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| PERFIL NUTRICIONAL E RASTREAMENTO METABÓLICO EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA | |
| 1ANDRESSA POLICENO, 2PAULA EDUARDA SCHLICHTING DUARTE, 3INDIOMARA BARATTO | |
| 1Acadêmica do Curso de Nutrição da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Nutrição da UNIPAR 3Docente do curso de nutrição da UNIPAR |
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| Introdução: O Transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que influência na comunicação, interação e comportamento da criança, se manifestando geralmente nos primeiros anos de vida (SBP, 2019; Souza; Forte, 2020). É frequente observar crianças com TEA com seletividade alimentar, caracterizado por pouco apetite, resistência a novos alimentos e recusa, intensificados por distúrbios sensoriais, podendo levar a uma dieta pobre nutricionalmente, contribuindo para deficiências de nutrientes, comprometendo o desenvolvimento (Rocha et al., 2019; Magagnin et al., 2018). Indivíduos com TEA são mais propensos a distúrbios gastrointestinais, constipação, diarreia e alterações na mucosa, que prejudicam a absorção e digestão de nutrientes, esses problemas podem intensificar os sintomas e afetar o bem-estar e o comportamento (Souza; Forte, 2020). A disbiose tem sido estudada em relação ao TEA, sugerindo que ela pode agravar os sintomas associados a esse transtorno, impactando negativamente o cérebro e aumentando os sintomas como hiperatividade, irritabilidade e dificuldade na comunicação (Gonçalves et al., 2022). Objetivo: Analisar o perfil nutricional e possíveis alterações em indivíduos com TEA. Material e Métodos: Se trata de um estudo observacional, descritivo e transversal, com abordagem qualitativa e quantitativa. Incluindo 19 crianças com TEA, entre 1 e 10 anos, de ambos os sexos, em acompanhamento em clínica no interior do paraná, selecionadas conforme assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). As informações foram obtidas através de medidas antropométricas, incluindo peso e altura, aplicação do Questionário de Rastreamento Metabólico, aplicação da Escala Labirinto de Avaliação do Comportamento Alimentar, a Versão Brasileira da escala de Neofobia Alimentar, e a utilização da escala de Bristol. Os dados obtidos foram organizados em planilhas no software Excel, e analisados por meio de estatística descritiva, considerando percentuais e frequências. Resultados: A pesquisa incluiu 19 crianças, com idade mínima de 1 ano, e máxima de 10 anos, sendo 52,6% (n=10) meninos e 47,4% (n=9) meninas. Na avaliação da saúde intestinal, 52,7% (n=10) apresentaram padrão normal, 36,8% (n=7) constipação severa e 10,5% (n=2) constipação leve. No rastreamento metabólico, 89,6% (n=17) apresentaram certeza de hipersensibilidade, 5,2% (n=1) indicativo de hipersensibilidade e 5,2% (n=1) saúde muito ruim. Em relação ao estado nutricional avaliado pelo índice de massa corporal (IMC), 42,3% (n=8) apresentavam eutrofia, 15,7% (n=3) apresentavam sobrepeso e 10,5% (n=2) estavam em risco de sobrepeso. Discussão: Em relação ao estado nutricional, avaliado pelo índice de massa corporal (IMC), foi analisado que a maioria das crianças estavam em eutrofia, sendo 42,3%, achados semelhantes aos observados por Melo et al. (2020), em que 37,4% dos participantes apresentaram eutrofia, indicando que, mesmo que a eutrofia seja predominante, também há casos de sobrepeso e risco de sobrepeso, pondendo estar relacionado com a seletividade alimentar. Na avaliação da saúde intestinal, foi verificado que a maior parte das crianças apresentaram uma condição intestinal normal (52,7%), porém, 47,3% apresentava constipação. Resultados semelhantes aos encontrados por Pitombo et al. (2019), em que 53,4% tinham hábito intestinal normal, e 46,6% apresentavam alguma alteração, sendo importante analisar a dieta desse público com mais cuidado, pois, é caracteristico