![]() | |
|---|---|
![]() | |
| DESAFIOS NO MONITORAMENTO DE DIAPHORINA CITRI: PRÁTICAS TRADICIONAIS E OPORTUNIDADES PARA USO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS POR PRODUTORES DE CITROS DO NOROESTE DO PARANÁ | |
| 1EDUARDO GOIANO DA SILVA , 2ALEX VINICIUS FARIA, 3MARCIA CRISTINA DADALTO PASCUTTI, 4FRANCIELY DA SILVA PONCE, 5SILVIA GRACIELE HULSE DE SOUZA | |
| 1Discente do Doutorado Acadêmico em Biotecnologia Aplicada à Agricultura - UNIPAR 2Acadêmico do Curso de Doutorado Em Biotecnologia Aplicada à Agricultura - Turma Ix da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Doutorado Em Biotecnologia Aplicada à Agrigultura - Turma X da UNIPAR 4Departamento de Horticultura, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu, São Paulo, Brasil 5Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: A citricultura possui elevada importância para a agricultura brasileira, mas enfrenta sérios desafios relacionados ao controle de pragas e doenças, especialmente o Huanglongbing (HLB), também conhecido como greening, transmitido pelo psilídeo asiático Diaphorina citri (Li et al., 2020). O HLB é causado pela bactéria Candidatus liberibacter asiaticus, que coloniza o floema das plantas e compromete a produtividade (Bové, 2006). No Brasil, a erradicação de plantas infectadas é compulsória, dado o alto potencial de perdas. Estima-se que a doença cause prejuízos anuais de aproximadamente US$ 1 bilhão na Flórida, EUA (Li et al., 2020), enquanto no Brasil já se verificou redução de 24,36% em relação à safra anterior (Fundecitrus, 2024). Estudos agronômicos e fitopatológicos destacam seu elevado impacto econômico e social (Blaustein et al., 2018; Gasparoto et al., 2018; Munir et al., 2018). Nesse contexto, o presente estudo buscou analisar o perfil de produtores de citros e investigar as práticas de monitoramento de D. citri, visando compreender os métodos de controle adotados, sua frequência e eficácia. Relato de caso: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Paranaense (UNIPAR), sob protocolo nº 6.574.730, CAAE nº 76348523.3.0000.0109, e conduzida na região noroeste do Paraná, Brasil. O estudo envolveu 20 propriedades rurais localizadas em Altônia, Cruzeiro do Oeste, Paranavaí, São Jorge do Patrocínio e Umuarama. Os dados foram coletados por meio de entrevistas com agricultores, abordando práticas de manejo, tecnologias empregadas e estratégias de controle do HLB. A maioria das propriedades era de pequeno porte (≤ 5 ha). O monitoramento visual de pragas foi relatado como o método mais utilizado (65%), seguido por armadilhas de feromônio (20%). Observou-se baixa utilização de tecnologias digitais: 75% dos agricultores utilizavam o celular apenas para comunicação social e com fornecedores, enquanto apenas 5% aplicavam recursos digitais em atividades de monitoramento agrícola. Todos os produtores relataram uso intensivo de defensivos químicos, ao passo que estratégias sustentáveis, como o controle biológico, foram pouco exploradas. A erradicação de plantas infectadas foi necessária em 95% das propriedades. Discussão: Os resultados indicam que o controle do HLB na região ainda é fortemente baseado em práticas tradicionais, com ênfase no uso de defensivos químicos e baixa adoção de tecnologias digitais. A predominância do monitoramento visual limita a precisão das informações coletadas e retarda a tomada de decisão. A reduzida utilização de práticas sustentáveis, como o controle biológico, reforça a necessidade de políticas públicas e programas de capacitação voltados à difusão de métodos menos agressivos ao meio ambiente. Nesse cenário, tecnologias digitais emergentes, como sistemas baseados em Internet das Coisas (IoT), apresentam grande potencial. Essas ferramentas permitem coleta em tempo real de dados sobre a presença do vetor, aumentando a eficiência no monitoramento e possibilitando intervenções mais rápidas, econômicas e sustentáveis.. Conclusão: O estudo evidenciou que, na região noroeste do Paraná, o controle do HLB ainda é predominantemente baseado em práticas convencionais. A dependência do monitoramento visual e do uso intensivo de defensivos químicos, associada à baixa adoção de ferramentas digitais e a um uso incipiente de controle biológico, configura um panorama de manejo com limitações em precisão e sustentabilidade. A erradicação compulsória de plantas sintomáticas mostrou-se uma medida amplamente necessária, sendo praticada na quase totalidade das propriedades. Conclui-se que há uma clara desconexão entre as tecnologias e práticas sustentáveis disponíveis e a realidade operacional dos produtores da região, indicando a urgência de estratégias de transferência de tecnologia e capacitação que possam superar essa lacuna. |
|
| Referências: BLAUSTEIN, R. A.; LORCA, G. L.; TEPLITSKI, M. Challenges for managing Candidatus Liberibacter spp. (Huanglongbing disease pathogen): current control measures and future directions. Phytopathology, Saint Paul, v. 108, p. 424-435, 2018. BOVÉ, J. M. “HUANGLONGBING: A Destructive, Newly-Emerging, Century-Old Disease Of Citrus. Journal of Plant Pathology, v. 88, n. 1, p. 7–37, 2006. JSTOR, Disponível em: http://www.jstor.org/stable/41998278. FUNDECITRUS. Relatório de Atividades. 2024. Disponível em: https://www.fundecitrus.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Relatorio-Anual-2024.pdf. Acesso em: 15 ago. 2025. GASPAROTO, M. C. G.; HAU, B.; BASSANEZI, R. B.; RODRIGUES, J. C.; AMORIM, L. Spatiotemporal dynamics of citrus huanglongbing spread: a case study. Plant Pathology, Oxford, v. 67, p. 1621-1628, 2018. LI, S.; WU, F.; DUAN, Y.; SINGERMAN, A.; GUAN, Z. Citrus greening: management strategies and their economic impact. HortScience, Alexandria, v. 55, n. 5, p. 604-612, 2020. MUNIR, S.; HE, P.; WU, Y.; HE, P.; KHAN, S.; HUANG, M.; CUI, W.; HE, P.; HE, Y. Huanglongbing control: Perhaps the end of the beginning. Microbial Ecology, Basingstoke, v. 76, p. 192-204, 2018. |
|