. C. A. L. et al. Doença de Berger: principais aspectos da doença. Journal of Social Issues and Health Sciences. 2024 REICH, Heather N.; FLOEGE, Jürgen. Como trato a nefropatia por IgA. Clinical Journal of the American Society of Nephrology , v. 17, n. 8, p. 1243-1246, 2022. SELVASKANDAN, Haresh et al. Novas estratégias e perspectivas no manejo da nefropatia por IgA. Nefrologia clínica e experimental , v. 23, n. 5, p. 577-588, 2019. SANCHES-RUSSO, L. et al. The Gut and Kindney Crosstalk in immunoglobulin A Nephropathy. Kidney360, v. 3, n. 9, p. 1630-1639, 27 jun. 2022. VELOSO, Bruna Carvalho et al. A abordagem da doença de Berger-Uma nefropatia provocada por IgA. Research, Society and Development, v. 13, n. 10, p. e09131047026-e09131047026, 2024. |
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