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| RELAÇÃO ENTRE CANDIDÍASE VULVOVAGINAL DE REPETIÇÃO E DISBIOSE INTESTINAL | |
| 1ROBERTA FERNANDA ROGONNI FERRARI, 2JAQUELINE DE BORTOLI SHIRABAYASHI, 3JULIANA SILVEIRA DO VALLE | |
| 1Doutoranda PPG em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos Taxista Prosup/CAPES UNIPAR 2Doutoranda PPG em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos Taxista Prosup/CAPES UNIPAR 3Docente dos PPG em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos e Biotecnologia Aplicada à Agricultura da UNIPAR |
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| Introdução: O corpo humano é colonizado por uma diversidade de microrganismos, especialmente no trato gastrointestinal (TGI), desempenhando um papel fundamental na regulação e no controle do crescimento de microrganismos exógenos (Oliveira; Domingues; Santos, 2023). Desequilíbrios na composição da microbiota intestinal, denominados disbiose, são reconhecidos como fator de risco para o desenvolvimento de infecções fúngicas alterando a resposta imune local e favorecendo o crescimento excessivo de Candida, seres microscópicos que coabitam a mucosa vaginal e transformam-se em patogênicos, quando o ambiente é favorável (Viana et al., 2024). A candidíase vulvovaginal (CVV) é uma doença comum do trato genital feminino, cujos principais agentes etiológicos são as leveduras do gênero Candida. O crescimento deste fungo está relacionado a fatores comportamentais, hábitos de higiene inadequados, uso de contraceptivos orais, gestação, doenças imunossupressoras, que aumentam a suscetibilidade do hospedeiro à infecção, a resposta inflamatória e ao desequilíbrio do pH vaginal (Brandolt et al., 2017). A relação entre disbiose intestinal e CVV, tem se destacado no entendimento das interações entre os sistemas digestivo, imunológico e genital, evidenciando a importância do tema e a necessidade de estratégias terapêuticas que possam integrar o tratamento da CVV e a promoção de uma microbiota intestinal saudável. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura sobre a microbiota intestinal e sua relação com a CVV. Desenvolvimento: A disbiose intestinal é um desequilíbrio na composição e diversidade da microbiota intestinal, que pode comprometer a homeostase do organismo. Esse desequilíbrio pode impactar negativamente a saúde sistêmica, incluindo a função imunológica e o equilíbrio do sistema urogenital feminino, favorecendo as desordens vaginais, como a CVV, estando frequentemente associadas à redução de lactobacilos, alterações na microbiota vaginal e à disbiose intestinal (Macena; Nascimento; Maynard, 2022). Candida albicans é o principal agente etiológico, trata-se de um fungo comensal que integra a microbiota normal das mucosas do TGI, respiratório e genital. Este organismo apresenta características oportunistas e patogênicas, particularmente em condições de desequilíbrio imunológico, o que favorece a proliferação excessiva e o desenvolvimento de infecções, como a CVV (Ribeiro et al., 2020). Sua prevalência é elevada, afetando uma porção considerável da população feminina, especialmente em idade fértil, com episódios recorrentes que podem impactar a qualidade de vida (Jacomini et al., 2022). Quando a mulher apresenta quatro ou mais episódios em um ano, as infecções são classificadas como candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR). Aproximadamente 138 milhões de mulheres por ano apresentam CVV, representando 3871 casos para cada 100.000 mulheres/ano (Pereira et al., 2021). O aumento da glicose sanguínea, alimenta o crescimento da Candida por atuar como substrato do fungo, criando condições propícias para o surgimento de CVVR. A disbiose intestinal, além de impactar negativamente a saúde feminina, resultando em distúrbios, aumenta a permeabilidade intestinal e desencadeia respostas inflamatórias, como as infecções por Candida (Viana et al., 2024). Em virtude da proximidade anatômica entre vagina e ânus, o TGI pode atuar como fonte de contaminação, favorecendo a incidência e