AUTOMEDICAÇÃO COM ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINES) E SUAS IMPLICAÇÕES GÁSTRICAS: UM RISCO SUBESTIMADO  
1JOÃO VITOR GENARO POUBEL DE SOUZA, 2MARIA LUIZA PELUCI DE PAULA, 3MARIA FERNANDA PAPINI DO NASCIMENTO, 4NIARA ARANTES OLIVEIRA SILVA, 5PAULO ROBERTO SCARPANTE
1Discente do curso de Medicina, UNIPAR
2Discente do curso de Medicina, UNIPAR
3Discente do curso de Medicina, UNIPAR
4Discente do curso de Medicina, UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) são medicamentos comumente usados para aliviar a dor e diminuir inflamações. No entanto, o uso inadequado e excessivo desses fármacos tem gerado preocupações acerca de possíveis reações adversas e seus efeitos na saúde pública. Nesse cenário, a atenção farmacêutica se destaca como uma ferramenta essencial para garantir o uso racional e seguro dos AINES, visando proporcionar melhores resultados terapêuticos para os pacientes (De oliveira, 2021). 
Objetivos: Este resumo tem como objetivo analisar e sintetizar as evidências disponíveis sobre as gastropatias associadas a automedicação de anti-inflamatórios não esteroidais.
Desenvolvimento: Os AINES estão entre as classes de medicamentos mais utilizados no mundo, sobretudo para tratar inflamação, dor e edema, osteoartrites, artrite reumatoide e distúrbios músculo-esqueléticos (Andrade, 2022). É amplamente reconhecido que o uso inadequado de anti-inflamatórios não esteroidais é uma questão significativa na área da saúde, especialmente no contexto da atenção farmacêutica. Embora os AINES sejam medicamentos frequentemente utilizados para aliviar a dor e reduzir a inflamação, o uso incorreto pode levar a efeitos colaterais graves, como úlceras gástricas e sangramentos (Lima, 2018). Nesse sentido, a partir de uma pesquisa conduzida por Bispo (2017), 180 pessoas foram entrevistadas. Dentre elas, 170, o que representa 94% dessas pessoas, afirmaram adquirir medicamentos sem a necessidade de receita médica (MIP), evidenciando a importância do controle desses fármacos. Esses remédios costumam ser utilizados no tratamento de doenças agudas e de pouca gravidade, como resfriados, dores de cabeça, cólicas, entre outras já citadas acima. No entanto, as pessoas fazem uso desses medicamentos sem conhecimento adequado sobre sua função ou finalidade terapêutica, caracterizando a prática da automedicação. Visto que, essa prática é caracterizada pela prescrição de determinado fármaco por uma pessoa não qualificada, como um amigo, familiares ou atendentes da farmácia, o que pode parecer inconsequente, mas pode gerar problemas como doses inadequadas, uso incorreto ou escolha errada de tratamento, aumentando a chance de trazer malefícios ao paciente (Oliveira et al., 2019), e convém lembrar que os AINES de venda livre estão associados a um risco aumentado de toxicidade gastrointestinal e insuficiência renal, especialmente em pacientes idosos (Guimarães; Pacheco; Morais, 2021). Contudo, os anti-inflamatórios não esteroidais, atuam  inibindo  a  produção  prostaglandinas  (PGs) através  da  competição  pelo  sítio  ativo  da  enzima  ciclooxigenase  (COX),  que consiste em duas principais isoformas, as: COX-1 e COX-2. A Cox 1 está presente em quase todos os tecidos (vasos sanguíneos, plaquetas, estômago, intestino, rins) sendo denominada de enzima constitutiva e é associada a muitos efeitos fisiológicos, como proteção gástrica, agregação plaquetária, homeostase vascular e manutenção do fluxo sanguíneo renal. A Cox 2  está presente nos locais de inflamação, sendo, por isso, denominada de enzima indutiva, a qual é induzida pelas citocinas pró-inflamatórias (Silva, 2019). Portanto, quanto aos seus efeitos adversos, estes são causados principalmente pela inibição da produção de prostaglandinas com o uso indiscriminado do medicamento. Dessa forma, com a síntese de prostaglandinas debilitada, ocorrem diversos efeitos indesejáveis como pirose e gastrites devido a diminuição da barreira protetora da mucosa estomacal, além da diminuta produção de muco protetor intestinal que, ao longo prazo, podem levar a dispepsias, úlceras gástricas e duodenais, sendo complicações graves que podem levar a morte se não forem conduzidas e diagnosticadas rapidamente (Silva, 2019). Visto isso, fica claro a importância de um uso controlado desses fármacos e sob a prescrição médica.
Conclusão: Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são amplamente utilizados por sua eficácia no combate à dor e à inflamação. No entanto, o uso excessivo e sem orientação adequada pode provocar danos à mucosa do estômago, sangramentos, formação de úlceras e até insuficiência renal. Esse cenário se agrava diante da elevada prática de automedicação no Brasil, o que reforça a necessidade de um uso responsável e sempre acompanhado por orientação médica.
Referências:
ANDRADE, G. B.; ANDRADE, T. B.; DA SILVA, J. N. Uso indiscriminado de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) por pacientes hipertensos. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, v. 13, n. 1, p. 59-76, 2022.
BISPO, N. S. et al. AUTOMEDICAÇÃO: SOLUÇÃO OU PROBLEMA?. Seminário Estudantil de Produção Acadêmica, v. 16, 2018.
GUIMARÃES, P. H. D.; PACHECO, R. P.; MORAIS, Y. J. Pharmaceutical care and the use of Over-the-Counter Medications (MIPs). Research, Society and Development, v. 10, p. 12, 2021.
LIMA, A. S.; ALVIM, H. G. D. O. Revisão sobre Antiinflamatórios Não-Esteroidais: Ácido Acetilsalicílico. Revista de Iniciação Científica e Extensão, v. 1, n. Esp, p. 169-174, 2018.
MARQUEZ, C. D. O.; SERAFIM, K. V. P. Interações medicamentosas no uso abusivo de anti-inflamatórios e seu impacto na saúde dos idosos. Scire Salutis, v. 12, n. 1, 2021.
OLIVEIRA,  R. R. et al. Uso  Racional  de Antimicrobianos. 2019
SILVA, M. M. et al. O uso crônico de anti-inflamatórios não-esteroidais e seus efeitos adversos. Cadernos da Medicina-UNIFESO, v. 2, n. 2, 2019.