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| DO NEURÔNIO AO CUIDADO INTEGRAL: UMA PERSPECTIVA ATUAL SOBRE A DOENÇA DE PARKINSON | |
| 1DOUGLAS HENRIQUE CUSTODIO HOTZ, 2BIANCA LOPES DA SILVA, 3LUANA RAPHAEL DE MELO, 4MATHEUS HENRIQUE TEN CATEN DAL POZZO, 5ROBERTO DE AGUIAR KOUBIK, 6DANILO MAGNANI BERNARDI | |
| 1Discente de Medicina da UNIPAR 2Discente de Medicina da UNIPAR 3Discente de Medicina da UNIPAR 4Discente de Medicina da UNIPAR 5Discente de Medicina da UNIPAR 6Docente do Curso de Medicina da UNIPAR |
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| Introdução: A Doença de Parkinson (DP) é a segunda desordem neurodegenerativa mais prevalente no mundo, superada apenas pelo Alzheimer, com uma incidência que tende a dobrar até 2030 devido ao envelhecimento populacional (Santos et al., 2022). Caracteriza-se pela degeneração progressiva de neurônios dopaminérgicos na substância negra, resultando em uma depleção do neurotransmissor dopamina, essencial para o controle motor (Bloem; Okun; Klein, 2021). O quadro clínico clássico é marcado pela tríade de bradicinesia, tremor de repouso e rigidez muscular. Contudo, a DP transcende os sintomas motores, manifestando-se também por meio de uma vasta gama de sintomas não motores, como depressão, ansiedade, distúrbios do sono e declínio cognitivo, que frequentemente impõem um impacto ainda maior na qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores (Aarsland et al., 2021). Objetivo: O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão abrangente e atualizada sobre a Doença de Parkinson, abordando seus mecanismos fisiopatológicos, os desafios no diagnóstico clínico e as modernas abordagens terapêuticas, com ênfase no manejo multidisciplinar. Desenvolvimento: A fisiopatologia da DP é complexa e multifatorial, envolvendo a agregação da proteína alfa-sinucleína em corpos de Lewy, disfunção mitocondrial, estresse oxidativo e processos neuroinflamatórios crônicos (Jankovic; Tan, 2020). Acredita-se que a doença resulte de uma interação entre suscetibilidade genética e fatores ambientais, como a exposição a pesticidas (Santos et al., 2022). A teoria do dual hit sugere que o processo patológico pode iniciar-se no sistema nervoso entérico ou no bulbo olfatório, explicando o surgimento precoce de sintomas não motores como constipação e perda de olfato (Magalhães et al., 2022). O diagnóstico permanece essencialmente clínico, baseado nos critérios da International Parkinson and Movement Disorder Society, que exigem a presença de bradicinesia associada a tremor de repouso ou rigidez (Munhoz et al., 2024). Apesar da alta especificidade desses critérios, erros diagnósticos ainda ocorrem em cerca de 15% dos casos em fases iniciais (Bloem; Okun; Klein, 2021). A abordagem terapêutica é focada no alívio sintomático. A levodopa continua sendo o padrão-ouro para o controle dos sintomas motores, embora seu uso crônico possa levar a complicações como flutuações motoras e discinesias. Outras classes de fármacos, como agonistas dopaminérgicos e inibidores da MAO-B e COMT, são utilizados como alternativas ou adjuvantes (Jankovic; Tan, 2020). Para casos refratários, a Estimulação Cerebral Profunda (DBS) representa uma opção cirúrgica eficaz. Tão crucial quanto o tratamento farmacológico é a abordagem não medicamentosa, que constitui um pilar do manejo da DP. A reabilitação multidisciplinar, envolvendo fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, é fundamental para manter a funcionalidade e a independência. Inovações recentes, como o uso de robótica e realidade virtual, têm demonstrado potencial para aumentar a motivação e a eficácia das terapias. O prognóstico é amplamente influenciado pelo comprometimento cognitivo, que pode progredir para demência, impactando severamente a qualidade de vida e aumentando a sobrecarga dos cuidadores (Aarsland et al., 2021). Conclusão: A Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa complexa cujo manejo exige uma abordagem individualizada e multidisciplinar. Embora ainda não haja cura ou terapias capazes de alterar a progressão da doença, a combinação estratégica de tratamentos farmacológicos, intervenções cirúrgicas e um robusto programa de reabilitação pode melhorar significativamente os sintomas e a qualidade de vida dos pacientes. A pesquisa contínua por biomarcadores e terapias neuroprotetoras permanece, portanto, fundamental para transformar o cenário futuro do tratamento da DP. |
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| Referências: AARSLAND, D., et al. Parkinson disease-associated cognitive impairment. Nat Rev Dis Primers, v. 7, n. 1, p. 47, 2021. BLOEM, B. R.; OKUN, M. S.; KLEIN, C. Parkinsonʻs disease. Lancet, v. 397, n. 10291, p. 2284-2303, 2021. JANKOVIC, J.; TAN, E. K. Parkinsonʻs disease: etiopathogenesis and treatment. J Neurol Neurosurg Psychiatry, v. 91, n. 8, p. 795-808, 2020. MAGALHÃES, F., et al. Teorias causais, sintomas motores, sintomas não-motores, diagnóstico e tratamento da doença de Parkinson: uma revisão bibliográfica. Research, Society and Development, v. 11, n. 7, p. e10811729762, 2022. MUNHOZ, R. P., et al. O diagnóstico clínico da doença de Parkinson. Arq Neuro-Psiquiatr, v. 82, p. s00431777775, 2024. SANTOS, G. F., et al. Doença de Parkinson: padrão epidemiológico de internações no Brasil. Research, Society and Development, v. 11, n. 1, p. e13511124535, 2022. |
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