HIGIENE DAS MÃOS, HIGIENE CORPORAL E PEDICULOSE EM CRIANÇAS   
1TAUANA RODRIGUES DE MORAIS, 2DYENIFFER LIDIA CABRAL, 3LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmica do curso de enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR/ Francisco Beltrão
Introdução: A saúde escolar constitui espaço privilegiado para ações de promoção da saúde, uma vez que possibilita a construção de saberes e práticas desde a infância, fase em que os hábitos são estabelecidos e tendem a perdurar ao longo da vida (Santos et al., 2021). A pediculose, apesar de ser condição de baixa gravidade clínica, impacta diretamente a vida escolar e social da criança, podendo gerar constrangimentos, estigmas e exclusão social. Associada a hábitos de higiene inadequados, essa condição exige abordagem educativa que ultrapassa o tratamento medicamentoso, alcançando dimensões preventivas e comportamentais (Souza et al., 2023). O objetivo é realizar intervenção educativa voltada à promoção da saúde e prevenção de agravos entre crianças da educação infantil e do ensino fundamental.
Relato de caso: A intervenção ocorreu na Escola Municipal Madre Boaventura, em Francisco Beltrão, atendendo a crianças da educação infantil ao 5º ano, com diversidade socioeconômica. A ação educativa foi dividida em duas etapas: exposição dialogada com apoio de slides e vídeo sobre higiene corporal, prevenção da pediculose e lavagem das mãos; e oficina prática com tinta guache para simular micro-organismos, ajudando a identificar áreas negligenciadas na higienização. Para reforço, foram distribuídos folders ilustrados às famílias. A avaliação qualitativa observou o engajamento e a compreensão das crianças que se mostraram motivadas a aplicar o aprendizado.
Discussão: Abordar temas como higiene corporal, infestação por piolhos e higienização das mãos no ambiente escolar vai além da simples transmissão de regras. É um gesto de cuidado que envolve escuta, empatia e oferecimento de instrumentos, para que as crianças cresçam de forma saudável e com confiança (Oliveira et al., 2023). A higiene das mãos é um hábito simples, mas extremamente importante para promoção da saúde, principalmente em ambientes como escolas, em que o contato entre as crianças é constante. Incentivar a lavagem correta das mãos de forma lúdica, usando brincadeiras, músicas e histórias, tem se mostrado estratégia bastante eficaz, para que os pequenos compreendam a importância desse cuidado no dia a dia. Além de ensinar a técnica correta, essas atividades ajudam a tornar o ato de lavar as mãos mais divertido e natural para as crianças (Trindade et al., 2024). A pediculose, embora comum entre crianças, ainda é cercada de preconceitos e, muitas vezes, tratada com silêncio ou vergonha. Essa situação, no entanto, deve ser enfrentada com conhecimento, sensibilidade e abertura para o diálogo (Souza et al., 2023). Falar sobre higiene corporal também é essencial quando pensamos na promoção da saúde infantil. Ensinar de maneira lúdica sobre a importância do banho diário, da limpeza adequada da pele e do cuidado com o próprio corpo contribui para formação de hábitos que vão acompanhar a criança por toda a vida (Marcolino et al., 2021). No entanto, essas práticas somente têm sentido quando consideram a realidade das crianças. Em regiões onde há dificuldade de acesso à água ou sabão, é fundamental que a abordagem seja compreensiva e participativa, construindo soluções junto com a comunidade (Vasconcelos et al., 2021).
Conclusão: A intervenção demonstrou que estratégias educativas lúdicas e participativas são eficazes para estimular a adoção de hábitos de higiene corporal, a prática adequada da higienização das mãos e a prevenção da pediculose em crianças do ensino fundamental. Evidencia-se, ainda, a relevância da atuação do enfermeiro no ambiente escolar, articulando teoria e prática, fortalecendo a intersetorialidade e promovendo cuidado integral e humanizado.
Referências:
MARCOLINO, B. L. S. Sensibilização educativa sobre pediculose do couro cabeludo aos estudantes do ensino fundamental de uma escola municipal de Maceió, utilizando diferentes estratégias pedagógicas. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciências Biológicas) – Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2021. Disponível em: https://www.repositorio.ufal.br/jspui/handle/123456789/12732. Acesso em: 27 abr. 2025.
OLIVEIRA, A. M. et al. Os cuidados com a higiene corporal na pré-adolescência e suas consequências sociais. In: Congresso Internacional de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento - XII CICTED, 23. Anais... Taubaté(SP) Universidade de Taubaté, 2023. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/XIICICTED23/695697-OS-CUIDADOS-COM-A-HIGIENE-CORPORAL-NA-PRE-ADOLESCENCIA-E-SUAS-CONSEQUENCIAS-SOCIAIS-ODS4. Acesso em: 1 maio 2025.
SOUZA, A. et al. Prevalence and the factors associated with pediculosis capitis in schoolchildren in the city of Niterói, Rio de Janeiro state, Brazil. Revista de Patologia Tropical, Goiânia, v. 52, n. 2, p. 141–150, 2023. DOI: 10.5216/rpt.v52i2.75095.
TRINDADE, B. H. A. et al. Ensinando higienização das mãos para crianças em uma escola municipal de Juiz de Fora: relato de experiência. Extensão em Foco, [S. l.], n. 32, p. 146–161, 2024. DOI: 10.5380/ef.v0i32.91548.
VASCONCELOS, W. C.; SILVA-VASCONCELOS, A. Ações de educação em saúde como estratégia de prevenção e controle das parasitoses intestinais: um estudo de revisão sistemática da literatura. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, [S.l.], v. 10, n. 11, p. e120101119301-e120101119301, 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/19301. Acesso em: 01 jun. 2025.