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| SONOPLASTIA E CIÊNCIA SONORA: FREQUÊNCIAS, ONDAS E INCLUSÃO MUSICAL PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL | |
| 1MAICON LOPES GONZALEZ | |
| 1UNIPAMPA - Universidade Federal do Pampa |
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| Introdução: A música integra o campo das artes e das linguagens, estabelecendo vínculos com a ciência, especialmente a física do som. Nessa perspectiva, a sonoridade envolve elementos como silêncio, ruído, timbre melodia, textura e ritmo, possibilitando reflexões que dialogam com a Educação Ambiental (EA). A Música, ao lado das Ciências, promove uma abordagem interdisciplinar, capaz de ampliar a compreensão da complexidade sonora e estimular a concientização. Conforme Fazenda (2003, p. 70): “A sala de aula é o lugar onde a interdisciplinaridade habita”. Assim, a prática musical vai além da estética, e dessa forma, este trabalho busca compreender como a sonoplastia e os fundamentos científicos do som, podem ser aplicados na Educação Musical, favorecendo práticas interdisciplinares e ambientalmente responsáveis. Objetivos: Analisar de que forma a sonoplastia e a ciência do som podem ser integradas à prática pedagógica em música, promovendo sustentabilidade, inclusão social e a acessibilidade sonora. Material e Métodos: Durante às aulas de música com o 3º ano do Ensino Fundamental I, desenvolveu-se uma proposta interdisciplinar articulando Música e Ciências. O estudo inicial abordou a formação e propagação do som, bem como seus parâmetros — grave, médio e agudo. De acordo com Wisnic (2002, p. 28): “O som é um elo comunicante do mundo material com o mundo espiritual e invisível”. Os alunos também refletiram sobre a paisagem sonora (Schafer, 2001), e construíram instrumentos artesanais com materiais simples, como garrafa PET, caixas de papelão e bacias. Entre os exemplos, destacam-se: o gongo, utilizando a bacia e colher de madeira; o chocalho, com pedregulhos, areia ou simplesmente grãos de arroz, feijão, milho entre outros; e o violão de elástico, a partir de borrachas (atilhos) presas em caixa de papelão. Embora a atividade tenha demandado três encontros, gerou envolvimento afetivo e aprendizagens significativas. Durante a experiência, os estudantes puderam perceber vibrações, diferenças de timbres e intensidade (volume). Essa prática dialoga com a cultura maker[2], que incentiva criatividade e resolução de problemas (Azevêdo, 2019). Além disso, o silêncio foi tratado como elemento essencial da música, compondo a percepção rítmica e estética (Ross, 2007). Resultados: A proposta possibilitou ampliar a compreensão científica do som e despertar consciência ambiental. Carbone (2017, p. 5), destaca a importância de “[...] repensarmos nossos valores e práticas, reduzindo o consumo exagerado e o desperdício”. A atividade mostrou-se significativa para as crianças, que registraram na memória o prazer da criação musical, aliada ao cuidado com o ambiente. Discussão: Os resultados reforçam que a ciência e arte sonora são indissociáveis. A integração entre música e ciências promove aprendizagens críticas e criativas, fortalecendo a consciência cidadã. No campo da Educação Ambiental, a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, ressalta que os processos educativos devem construir valores e atitudes voltados à sustentabilidade. Nesse sentido, o reaproveitamento de materiais em atividades musicais, estimula práticas responsáveis e fortalece o senso coletivo dos estudantes. Conclusão: A integração entre sonoplastia, ciência do som e Educação Musical, representa um caminho para uma formação inclusiva e sustentável. Ao unir teoria e prática, amplia-se o alcance pedagógico, fomenta-se a consciência ambiental e garante a acessibilidade. Assim, a música, quando compreendida também como ciência, não apenas encanta, mas educa e transforma. Como enfatiza Émile Jaques-Dalcroze (1865-1950): “A música não é apenas arte, é um caminho para a vida, para a compreensão de si e do mundo”. |
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| Referências: AZEVÊDO, Luciana de Souza. Cultura maker: Uma nova possibilidade no processo de ensino e aprendizagem. 2019, Dissertação (Mestrado em inovação em tecnologias educacionais) Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal 2019. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/28456. Acesso em: 13 ago. 2025. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 – Lei da Educação Ambiental. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm. Acesso em: 16 ago. 2025. CARBONE, Amanda Silveira. [et al.]. 5 Rs: educação para o consumo responsável [livro eletrônico]/; [ilustração Augusto Palenciene Neto]. – 1. ed. – São Paulo: Instituto SIADES, 2017. Acesso em: 10 ago. 2025. DALCROZE, Emile Jaques. Le Rythme, La musique et lʼéducation – Ritmo, Música e Educação. Paris, França: Jobin e Cie, 1920. Acesso em: 12 ago. 2025. FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade: qual o sentido? São Paulo. Editoração: Paulus, 2003. ROSS, Alex. O resto é barulho. New York: Picador, 2007. SCHAFER, Raymond Murray. A Afinação do Mundo. São Paulo: Unesp, 2001. WISNIC, José Miguel. O som e o sentido: Uma outra história das músicas. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. |
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