CANDIDÍASE VULVOVAGINAL E UTILIZAÇÃO DE CONTRACEPTIVO ORAL COMO FATOR PREDISPONENTE  
1ROBERTA FERNANDA ROGONNI FERRARI, 2JAQUELINE DE BORTOLI SHIRABAYASHI, 3JAQUELINE DE BORTOLI SHIRABAYASHI, 4JAQUELINE DE BORTOLI SHIRABAYASHI, 5JULIANA SILVEIRA DO VALLE
1Doutoranda da Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, Bolsista PROSUP/CAPES, UNIPAR
2Doutoranda da Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, Bolsista PROSUP/CAPES, UNIPAR
3Doutoranda PPG em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos Taxista Prosup/CAPES UNIPAR
4Doutoranda PPG em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos Taxista Prosup/CAPES UNIPAR
5Docente da Pós-Graduação em Biotecnologia Aplicada à Agricultura e em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, UNIPAR
Introdução: A candidíase vulvovaginal (CVV) é uma infecção fúngica causada pelo crescimento excessivo de fungos do gênero Candida, sendo a maioria dos casos causada pela espécie Candida albicans. A CVV tem prevalência elevada entre mulheres em idade reprodutiva e está relacionada a um desequilíbrio na microbiota vaginal, frequentemente desencadeado por alterações fisiológicas, hormonais, imunológicas, antibioticoterapia ou fatores externos que comprometem os mecanismos de defesa locais (Amorim et al., 2024). Estima-se que cerca de 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de CVV ao longo da vida (Konaté et al., 2014). O uso de anticoncepcionais orais combinados (ACOs) pode alterar o equilíbrio da microbiota vaginal e favorecer o crescimento fúngico influenciando na recorrência da CVV (Spinillo et al., 1995). Assim, compreender a associação entre ACO e a incidência de CVV é fundamental para estratégias preventivas e terapêuticas mais eficazes no contexto da saúde pública.
Objetivo: Realizar uma revisão de literatura sobre a utilização de contraceptivos hormonais e sua relação com a CVV.
Desenvolvimento: A CVV é multifatorial e estrutura-se como uma interação complexa, considerada uma infecção oportunista, tendo alguns fatores predisponentes como elevados níveis de estrogênio, uso de antibióticos, uso de pílula anticoncepcional, gestação, imunossupressão, diabetes mellitus, higiene pessoal inadequada e dieta hiperglicêmica (Gonçalves et al., 2016). A incidência de CVV em mulheres que utilizam ACO pode ser maior, pois elevadas taxas de estrogênio contribuem para o aumento da produção de glicogênio pela mucosa vaginal, produzindo um ambiente rico em nutriente que é substrato para o desenvolvimento do fungo (Ang et al., 2021). Em um estudo realizado com o objetivo de apresentar o perfil de mulheres com CVV com base em análise de prontuários em uma unidade de pronto atendimento, mostrou-se que 64,4% das pacientes analisadas faziam uso de ACO como método contraceptivo, sendo o mais utilizado pelas mulheres acometidas pela CVV (Rovaris et al., 2025). Os resultados demonstraram uma prevalência elevada do uso de ACO entre as pacientes acometidas por CVV, sugerindo uma possível associação entre o uso contínuo desses fármacos e o desequilíbrio da microbiota vaginal. Acredita-se que os estrogênios sintéticos presentes nos anticoncepcionais possam favorecer a adesão e a proliferação de Candida spp. nas células epiteliais vaginais, estimulando receptores hormonais e induzindo a formação de hifas (Cheng; Yeater; Hoyer, 2006). Desta forma, os estudos apontam que o nível de estrogênio pode aumentar a chance de desenvolver CVV, contribuindo para a proliferação do fungo.
Conclusão: Há carência de estudos experimentais neste enfoque, não estabelecendo um consenso na literatura sobre a relação do uso de ACO e a incidência e/ou recorrência de CVV. Porém, há uma correlação entre a frequência elevada do uso de contraceptivos orais que contêm estrogênio e a incidência de CVV. Mais investigações são necessárias sob a perspectiva da saúde pública, considerando a ampla utilização de contraceptivos hormonais e a resistência a antibióticos que a CVV de recorrência tem ocasionado.
Referências:
AMORIM, R. M. et al. Candidíse vulvovaginal: aspectos clínicos, diagnótico e tratamento da candidíase vulvovaginal e sua prevenção. Revista Contemporânea, v. 4, n.9, e5879, 2024.
ANG, X. Y. et al. Lactobacilli reduce recurrences of vaginal candidiasis in pregnant women: a randomized, double-blind, placebo-controlled study. Journal of Applied Microbiology, v. 132, n. 4, 2021.
CHEN, G.; YEATER, K. M.; HOYER, L. L. Biologia celular e molecular da resposta estrogênica de Candida albicans. Revista Cell Eukaryot. v.5, p. 180-91, 2006.
GONÇALVES, B. et al. Vulvovaginal candidiasis: Epidemiology, microbiology and risk factors. Critical Reviews in Microbiology, v. 42, n. 6, p. 905-27, 2016.
KONATÉ, A. et al. Aetiologies and contributing factors of vulvovaginal candidiasis in Abidjan (Cotedʻ Ivoire). Journal of Medical Mycology,. v. 24, p. 93-99, 2014.
ROVARIS, A. F. et al. Perfil de pacientes com candidíase vulvogavinal. Revista Inova Saúde, v. 15, n. 4, p. 2317-2460, 2025.
SPINILLO, A. et al. The impact of oral contraception on vulvovaginal candidiasis. Contraception, v. 51, n. 5, p. 293-7, 1995.