o baixo consumo de fibras e as alterações gastrointestinais (Estrela, 2020). Em relação ao rastreamento metabólico, 89,6% apresentaram certeza de hipersensibilidade, 5,2% indicativo de hipersensibilidade e 5,2% saúde muito ruim, o que se compara a pesquisa realizada por Gonçalves et al. (2022) onde 53,2% das crianças apresentaram indicativo de hipersensibilidade, indicando uma alta prevalência de alterações metabólicas associadas a disbiose intestinal, e também se relaciona com a pesquisa de Sabino e Belém (2022), que destaca a elevada prevalência de disfunções gastrointestinais e disbiose intestinal em indivíduos com TEA, devido ao desenvolvimento de um processo inflamatório na mucosa intestinal e consequentemente aumento da permeabilidade intestinal. Conclusão: Pode-se concluir que crianças com TEA apresentam alterações gastrointestinais relevantes, como constipação e hipersensibilidade metabólica, indicando a presença de disbiose e impactos no estado nutricional. A maioria das crianças apresentavam eutrofia, porém, foi observado casos de sobrepeso e risco de sobrepeso, evidenciando o consumo inadequado de alimentos, dados que reforçam a importância da avaliação nutricional individualizada, e do acompanhamento multisciplinar, visando promover a qualidade de vida de indivíduos com TEA. |
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| Referências: BRASIL. Ministério da Saúde. TEA: saiba o que é o Transtorno do Espectro Autista e como o SUS tem dado assistência a pacientes e familiares. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/abril/tea-saiba-o-que-e-o-transtorno-do-espectro-autista-e-como-o-sus-tem-dado-assistencia-a-pacientes-e-familiares. Acesso em: 11 abr. 2025. GONÇALVES, Alícia Gleides Fontes, et al. Perfil nutricional e prevalência de disbiose intestinal em crianças com transtorno do espectro autista. Revista de Neurociências, v. 30, p. 1–26, 2022. MAGAGNIN, Tayná; ZAVADIL, Sthephane Catharine; NUNES, Rafael Zanaripe; NEVES, Letícia Evelyn Fernandes; RABELO, Juceli. Relato de experiência: intervenção multiprofissional sobre seletividade alimentar no Transtorno do Espectro Autista. Revista de Psicologia, v. 13, n. 43, p. 114–127, dez. 2018. MARTINEZ, Anna Paula; AZEVEDO, Gisele Regina de. Tradução, adaptação cultural e validação da Bristol Stool Form Scale para a população brasileira. Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 20, n. 3, p. [7 telas], maio/jun. 2012. MELO, Letícia de Araujo, et al. IMC e alterações do comportamento alimentar em pacientes com Transtorno do Espectro Autista / BMI and variations of eating behavior in patients with Autism Spectrum Disorder. Brazilian Journal of Development, [S. l.], v. 6, n. 7, p. 46235–46243, 2020. DOI: 10.34117/bjdv6n7-305. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/13117. PITOMBO, Victória Credidio; FERNANDES, Rita de Cássia Souza. Associação entre o consumo de glúten e o hábito intestinal de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista. Saúde (Santa Maria). São Paulo, v. 44, n. 4, p. 1-8, mar. 2019. DOI: https://doi.org/10.5902/2236583428321. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/28321. ROCHA, Gilma Sannyelle Silva, et al. Análise da seletividade alimentar de crianças com Transtorno do Espectro Autista. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 24, e538, 2019. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e538.2019. SABINO, Suellen Monike do Vale; BELÉM, Monica de Oliveira. A relação do transtorno do espectro autista e a disbiose intestinal: uma revisão integrativa. Journal of Health & Biological Sciences, v. 10, n. 1, p. 1–9, 2022. DOI: https://doi.org/10.12662/2317-3206jhbs.v10i1.4201.p1-9.2022. SOUZA, Cláudia Meurer; FORTE, Gabriela Carra. Autismo e nutrição: uma revisão de literatura. Revista da AMRIGS, Porto Alegre, v. 64, n. 2, p. 313–316, abr./jun. 2020. |
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