DO CONSUMO AO COLAPSO: CONSEQUÊNCIAS DO ABUSO DE ÁLCOOL  
1PAOLA CAMILA CECHINEL GHELLERE, 2ISADORA MARTINS PIFFER, 3LUANA RAFAELA GAIS ERTHAL, 4ANTONELLA PERUSO LIRA SCHEIDT, 5ROSILEY BERTON PACHECO
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: O consumo de bebidas alcoólicas está, há muito tempo, fortemente enraizado na cultura de comemorações, atos religiosos, complemento culinário e forma de presentear. Porém, o uso constante, excessivo ou ambos, impulsionados pelo fácil acesso e opções de baixo custo, é responsável por inúmeras consequências na vida de quem faz o uso, incluindo a morte de si próprio e de terceiros (Cordeiro et al., 2021).
Objetivo: Este trabalho foi desenvolvido com o propósito de analisar as consequências orgânicas e sociais do abuso na ingestão de álcool através de uma revisão de literatura, a partir de seis trabalhos científicos encontrados na plataforma Google Acadêmico.
Desenvolvimento: O alcoolismo é definido pela necessidade do indivíduo de ingerir bebidas alcoólicas, acompanhada da dificuldade para parar de beber, estabelecendo uma relação de descontrole frente ao consumo do álcool, além de desenvolver certa tolerância, consumindo maior quantidade de bebida em um curto período de tempo para usufruir do efeito recreativo gerado (UNIMED-BH, 2021). O alcoolismo compromete relações familiares e sociais, levando ao abandono de responsabilidades, perda de confiança, rupturas afetivas, perdas físicas, materiais, morais e até isolamento do indivíduo (Cordeiro et al., 2021). Também pode afastar familiares e amigos, seja por medo da agressividade ou pela sobrecarga de conflitos. Em alguns casos, embora a família tenha papel essencial na busca por tratamento, o problema é negado e justificado como parte da convivência social, dificultando o enfrentamento da doença (Cordeiro et al., 2021). Na classificação do transtorno por uso de álcool, é possível enquadrar o indivíduo como etilista social ou etilista crônico e ainda classificar como leve, moderado ou grave, baseado na frequência e quantidade de álcool ingerido, no grau de dependência e na extensão dos prejuízos funcionais causados pelo consumo, considerando a interferência nas atividades diárias, no comportamento e na qualidade de vida do indivíduo (UNIMED-BH, 2021). O álcool é uma substância psicoativa e o vício em seu consumo pode ser tão nocivo quanto a dependência de outras drogas (NIAAA em amarelo, 2025). Nos casos leves, o indivíduo pode não ter dependência intensa, mas demonstra dificuldade em controlar a ingestão alcoólica uma vez iniciada e comportamento inadequado ou disfuncional durante ou após o consumo. Nos graus moderado e grave, os padrões de consumo são mais intensos e contínuos, com prejuízos significativos na vida pessoal, social e profissional (UNIMED-BH, 2021). Diversos sistemas do corpo humano sofrem danos causados pelo álcool, que com a ingestão recorrente e prolongada, torna esses danos irreversíveis e resulta em doenças graves (College Drinking Prevention, 2025). Entre os diversos danos causados ao fígado, estão as alterações de membrana, desequilíbrio metabólico, estresse oxidativo, inflamação, acúmulo de gordura e proteínas nos hepatócitos, fibrose e morte celular, processos que contribuem para a esteatose hepática e sua possível evolução para hepatite alcoólica, com degeneração e necrose dos hepatócitos, e para um pior prognóstico das hepatites virais (B e C) devido ao comprometimento prévio do fígado. Ainda, pode ocorrer a cirrose hepática, marcada pela formação de nódulos no fígado, perda da função e da capacidade de regeneração do órgão (Lanza et al., 2021). No sistema nervoso central, neurônios reduzem de tamanho, a massa cerebral diminui e funções como equilíbrio, memória, sono, humor, fala e julgamento são comprometidas. Como o cérebro se desenvolve até pouco mais de vinte anos, o consumo precoce pode alterar a trajetória do desenvolvimento cerebral, gerando alterações permanentes em sua estrutura e funcionamento (College Drinking Prevention, 2025). No coração, constatou-se que qualquer tipo de bebida sob qualquer medida de álcool e a quantidade ingerida, possuem implicações nos riscos de eventos cardiovasculares adversos maiores, que incluem: doença cardíaca/doença arterial coronariana, angina e acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico, além de fibrilação atrial, hipertensão e cardiomiopatia (Santos et al., 2025). As funções renal e pancreática também são afetadas. O consumo excessivo ou crônico de álcool pode prejudicar os rins diretamente ou através de complicações em outros órgãos, como fígado e coração. No pâncreas, o álcool interfere na liberação adequada de enzimas digestivas, fazendo com que sejam ativadas precocemente dentro do órgão, gerando um quadro de pancreatite com inflamação, dor e comprometendo de seu funcionamento (College Drinking Prevention, 2025).
Conclusão: O alcoolismo é um grave problema de saúde pública, capaz de comprometer múltiplos sistemas do organismo e de gerar profundas repercussões sociais. Seu impacto vai além dos danos físicos, atingindo relações familiares e profissionais, de muitas formas levando ao isolamento do indivíduo. O conjunto de evidências científicas reforça a importância do papel familiar e da sociedade no enfrentamento do consumo abusivo de álcool, bem como a relevância das estratégias de prevenção e o valor do diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Referências:
ALCOHOL and You: An Interactive Body | College Drinking Prevention. [S. l.], [20--]. Disponível em: https://www.collegedrinkingprevention.gov/specialfeatures/alcoholbody.aspx. Acesso em: 19 set. 2025.
CORDEIRO, Ketlen Patrycia Alves et al. Alcoolismo: impactos na vida familiar. SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas, Ribeirão Preto, v. 17, n. 1, p. 84-91, jan./mar. 2021.
LANZA, Ana Tereza Furlan et al. O consumo de álcool e seus principais efeitos deletérios no corpo humano: uma revisão descritiva. Revista Ibero- Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 245-257, jan. 2021.
SANTOS, J. I. G. et al. O consumo do álcool e a saúde do sistema cardiovascular: efeitos nocivos ao coração - uma revisão sistemática. Revista Aracê, Capanema, v. 1, n. 1, p. 65-80, 2025.
UNDERSTANDING Alcohol Drinking Patterns | National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA). [S. l.], [20--]. Disponível em: https://www.niaaa.nih.gov/alcohols-effects-health/overview-alcohol-consumption/understanding-alcohol-drinking-patterns. Acesso em: 19 set. 2025.