EPILEPSIA ASPECTOS CLÍNICOS, FISIOPATOLÓGICOS E TERAPÊUTICOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA
1MATHEUS PORTELA RODRIGUES, 2ROBERTO DE AGUIAR KOUBIK, 3DOUGLAS HENRIQUE CUSTODIO HOTZ, 4LUANA RAPHAEL DE MELO, 5DAVIT WILLIAN BAILO, 6JULYS SOUZA BARBOSA
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmico do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
 
Introdução: a epilepsia é uma doença neurológica crônica caracterizada por crises epilépticas recorrentes, resultantes de descargas elétricas anormais e excessivamente sincronizadas no cérebro (ILAE, 2017). Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, estruturais e adquiridos, como traumatismo cranioencefálico e acidente vascular cerebral (LÜDERS et al., 2019). Estima-se que 65 milhões de pessoas no mundo apresentem epilepsia (PEREIRA; BORGES; SILVA, 2025), com alta prevalência em países em desenvolvimento, onde o acesso à terapia antiepiléptica ainda é limitado. No Brasil, aproximadamente 150 mil novos casos surgem anualmente, com prevalência estimada entre 1 e 1,5% da população, o que a torna um problema de saúde pública relevante (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2025).
Objetivo: Revisar aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, clínicos, diagnósticos e terapêuticos da epilepsia, destacando os avanços recentes e as estratégias de manejo no contexto brasileiro.
Desenvolvimento: A epilepsia manifesta-se clinicamente por crises que podem ser classificadas como focais ou generalizadas, de acordo com critérios clínicos e eletroencefalográficos estabelecidos pela International League Against Epilepsy (ILAE, 2017). As crises focais subdividem-se em aquelas com consciência preservada e aquelas com perda de consciência, frequentemente acompanhadas de automatismos e confusão pós-ictal (LÜDERS et al., 2019). Já as crises generalizadas incluem crises tônico-clônicas, de ausência, mioclônicas, atônicas e clônicas (ILAE, 2017).A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre sistemas excitatórios e inibitórios, marcado pelo excesso de glutamato e déficit de inibição GABAérgica. Além disso, processos inflamatórios mediados por citocinas, alterações estruturais e fatores genéticos, como mutações em canais iônicos, contribuem para a epileptogênese (VEZZANI; BALOSSO; RAVIZZA, 2019).O diagnóstico é clínico e complementado por exames como eletroencefalograma e neuroimagem (ressonância magnética e tomografia) (ROSENOW et al., 2020). O tratamento medicamentoso é a principal abordagem, preferencialmente em monoterapia. Entre os fármacos mais utilizados estão carbamazepina, fenitoína, valproato de sódio, lamotrigina, levetiracetam e oxcarbazepina (AGUIRRE et al., 2019). Em casos refratários, a cirurgia de ressecção pode ser considerada (FALCICCHIA; SIMONATO; VERLENGIA, 2018). O uso de canabidiol foi recentemente incorporado como alternativa terapêutica, especialmente em epilepsias resistentes, demonstrando eficácia e boa tolerabilidade (GOUVEIA et al., 2021). O prognóstico varia conforme a etiologia, adesão terapêutica e presença de comorbidades. Enquanto 60 a 70% dos pacientes alcançam controle adequado das crises, cerca de 30% permanecem com epilepsia refratária (PERUCCA; FRAUSCHER et al., 2019). Além do manejo farmacológico, orientações de primeiros socorros durante crises, cuidados no período pós-ictal e medidas preventivas, como higiene do sono e adesão ao tratamento, são fundamentais para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes (BRODIE et al., 2025).
 
Conclusão: a epilepsia constitui um desafio clínico e social pela sua alta prevalência, diversidade de manifestações e impacto sobre a qualidade de vida (PEREIRA; BORGES; SILVA, 2025). A compreensão de seus mecanismos fisiopatológicos, aliada ao avanço em diagnósticos e novas terapias, permite melhor prognóstico e redução da morbimortalidade (VEZZANI; BALOSSO; RAVIZZA, 2019). No Brasil, apesar dos avanços, ainda são necessários esforços para ampliar o acesso a medicamentos e terapias modernas, reforçando a importância da abordagem multidisciplinar e de políticas públicas voltadas para pacientes com epilepsia (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2025).
Referências:
AGUIRRE, L. E. et al. Perspectivas na abordagem farmacológica da epilepsia: uma extensa revisão da farmacoterapia. Ecuadorian Journal of Neurology, v. 28, n. 3, p. 59–67, 2019.
BRODIE, M. J. et al. Seizure first aid in the community: current recommendations. Acta Epileptologica, v. 7, n. 1, p. 11, 2025. DOI: 10.1186/s42494-025-00202-w.
FALCICCHIA, C.; SIMONATO, M.; VERLENGIA, G. New tools for epilepsy therapy. Frontiers in Cellular Neuroscience, v. 12, p. 147, 2018.
GOUVEIA, L. D. G. et al. Uso e eficácia de cannabidiol em pacientes com epilepsia: uma revisão sistemática. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 2, p. 5209–5220, 2021.
ILAE – International League Against Epilepsy. The 2017 ILAE classification of seizures and epilepsy. Geneva: ILAE, 2017. Disponível em: https://www.ilae.org/guidelines/definition-and-classification. Acesso em: 8 jul. 2025.
LÜDERS, H. et al. Classification of paroxysmal events and the four-dimensional epilepsy classification system. Epileptic Disorders, v. 21, n. 1, p. 1–29, 2019.
MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). DATASUS. Internações por local de internação – Unidade da Federação. Brasília: Departamento de Informática do SUS, 2025. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/niuf.def. Acesso em: 8 jul. 2025.
PEREIRA, M. J.; BORGES, G. J.; SILVA, A. A. V. Estudo sobre a prevalência da epilepsia e sua relação com fatores clínicos e sociais. Brazilian Journal of Health Review. Disponível em: https://brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/download/49076/pdf. Acesso em: 8 jul. 2025.
PERUCCA, P.; FRAUSCHER, B. Prognostic patterns and predictors in epilepsy: a multicentre study (PRO-LONG). Epilepsia, v. 60, n. 4, p. a95-a105, 2019. DOI: 10.1111/epi.15672.
ROSENOW, F. et al. Could the 2017 ILAE and the four-dimensional epilepsy classifications be merged to a new “Integrated Epilepsy Classification”? Seizure, v. 78, p. 31–37, 2020.
VEZZANI, A.; BALOSSO, S.; RAVIZZA, T. Cytokines and inflammatory mediators in epileptogenesis and epilepsy. Nature Reviews Neurology, v. 15, p. 361–374, 2019.