TOXOPLASMOSE CONGÊNITA: DA TRANSMISSÃO VERTICAL ÀS MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS NO RECÉM-NASCIDO  
1GIOVANNA AMATUZI ULIANO, 2AMANDA BEATRICE DA ROSA, 3ANA JULIA CIA GOMES, 4ANA LAURA NOGUEIRA, 5ISADHORA CORREA PEREIRA, 6MARCELA MADRONA MORETTO DE PAULA
1Acadêmico do PIC/Unipar
2Acadêmico do PIC/Unipar
3Acadêmico do PIC/Unipar
4Acadêmico do PIC/Unipar
5Acadêmico do PIC/Unipar
6Docente da UNIPAR
Introdução: A toxoplasmose é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii (T. gondii), que pode ser assintomática em adultos imunocompetentes ou causar sintomas leves, como febre, fadiga e linfadenopatia (Guerina et al., 2023). Em imunossuprimidos e recém-nascidos, entretanto, apresenta formas graves com risco de sequelas, sendo a  transmissão vertical a causadora da toxoplasmose congênita, importante causa de morbimortalidade fetal e neonatal (Guerina et al., 2023). As complicações mais frequentes nos recém-nascidos incluíram alterações neurológicas, como calcificações intracranianas, hidrocefalia e déficits cognitivos e motores, além de comprometimentos oculares, como retinocoroidite e perda visual, e distúrbios auditivos (Costa  et al, 2024).
Objetivo: Abordar por meio de revisão bibliográfica, as manifestações da toxoplasmose congênita nos recém-nascidos, com foco nos sinais neurológicos.
Desenvolvimento:  A toxoplasmose congênita pode apresentar-se de forma distinta conforme a idade gestacional. Recém-nascidos a termo tendem a manifestar quadros mais leves, com hepatoesplenomegalia e linfadenopatia, enquanto prematuros apresentam formas graves, com maior risco de complicações sistêmicas e sequelas neurológicas (Guerina et al., 2023). A tríade clássica — coriorretinite, hidrocefalia e calcificações cerebrais, embora presente em poucos casos, indica maior gravidade clínica, especialmente quando a infecção materna ocorre nos primeiros trimestres da gestação sem intervenção, podendo evoluir inclusive para óbito intrauterino ou neonatal (Guerina et al., 2023). Entre as sequelas neurológicas mais descritas da toxoplasmose congênita destacam-se atrasos no desenvolvimento, deficiência intelectual, convulsões, deficiência auditiva, anormalidades motoras e, principalmente, deficiência visual, sendo a coriorretinite a manifestação mais frequente (Barros et al., 2024). O comprometimento do sistema nervoso central (SNC) é evidenciado pelas calcificações decorrentes de fenômenos de vasculite e necrose, que acometem sobretudo as regiões periaquedutal e periventricular (Barros et al., 2024). Ainda referenciando Barros et al, de 2024, a hidrocefalia, por sua vez, resulta da alteração na circulação do líquor, levando ao acúmulo de líquido cefalorraquidiano (LCR) e à hipertensão intracraniana. Em crianças, essa condição pode ocasionar graves sequelas neurológicas e oculares, como déficits cognitivos, dificuldades de aprendizagem e fala, epilepsia e até cegueira (Aswani et al., 2023). Grande parte dessas manifestações está relacionada à ausência de medidas preventivas, como a realização de sorologias pré-concepcionais, acompanhamento pré-natal desde o primeiro trimestre e orientação adequada às gestantes sobre formas de contágio (Costa et al., 2024). Assim, o diagnóstico precoce ao nascimento, aliado ao tratamento específico e ao acompanhamento multiprofissional, é fundamental para reduzir complicações, prevenir sequelas e melhorar o prognóstico (Peyron et al., 2022). Diante dos riscos da transmissão vertical, a toxoplasmose congênita permanece como um desafio relevante para a saúde pública, com impacto significativo no desenvolvimento infantil e na qualidade de vida dos pacientes (Zeman et al., 2022). 
Conclusão: A toxoplasmose congênita representa um importante fator de morbimortalidade neonatal e infantil, podendo gerar sequelas permanentes mesmo em recém-nascidos inicialmente assintomáticos. A implementação de sorologias pré-concepcionais e pré-natais, aliada à educação das gestantes sobre formas de contágio, é essencial para a prevenção e detecção precoce da infecção. Além disso, o tratamento específico, associado ao acompanhamento clínico e multiprofissional, é crucial para prevenir sequelas tardias e garantir melhor qualidade de vida às crianças afetadas. Portanto, o estudo da transmissão vertical e dos efeitos neurológicos da toxoplasmose congênita evidencia a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e do acompanhamento contínuo para reduzir a morbimortalidade neonatal. 
Referências:
ASWANI, Laxme Velasco et al. Alterações neurológicas decorrentes de infecções congênitas e perinatais: uma revisão integrativa da literatura. Revista Contemporânea, v. 3, n. 12, p. 28894-28912, 2023.
BARROS, Kelly Martins Rodrigues et al. Manifestações clínicas eo manejo da Toxoplasmose Congênita: Uma revisão sistemática. Lumen et Virtus, v. 15, n. 39, p. 1614-1627, 2024.
COSTA, T. et al. Toxoplasmose gestacional e congênita: número de casos e principais complicações ao recém-nascido. Brazilian Journal of Infectious Diseases, 2023.
GUERINA, N. G. et al. Neonatal serologic screening and early treatment for congenital Toxoplasma gondii infection. New England Journal of Medicine, 2023. 
PEYRON, F. et al. Congenital Toxoplasmosis: The State of the Art. Frontiers in Pediatrics, 2022. 
ZEMAN, K. et al. Long-Term Outcomes in Children with Congenital Toxoplasmosis—A Systematic Review. Pathogens, v. 11, n. 10, p. 1187, 2022.