A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO DO ENFERMEIRO À MULHER DIAGNOSTICADA COM CÂNCER DE MAMA
1EMILLY PAIVA DE CASTRO, 2LUANA GABRIELY BATISTA DA SILVA, 3TAYANE NEPOMUCENO DOS SANTOS
1Acadêmica do curso de Enfermagem da Unipar
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: O câncer de mama é definido pelo crescimento desorganizado de células invasivas, podendo causar mutações no DNA (Marques et al. 2015). É considerado um problema de saúde pública e um dos mais frequentes entre a população feminina mundialmente, após o câncer de pele não melanoma (Brasil, 2024). De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), projeta-se que até 2025 sejam diagnosticados aproximadamente 73.610 novos casos de câncer de mama, com uma incidência de 66,54 casos para cada 100 mil mulheres (Santos et al. 2023). A paciente diagnosticada com neoplasia mamária vivencia diferentes fases de conflitos internos, que se iniciam, frequentemente, pela negação da doença (Silveira et al. 2021). A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como a principal porta de entrada dos usuários no Sistema Único de Saúde (SUS), é por meio dela que os usuários são encaminhados conforme necessidade às especialidades médicas. Nesse contexto, o enfermeiro exerce papel fundamental, realizando consultas de enfermagem e acompanhando todo o processo de saúde-doença, com ênfase nas ações na promoção, prevenção e reabilitação da saúde da mulher (Brasil, 2017).
Objetivo: Analisar a importância do acolhimento da mulher diagnosticada com o câncer de mama.
Desenvolvimento: O câncer consiste na proliferação desordenada das células, com capacidade de multiplicação de forma rápida, essas células possuem características agressivas e de crescimento incontrolável, tornando-se um tumor maligno que possui diferenciação de acordo com sua região e estágio (Marques et al. 2015). A mulher que recebe o diagnóstico de câncer de mama enfrenta problemas como o medo do porvir, inseguranças e alterações emocionais (Silveira et al. 2021). Ademais, a  possibilidade de mastectomia compromete significativamente a autoestima feminina, afetando diretamente o aspecto psicológico das mulheres, uma vez que a mama é social e culturalmente reconhecida como um importante símbolo de sexualidade e identidade pessoal (Silveira et al. 2021). A Atenção Primária à Saúde (APS) atua como o principal acesso dos cidadãos ao SUS, sendo responsável por direcioná-los a serviços especializados, conforme a demanda (Brasil, 2017).
Segundo a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), constitui atribuição do enfermeiro, entre outras competências, a realização de procedimentos, solicitação de exames complementares, prescrição de medicamentos de acordo com os protocolos da instituição e o encaminhamento do paciente a outros profissionais, conforme necessário, sendo possível tais condutas, por meio da consulta de enfermagem (Brasil, 2017). O enfermeiro na Atenção Primária em Saúde (APS), realiza o acompanhamento à mulher em todas as etapas da vida, por meio da consulta de enfermagem. A consulta de enfermagem é realizada de forma individualizada e contínua, voltada aos aspectos psicológicos, biológicos e sociais (Zucolo, Paulino, Whitaker, 2014). A consulta de enfermagem deve ser pautada na atenção humanizada, que é estabelecida dentro da Política Nacional de Humanização (Brasil, 2010). A humanização no atendimento ao paciente diz respeito ao acolhimento que se constitui em escuta efetiva, respeito ao usuário e resolução de seus problemas (Brasil, 2010). O cuidado holístico aos pacientes oncológicos deve considerar os aspectos biológicos, sociais e emocionais. Portanto, o profissional de enfermagem precisa ter conhecimento sobre esses fatores para oferecer um atendimento qualificado (Zucolo, Paulino, Whitaker, 2014).
Conclusão: Este trabalho destaca a importância da humanização na assistência de enfermagem à mulher diagnosticada com o câncer de mama, reforçando a necessidade de uma abordagem centrada na paciente. Espera-se que a reflexão apresentada contribua para estimular ações de cuidado pautadas no acolhimento, visando à qualidade do atendimento.
Referências:
BRASIL. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Conceito e magnitude. Rio de Janeiro: INCA, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/conceito-e-magnitude. Acesso em: 16 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. HumanizaSUS: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. 4. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/humanizasus/rede-humanizasus/humanizasus_documento_gestores_trabalhadores_sus.pdf. Acesso em: 22 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n.º 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html. Acesso em: 16 ago. 2025.
MARQUES, C. T. Q. et al. Oncologia: uma abordagem multidisciplinar. 1. ed. São Paulo: Carpe Diem, 2015.
SANTOS, M. S. et al. Estimativa de incidência de câncer no Brasil, 2023–2025. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, v. 69, n. 1, p. 1–14, fev. 2023. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/3700/2644. Acesso em: 16 ago. 2025.
SILVEIRA, R. C. et al. Sentimentos das mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 7, n. 1, p. 8792–8809, fev. 2021. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/23619/18978. Acesso em: 16 ago. 2025.
ZUCOLO, F.; PAULINO, C. P.; WHITAKER, M. C. O. A percepção do enfermeiro sobre cuidados a pacientes oncológicos. Revista UNIARA, Araraquara, v. 17, n. 1, p. 51–57, jan. 2014. Disponível em: https://revistarebram.com/index.php/revistauniara/article/view/5. Acesso em: 19 ago. 2025.