recorrência da CVV (Paludo; Marin, 2018). Uma alimentação saudável, com restrição de carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados, associada à suplementação de probióticos, pode contribuir para a modulação da microbiota intestinal e, consequentemente, para a redução da CVV e das recorrências (Macena; Nascimento; Maynard, 2022). A recorrência da CVV está relacionada a fatores como a imunidade do hospedeiro e a resistência aos antifúngicos (Pereira et al., 2021). Diante da estreita e complexa interação entre a CVV e a composição da microbiota vaginal, a manipulação dirigida dessa microbiota representa uma estratégia terapêutica racional e promissora, tanto para a prevenção quanto para o manejo clínico da CVV. A prática clínica, no entanto, ainda carece de evidências robustas que comprovem os benefícios a longo prazo dessa abordagem integrada. Conclusão: Este estudo destaca a importância de considerar a interação entre a microbiota intestinal e vaginal no desenvolvimento da CVV, ressaltando a relevância da disbiose intestinal como um fator de risco e agravante para a infecção, além de contribuir para uma maior taxa de recorrência. Particular destaque tem a manutenção de uma dieta balanceada, evitando alimentos ultraprocessados e carboidratos refinados. A modulação do microbioma intestinal, por meio de probióticos e intervenções dietéticas, oferece uma estratégia promissora para o tratamento integrado da CVVR. Futuras pesquisas são necessárias para aprofundar a compreensão dos mecanismos imunológicos envolvidos e para validar a eficácia das terapias baseadas na restauração da microbiota. Espera-se que, com o avanço do conhecimento sobre o eixo intestino-vagina, novas abordagens terapêuticas possam ser adotadas, melhorando o manejo da CVVR. |
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| Referências: BRANDOLT, T. M. et al. Prevalence of Candida spp. in cervical-vaginal samples and the in vitro susceptibility of isolates. Brazilian Journal of Microbiology, v. 48, n.1, p. 145–150, 2017. Disponível em: https://www.sciencedirect.com. Acesso em: 28 ago. 2025. JACOMINI E. et al. Recurrent vulvovaginal candidiasis: a general overview of current perspectives. Brazilian Journal of Development, v.8, n.9, p. 64680-97, 2022. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br. Acesso em: 20 ago. 2025. MACENA, M. V. S.; NASCIMENTO, P. M. R.; MAYNARD, D. C. Disbiose intestinal e suas correlações com candidíase de repetição. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento , v. 11, n. 16, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org. Acesso em: 12 ago. 2025. OLIVEIRA, S. ; DOMINGUES, S. O. C.; SANTOS, F. S. Disbiose e sua relação com a Candidíase Vulgovaginal: Uma revisão narrativa. Revista Presença, v. 9, n. 21, p. 113-140, 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net. Acesso em: 25 ago. 2025. PALUDO, R. M.; MARIN, D. Relação entre candidíase de repetição, disbiose intestinal e suplementação com probióticos: uma revisão. Revista Destaques Acadêmicos, v. 10, n.3, 2018. Disponível em: https://www.univates.br. Acesso em: 25 ago. 2025. PEREIRA, L. C. et al. Vulvovaginal candidiasis and current perspectives: new risk factors and laboratory diagnosis by using MALDI TOF for identifying species in primary infection and recurrence. European Journal of Clinical Microbiology & Infectious Diseases, v. 40, n. 8, p. 1681-93, 2021. Disponível em: https://pm.c.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 10 ago. 2025. RIBEIRO, F. C. et al. Action mechanisms of probiotics on Candida spp. and candidiasis prevention: an update. Journal of Applied Microbiology, v. 129, n.2, p. 175-185, 2020. Disponível em: https://enviromicro-journals.onlinelibrary.wiley.com. Acesso em: 13 ago. 2025. VIANA, B. E. L. et al. Relação entre candidíase vulvovaginal recorrente e disbiose intestinal. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 3, p.15335, 2024. Disponível em: https://acervomais.com.br. Acesso em: 10 ago. 2025. |
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